Ele foi garçom e já fechou uma empresa. Hoje o fundador da Milky Moo mira R$ 1 bilhão em 2027

Por Layane Serrano 10 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Ele foi garçom e já fechou uma empresa. Hoje o fundador da Milky Moo mira R$ 1 bilhão em 2027

"Um dia eu passei na frente de uma loja de açaí e não tinha R$ 10 no bolso para comprar um copo. Aquilo me marcou. Prometi que nunca mais passaria por isso."

A lembrança ainda acompanha Lohran Soares de Oliveira. Antes de fundar a Milky Moo, ele trabalhou como garçom no Outback, passou mais de uma década tentando fazer uma loja de sapatos dar certo e enfrentou dificuldades financeiras que quase o fizeram desistir do empreendedorismo.

Hoje, a realidade é outra. A rede de milkshakes criada em Goiânia faturou R$ 542 milhões em 2025, soma mais de 800 lojas entre abertas e em implantação (sendo apenas 3 lojas próprias), iniciou no último ano a expansão internacional pelos Estados Unidos e se prepara para inaugurar a primeira unidade no Paraguai neste ano.

O plano inicial de Soares, que investiu tudo o que tinha (R$ 120 mil na primeira loja pintada de vaquinha) era crescer gradualmente.

"Eu falava que a gente ia ter três lojas, depois 30, depois 60 e, por fim, 100", conta o empresário durante o evento Leader Shift, realizado pela Sólides em Minas Gerais.

A realidade surpreendeu o executivo. Com as cores preto, branca e rosa, a empresa escalonou, mesmo tendo sido criada pouco antes da pandemia, em fevereiro de 2020. Hoje, a meta é superar R$ 700 milhões em faturamento neste ano, alcançar a milésima operação e atingir o primeiro R$ 1 bilhão em receita em 2027.

"Nossa supermeta é terminar o ano com 1.200 pontos de venda entre abertos e para abrir. A milésima loja deve chegar até agosto", afirma Soares em entrevista exclusiva à EXAME durante o evento.

Lohran Soares de Oliveira, dono da Milky Moo, palestrando na segunda edição do Leader Shift, evento promovido pela Sólides, em Minas Gerais (Sólides/Divulgação)

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A estratégia por trás do crescimento

Em um mercado de alimentação cada vez mais competitivo, a Milky Moo continua abrindo cerca de 200 novas operações por ano. A estratégia para manter esse ritmo de expansão, segundo Soares, está em monitorar dois indicadores.

"Eu tenho dois grandes indicadores: aumento de ponto de venda e aumento da venda média. Se os dois estão evoluindo muito, significa que estamos no caminho mais que certo."

Para ele, o crescimento acontece porque a empresa conseguiu criar uma marca que vai além do produto e aposta constantemente em inovação.

"Não dá para vender milkshake de Nutella com leite a vida inteira. A nossa pergunta do dia a dia é: como a gente pode encantar o cliente hoje?"

Essa estratégia levou a empresa a lançar produtos como milkshake proteico com a Piracanjuba e fechar parcerias com Adidas, O Boticário, Ruffles e neste mês com a marca de canetas BIC.

"A Milky Moo é essa menina atrevida que vai se relacionando com empresas muito grandes, que também enxergam valor nessa conexão," diz o empresário.

Para este ano de Copa do Mundo, a marca de milkshake também quis ir além. Além de fechar ações de marketing com a CazéTV, a Milky Moo criou a Moo Mania – Edição Futebol, uma coleção de oito miniaturas da vaquinha, mascote oficial da marca, inspiradas em diferentes seleções, como Brasil, Argentina, França, Espanha, Portugal, Japão e Senegal.

"Criamos a Moo Mania porque entendemos que o consumidor de hoje não compra apenas um milkshake, ele busca uma experiência”, diz o empresário.

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O plano para conquistar o exterior

A criatividade dessa empresa brasileira quer ultrapassar fronteiras, por isso, a internacionalização também ganhou espaço na estratégia da companhia.

