Eileen Collins: a pioneira que abriu caminho para mulheres na NASA
A história da astronauta Eileen Collins voltou ao centro das atenções com o documentário "Spacewoman", dirigido por Hannah Berryman e que chega à Apple TV em 2 de junho de 2026. A produção, baseada no livro de memórias da astronauta chamado "Through the Glass Ceiling to the Stars" (Através do Teto de Vidro até as Estrelas, em tradução livre), publicado em 2021, mostra como Collins saiu de uma infância simples em Elmira, no estado de Nova York, para se tornar a primeira mulher a comandar uma missão de ônibus espacial da NASA.
O documentário recupera imagens de arquivo, entrevistas e relatos pessoais para reconstruir uma trajetória marcada por resistência, pressão e pioneirismo. Collins também foi a primeira mulher a pilotar um ônibus espacial da agência americana, em 1995, antes de assumir o comando da missão STS-93, em 1999.
Uma infância distante da NASA
Collins cresceu em um ambiente operário e desenvolveu cedo fascínio pela aviação e pela exploração espacial. Em entrevista à NASA, ela afirmou: “Quando eu era muito jovem e comecei a ler sobre astronautas, não existiam mulheres astronautas”.
No documentário, Collins relembra que sonhava em ser como o Capitão Kirk, personagem de "Star Trek". O interesse pela ficção científica acabou se transformando em carreira militar e, posteriormente, em um lugar na NASA.
Antes de chegar à agência espacial, ela ingressou na Força Aérea dos Estados Unidos em uma época em que mulheres ainda enfrentavam enormes barreiras dentro da aviação militar. Collins integrou uma geração que começou a ocupar espaços tradicionalmente masculinos em áreas como pilotagem, testes de voo e engenharia aeroespacial.
O peso de ser a primeira
Quando comandou a missão STS-93, em julho de 1999, Collins entrou para a história ao liderar o lançamento do observatório espacial Chandra, um dos telescópios de raios X mais importantes já enviados ao espaço.
Apesar do marco histórico, Collins sempre destacou que não queria permanecer como exceção. Em uma entrevista publicada pela NASA, ela comentou sobre o fato de ser a única mulher comandante até então: “Espero que não por muito tempo”.
Aos 21 anos, Eileen Collins treinava para se tornar piloto (Foto da família Collins)
O documentário também aborda o impacto emocional das missões espaciais, especialmente após os desastres dos ônibus espaciais Challenger e Columbia. Collins comandou a missão STS-114, em 2005, conhecida como “Return to Flight”, a primeira missão da NASA após a tragédia da Columbia.
No documentário, ela relembrou o clima daquele momento: “O programa do ônibus espacial dependia disso. Todo o programa espacial americano girava em torno desse retorno aos voos, então precisava dar certo”.
O impacto além da NASA
"Spacewoman" também discute como a trajetória de Collins influenciou gerações posteriores de astronautas. A NASA destaca que, após sua missão histórica, outras mulheres passaram a ocupar posições de comando em missões espaciais americanas.
A própria Collins costuma associar sua conquista às mulheres que vieram antes dela, especialmente as aviadoras do grupo conhecido como Mercury 13, que enfrentaram preconceito durante os primeiros anos da corrida espacial americana.
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