Ela foi obesa e emagreceu com a própria dieta. Agora, fatura milhões com marmita fitness
No mercado de comida pronta, a disputa hoje passa por tempo curto na rotina e busca por uma alimentação que caiba no freezer, no micro-ondas e no orçamento. De acordo com o Sebrae, o segmento de alimentação saudável registrou crescimento de 48% no estado de São Paulo entre 2018 e 2023. E o apetite por esse tipo de produto segue em alta em 2026.
Pesquisa recente feita pela entidade mostra que 68% dos consumidores buscam opções fitness na hora de escolher o almoço, ficando atrás apenas do tradicional prato feito (73%). O cenário é uma oportunidade para quem deseja empreender com foco em alimentação equilibrada e prática.
É nesse espaço que a Keep Light voltou a operar em 2026. Fundada em São Paulo, em 2003, pela empreendedora gaúcha Betina Sehbe, a empresa de refeições ultracongeladas passou por um hiato de dois anos depois que a fundadora deixou a operação, em meio a mudanças na gestão do negócio.
No período, a empresária passou a prestar consultoria para outras empresas de alimentação e ficou impedida de retomar a marca por cláusulas de non-compete, termo em inglês para acordo de não concorrência.
"Fui trabalhar em outras empresas e me fizeram assinar non-compete (contrato em que a pessoa não pode abrir outra empresa do mesmo segmento) de um ano. Depois, fiquei com non-compete de novo, quando fiz consultoria para outra empresa", afirma Betina. "Depois que isso passou, eu sabia que tinha que retomar a Keep Light, porque ela é muito bem colocada no mercado”.
Agora, a Keep Light volta à ativa com investimento de R$ 3 milhões, aplicado na montagem de uma nova cozinha central em São Paulo, na reformulação da marca e na estrutura da nova operação. Neste ano de reestreia, a empresa projeta faturar R$ 3,5 milhões.
Com futuras ampliações que já estão no radar e chegada a novos mercados, a expectativa da fundadora é de alcançlar R$ 5 milhões em receita até 2027 e R$ 9 milhões até 2029.
Como a empresa surgiu
A origem da Keep Light passa mais pela trajetória pessoal da fundadora do que por uma oportunidade mapeada de mercado. Betina conta que criou a empresa a partir de uma dificuldade enfrentada por ela mesma: encontrar comida pronta que se encaixasse em dietas com controle de calorias e composição nutricional.
“Eu já fui obesa três vezes na minha vida. Acabei fazendo a Keep Light exatamente pela minha necessidade”, afirma Betina.
Formada em economia, ela começou a testar receitas, métodos de congelamento e formas de regenerar os alimentos, termo usado no setor para aquecer e servir o produto mantendo textura e sabor. A proposta inicial era montar uma operação de delivery, entrega direta ao consumidor, com uma cozinha industrial própria. Esse desenho segue de pé na retomada.
Desde o início, a marca se ligou a dietas prescritas por médicos. Betina afirma que o “DNA” da empresa nasceu para atender protocolos médicos, com controle de sódio, gordura, carboidrato e proteína. Com o tempo, a linha deixou de mirar apenas quem queria perder peso e passou a incluir diferentes restrições e hábitos alimentares.
O que mudou na volta
A Keep Light voltou com cozinha nova em São Paulo, nova identidade visual e revisão dos processos. Segundo a empresária, a operação antiga alcançou faturamento de R$ 9 milhões em seu auge. A base de consumidores é um dos ativos citados nessa nova fase. A empresa chegou a reunir mais de 80 mil nomes em sua base de dados.
"Nosso clientes é aquela pessoa que faz dieta, mas também pessoas que querem apenas uma refeição saudável ao dia todo", afirma Betina.
Na operação antiga, a Keep Light chegou a ter 80 funcionários, sendo 60 deles dentro da cozinha. Hoje são 14. A redução mostra que a retomada começa em escala menor, embora com a meta de ganhar volume sem trocar de endereço no curto prazo. A fundadora afirma que a estrutura foi desenhada para crescer com mais turnos de produção antes de exigir uma nova expansão física.
A Keep Light volta com 190 opções de receitas 'premium' no cardápio — 90% já existiam na fase anterior da empresa. A linha ainda foi ampliada para incluir produtos sem glúten, sem lactose, low carb, vegetarianos e veganos. Cada refeição tem, em média, em 250 calorias.
Expansão para outras praças
No passado, a Keep Light operou em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Agora, o primeiro passo fora da capital paulista deve ser o Rio. Brasília aparece na sequência. A produção continuará centralizada em São Paulo, com transporte frigorificado terceirizado para abastecer outras cidades.
A fundadora afirma que o Rio de Janeiro deve vir primeiro porque a marca já teve presença por lá durante seis anos e ainda mantém demanda de antigos clientes e parceiros médicos. Brasília já fazia parte dos planos da operação anterior. Porto Alegre também aparece no radar, mas para um momento posterior.
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