Hoje, a empresa possui 4 operações nos Estados Unidos e prepara a abertura da primeira unidade em Assunção, no Paraguai.

“Vamos abrir ainda neste ano a quinta loja nos EUA, na região de Utha, e a primeira loja no Paraguai”, diz Soares.

Além disso, negocia a entrada em novos mercados.

"Estamos conversando desde Peru até Austrália. Mas internacionalização é uma dureza de execução”, diz. "Ter sucesso na Colômbia não significa que você terá sucesso no Peru. Cada começo é um começo diferente."

O sonho de longo prazo é ousado. Soares tem como meta chegar com sucesso em 50 países.

O próximo mercado: cidades pequenas

Além do exterior, a empresa aposta em um novo modelo de franquia para acelerar o crescimento no Brasil.

Chamado Milky Moo Mob, o formato exige investimento a partir de R$ 200 mil e foi criado para atender cidades menores.

"Minha menina dos olhos está nas cidades com menos de 50 mil habitantes. A gente praticamente não está nesse mercado," diz Soares.

Segundo ele, a estratégia também busca reduzir o risco do investidor.

"Muitas vezes é o investimento da vida do nosso franqueado. A gente tem a responsabilidade de não fracassar."

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A escala de trabalho dessa empresa de varejo

Questionado sobre as discussões em torno da NR-1 e sobre o fim da escala de trabalho 6x1, o empresário afirma que a companhia já nasceu colocando as pessoas no centro da estratégia. Hoje, muitas lojas da rede operam no modelo 12x36 e a sede administrativa, que reúne cerca de 110 colaboradores, adota a jornada 5x2.

"Eu vejo com bons olhos todo esse movimento em favor da saúde mental no mercado. Eu gostava de trabalhar nessa escala 12x36, porque você trabalha um dia e folga no outro”, afirma o empresário.

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As três dicas para quem quer empreender no Brasil

Depois de anos trabalhando como garçom e empreendedor, Soares acredita que a principal diferença entre empresas que crescem e as que ficam pelo caminho está na disciplina. Por isso, param quem deseja empreender ele deixa 4 dicas:

E deixa mais um conselho para quem quer liderar um negócio em crescimento.

"Você precisa delegar. Se o empreendedor quiser continuar fazendo tudo sozinho, ele vira o gargalo do próprio negócio."

O que o dono da Milky Moo aprendeu ao atender clientes como funcionário

Para quem já trabalhou diretamente com o público como garçom e passou anos no varejo, a forma como uma empresa trata seus funcionários influencia diretamente a experiência do cliente.

"As pessoas do seu time são o primeiro cliente da empresa. Se elas não estiverem felizes, não vão conseguir encantar quem entra na loja", afirma. "A gente vende milkshake, mas trabalha com pessoas. Se a equipe não comprar o sonho, o cliente também não compra."

Uma das formas de valorização está em chamar o funcionário pelo nome.

“Sabe aquela música do Skank ‘Oh comandante, capitão, tiro, brother, camarada, chefia, amigão, desce mais uma rodada...”, conta Soares. “Essa música faz referência sobre como chamamos um garçom. Eu mesmo já fui chamado até de presidente, mas na minha empresa chamamos as pessoas pelo nome”.

A filosofia tem relação direta com a própria trajetória do fundador. Depois de trabalhar como garçom, fechar uma loja de sapatos e quase desistir do empreendedorismo, Soares acredita que construir uma empresa é, antes de tudo, cuidar das pessoas.

"A gente passa metade da nossa vida trabalhando. Então, a gente precisa ser feliz trabalhando", diz Soares.

Hoje, o empresário que um dia sonhou em ter 100 lojas em 2020 já fala na milésima operação e em transformar uma marca criada em Goiânia em uma companhia global, rumo ao R$ 1 bilhão em faturamento em 2027.

"Na minha cabeça de empreendedor apaixonado, a Milky Moo vai bombar em qualquer lugar do mundo."

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