Ele começou com R$ 100 e uma creche para cachorros em casa. Hoje o negócio fatura R$ 1 milhão
A paixão por cães e a vontade de empreender fizeram com que André Cavalieri apostasse na criação de uma creche para cachorros, que eram acolhidos e cuidados dentro de sua própria casa.
O que começou de maneira despretensiosa, com a distribuição de cartões de visita, hoje é a empresa Dog Corner, que já fatura R$ 1 milhão ao ano como creche e hotel para pets.
O setor de produtos e serviços para animais domésticos faturou R$ 75,4 bilhões no Brasil em 2024, segundo dados da Pet Brasil em conjunto com a Abinpet.
Com o setor pet aquecido, Cavalieri aposta no crescimento de seu negócio — com o lançamento de uma frente de adestramento e, nos próximos meses, uma frente educativa.
A partir do lançamento dos novos ecossistemas, a expectativa é chegar a um faturamento de R$ 1,5 milhão até o final de 2026.
Na mira para os próximos anos estão o lançamento de uma segunda unidade e a entrada no segmento de franquias.
Como surgiu a Dog Corner
Desde os 16 anos, André Cavalieri se aventura no empreendedorismo. Ele chegou a abrir uma loja de roupas básicas que acabou quebrando.
Foi no ramo pet que ele encontrou um negócio de sucesso, quando começou a hospedar cães na casa dos pais, em Bauru, no interior de São Paulo, em 2016.
O investimento foi baixo: R$ 100 para imprimir cartões de visita. “Eu saía para passear com a minha cachorra justamente no horário em que todo mundo estava passeando com os seus cães.
Levava meus cartões e, como ela era muito dócil, eu me aproximava das pessoas, puxava conversa rapidamente, fazia uma abordagem e entregava o cartão”, diz o empreendedor.
Em um mês, ele tinha ganhado clientes fixos — que indicavam o seu serviço para outras pessoas — já que não existiam empresas do ramo na cidade.
Com isso, deu um pequeno passo no caminho da profissionalização: a criação de uma logo e de uma marca própria.
Depois de um ano, precisou deixar a casa dos pais e alugar um novo espaço para dar conta da quantidade de clientes caninos.
Quando percebeu o potencial para a empresa crescer, Cavalieri também buscou especialização, com cursos e treinamentos em cuidado e comportamento de pets.
Em 2020, decidiu realizar o sonho de se mudar para a capital paulista. Alugou uma casa de 200 m² e três pavimentos, no bairro da Vila Mariana, onde seria a empresa e também a sua casa. Porém, em pouco tempo, a pandemia começou.
O medo de precisar desistir de seus sonhos era grande — mas ele seguiu deixando panfletos em bairros vizinhos e conseguiu alguns clientes ainda naquele ano.
Em alguns meses, contratou dois funcionários para ajudar nas demandas.
“Já no segundo ano em São Paulo, nossa empresa se tornou uma das três mais bem avaliadas no Google em todo o estado. Isso deu uma alavancada enorme no negócio”, diz Cavalieri.
“Sempre entregamos um trabalho com muito cuidado e qualidade, e as pessoas passaram a recomendar bastante.”
Em 2023, a casa já estava tomada por cães e o empreendedor morava em outro apartamento. O faturamento anual chegava a R$ 300 mil.
Uma nova fase
Com a casa cheia de clientes, Cavalieri sentia dificuldade para expandir o negócio. Foi quando convidou a sua amiga Denise Neves, que tinha experiência no mundo corporativo, para ser sócia da Dog Corner.
A chegada de uma nova sócia resultou em estratégias de crescimento focadas na profissionalização e no marketing. Contrataram novos funcionários, foram para um ponto maior na mesma região e passaram a se dedicar à divulgação nas redes sociais.
“Foi um momento de equilibrar profissionalização e afeto, que é o que nos diferencia dos concorrentes”, afirma Denise. Em dois anos, o faturamento chegou a R$ 1 milhão.
“O crescimento está ligado ao número da nossa carteira e à fidelização. Em 2023, a nossa creche tinha 39 cães ativos; hoje nós temos 110 cães ativos, o que foi possível com uma unidade maior”, diz a sócia.
Além da creche, a Dog Corner conta com a opção de hotel, com hospedagem para fins de semana ou temporada, e serviços de banho.
Para reter clientes e se diferenciar, a marca vem apostando não apenas na proximidade com os cães, mas também com os tutores. Entre as ações está uma revista de notícias mensal da creche e a oferta de atividades periódicas com tutores — a mais recente realizada na Velocity.
Ecossistema pet
Em janeiro deste ano, os empreendedores lançaram o Dog Corner Adestra, braço especializado em adestramento e comportamento canino, que dá continuidade ao trabalho iniciado na creche, mas dentro da casa do tutor.
“A nossa ideia é caminhar para uma rede de cuidados — seja atendendo o mercado pet, seja atendendo o tutor 360°, desde um banho até uma rotina mais adequada dentro de um adestramento”, diz Denise.
Para o segundo semestre, mais uma frente deve ser inaugurada: a Dog Corner Ensino. O objetivo é ensinar outros empreendedores do mercado pet a estruturarem suas operações com foco em gestão, processos e segurança.
“Esse lançamento vai contribuir com o faturamento, mas ao mesmo tempo tem um propósito de profissionalização. Muita gente começa hoje puramente pelo amor aos pets, mas o setor carece de profissionalização”, afirma a empreendedora.
Com isso, a Dog Corner deve faturar ao menos R$ 1,5 milhão até o final de 2026.
Para 2027, eles estudam a possibilidade de abrir uma segunda unidade na cidade de São Paulo. Com propostas de interessados em outras cidades, a empresa também avalia a possibilidade de adotar o modelo de franquias nos próximos anos.
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