Efeito Irã no 'overnight': bolsas em Nova York caem antes da abertura

Por Da redação, com agências 2 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Efeito Irã no 'overnight': bolsas em Nova York caem antes da abertura

Os mercados futuros de ações dos Estados Unidos recuam nas negociações noturnas deste domingo, 1, após ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel contra o Irã no fim de semana. O conflito eleva o sentimento de aversão ao risco, o que impacta ações, porém impulsiona o preço do barril do petróleo, diante da perspectiva de oferta mais restrita.

Nas negociações do 'overnight', o Dow Jones futuro caía cerca de 1%, enquanto os futuros do S&P 500 e do Nasdaq 100 tinham baixa semelhante. O ouro, por outro lado, avançava aproximadamente 2%, refletindo a corrida por ativos considerados porto seguro.

A ofensiva militar deste fim de semana resultou na morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou em entrevista à CNBC que as operações militares americanas estão “adiantadas em relação ao cronograma”. O mercado, porém, reage com cautela diante do risco de prolongamento do conflito.

O ataque ocorreu após a recusa do Irã em atender exigências dos EUA para limitar seu programa nuclear. Forças iranianas contra-atacaram, atingindo outros países da região.

Para Ajay Rajadhyaksha, estrategista do Barclays, o risco de um conflito sustentado é maior agora do que em anos recentes, reporta a CNBC. O banco, porém,  não enxerga um cenário capaz de alterar de forma drástica as perspectivas econômicas dos EUA.

Petróleo sobe e foco se volta ao Estreito de Ormuz

Os preços do petróleo bruto nos EUA chegaram a salta mais de 10% nas primeiras horas de negociação, em meio ao temor de interrupções na oferta. O Irã é o quarto maior produtor da Opep, e a incerteza sobre a condução política do país após a morte de sua principal liderança adiciona volatilidade ao mercado.

O principal ponto de atenção é o estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa uma parcela relevante do petróleo comercializado globalmente. Qualquer bloqueio ou redução prolongada no tráfego pode gerar efeitos em cadeia no mercado de energia e reacender pressões inflacionárias ao redor do mundo.

“Um ambiente de incerteza mais ampla tende a deteriorar o sentimento dos investidores e pesar sobre ativos de risco globalmente”, afirmou Adam Hetts, chefe global de multiativos da Janus Henderson, à CNBC. Segundo ele, uma alta persistente do petróleo poderia provocar um novo susto inflacionário global.

Ações já fragilizadas por dúvidas sobre IA

A tensão geopolítica se soma a um cenário já delicado para as bolsas. O S&P 500 encerrou fevereiro no vermelho após novas quedas em ações ligadas a inteligência artificial e software, à medida que investidores questionam se a rápida adoção da IA pode pressionar modelos tradicionais de negócios.

O temor é que a automação reduza margens, provoque demissões e gere efeitos colaterais sobre a economia como um todo. Para estrategistas do Citigroup, o impacto inicial do conflito tende a ser de curto prazo, mas não se pode descartar uma fricção mais prolongada sobre os mercados acionários.

Em relatório citado pela CNBC, o banco ressalta que essa nova onda de volatilidade se soma a uma lista crescente de preocupações: embora o ciclo de investimentos em IA deva continuar, a promessa de ganhos de produtividade enfrenta, cada vez mais, os riscos de disrupção nos modelos de negócios tradicionais.

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