Ele ajudou o Fasano a crescer. Agora vai faturar R$ 75 milhões com rede própria de restaurantes

Por Guilherme Gonçalves 4 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Ele ajudou o Fasano a crescer. Agora vai faturar R$ 75 milhões com rede própria de restaurantes

Ricardo Trevisani passou quase duas décadas ajudando a expandir um dos grupos de gastronomia mais conhecidos do país. Braço direito de Rogério Fasano, ele participou da abertura de restaurantes em São Paulo, Rio de Janeiro e fora do Brasil, até se tornar diretor de novos negócios do Grupo Fasano.

Ainda enquanto construía carreira como executivo, Trevisani também ensaiava seu próprio caminho como empreendedor. Primeiro, com o Maremonti, criado no litoral paulista. Depois, com o Ristorantino, marca que nasceu nos Jardins, em São Paulo, e agora começa a ganhar novas praças no Brasil.

O grupo Trevisani encerrou 2025 com faturamento de R$ 65 milhões e projeta chegar a R$ 75 milhões em 2026, impulsionado por duas novas aberturas: uma em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, e outra em Brasília.

Por trás da expansão segue a aposta em gastronomia italiana contemporânea, serviço de alto padrão e um conceito que Trevisani repete como mantra: hospitalidade.

Ristorantino: com duas novas casas, grupo quer fechar 2026 com faturamento de R$ 75 milhões (Grupo Trevisani/Divulgação)

Como Trevisani começou a carreira

A história de Ricardo Trevisani na gastronomia começou cedo. Aos 15 anos, já trabalhava no restaurante do seu tio em São Paulo. Pouco tempo depois, entrou no Grupo Fasano como garçom, onde iniciaria uma trajetória que definiria sua visão de negócio.

Houve uma pausa estratégica: Trevisani passou quase uma década na Itália, onde trocou o salão pela cozinha e chegou a atuar como chef. A experiência ajudou a consolidar sua base técnica e seu olhar para a gastronomia italiana.

De volta ao Brasil, em 1992, Trevisani retornou ao Fasano em posição de liderança. Ao longo de quase 20 anos, participou diretamente da expansão do grupo, trabalhando ao lado de Rogério Fasano na abertura de diversas casas — de São Paulo ao Rio de Janeiro e até projetos internacionais.

“Eu estava muito envolvido na implementação dos restaurantes, era diretor de novos negócios”, afirma.

Foi nesse período que começou a empreender por conta própria, conciliando a carreira executiva com um negócio paralelo: o Maremonti, criado no ano 2000. A operação cresceu, ganhou unidades e acabou sendo vendida em 2013 ao empresário Arri Coser — movimento que marcou sua transição definitiva para o empreendedorismo.

Quando o Ristorantino foi criado

Com a saída do Fasano, Trevisani iniciou uma nova fase. Em 2014, abriu o Ristorantino nos Jardins, em São Paulo — projeto que nasceu inicialmente em parceria com o chef Salvatore Loi.

A sociedade durou poucos meses, mas o conceito permaneceu. O restaurante ganhou identidade própria e se transformou no embrião do grupo atual.

“Depois que segui sozinho, o Ristorantino foi ganhando identidade própria. A gente começou a estruturar o negócio e pensar em expansão".

Desde então, o Ristorantino evoluiu para diferentes formatos, incluindo unidades em shopping centers e versões mais casuais, como o Ristorantino Caffè. Ao mesmo tempo, o grupo passou por mudanças societárias, como a entrada e posterior saída da família Diniz, consolidada com a recompra das participações por Trevisani.

Hoje, a operação reúne unidades em São Paulo, Rio de Janeiro e litoral paulista, além de participação no restaurante Lassù. O grupo também estruturou um backoffice centralizado, responsável por toda a gestão financeira, compras e operação — um modelo que sustenta a expansão.

Quais são os próximos destinos

A chegada da marca a Porto Alegre marca um movimento estratégico: é a primeira investida do grupo fora do eixo Rio-São Paulo. O restaurante será aberto no shopping Bourbon Carlos Gomes, do Grupo Zaffari, com investimento de R$ 6 milhões e geração de 45 empregos diretos.

O projeto nasceu de uma relação pessoal. Trevisani foi convidado pela família Zaffari após anos de convivência com clientes gaúchos em São Paulo. Mas há também um fator cultural. O empresário vê no Sul uma afinidade com sua própria história — tanto pela influência italiana quanto pela proximidade com costumes dos gaúchos.

“Me sinto em casa em Porto Alegre. Vivi quase uma década na Itália, no Lago de Garda, onde tive muito contato com italianos e alemães, e vejo uma afinidade com esse público no Sul”, diz Trevisani.

Ristorantino: Nova unidade em Porto Alegre marca expansão do grupo para fora do eixo Rio-São Paulo (Grupo Trevisani/Divulgação)

A unidade de Porto Alegre seguirá o modelo mais sofisticado da marca, com foco em "fine dining", operação menor, de cerca de 80 lugares, e ticket médio estimado em torno de R$ 280.

O segundo movimento de expansão do Ristorantino acontece em Brasília, onde o grupo prepara a abertura de um Ristorantino Caffè no ParkShopping.

Previsto para novembro, o projeto terá investimento de cerca de R$ 4 milhões e seguirá um conceito mais casual — o mesmo adotado na unidade do Pátio Higienópolis, em São Paulo. A escolha do formato, segundo Trevisani, não é por acaso.

"Ao diversificar os modelos, conseguimos adaptar a marca a diferentes públicos e praças, sem perder a essência".

Quais são os próximos passos do grupo

Apesar de ter construído sua carreira na capital paulista, Trevisani vê fora dela as melhores oportunidades de expansão. A estratégia já havia sido aplicada na época do Maremonti, que cresceu, principalmente, em cidades do interior e litoral.

Agora, com o Ristorantino, o movimento se repete — mas com uma estrutura mais robusta e profissionalizada. Hoje, o grupo conta com cerca de 350 funcionários e uma operação central que permite crescer de forma organizada.

Em um mercado cada vez mais competitivo, Trevisani acredita que o diferencial não está apenas no prato, mas no serviço, no ambiente e no tempo que o cliente passa à mesa.

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