Ele foi garimpeiro e hoje fatura R$ 43 bilhões com o terceiro maior supermercado do Brasil

Por Daniel Giussani 29 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Ele foi garimpeiro e hoje fatura R$ 43 bilhões com o terceiro maior supermercado do Brasil

O varejo alimentar do Maranhão é um dos casos mais extremos de concentração no Brasil.

O estado abriga uma rede que se tornou referência nacional, com origem no interior maranhense, e que distancia em larga escala todas as concorrentes locais.

O resultado é um mercado em que praticamente todo o faturamento das principais redes vem de uma única empresa.

As duas redes maranhenses que aparecem entre as principais do país somaram 43,5 bilhões de reais em faturamento em 2025, segundo o Ranking ABRAS 2026. Desse total, R$ 43,5 bilhões vieram da líder, o Grupo Mateus, e apenas R$ 43 milhões vieram da segunda colocada. A diferença é de mais de 1.000 vezes.

O Grupo Mateus, sediado em São Luís, é a terceira maior empresa de varejo alimentar do país, atrás apenas de Carrefour e Assaí.

A operação foge da lógica regional e disputa mercado em nove estados das regiões Norte e Nordeste, com ações listadas na B3, bolsa de valores brasileira.

A presença dominante do Mateus deixa pouco espaço para concorrentes maranhenses.

O cenário se inverte em relação a outros estados nordestinos: o Maranhão exporta varejo alimentar — o Grupo Mateus avança sobre Pernambuco, Bahia e Sergipe — em vez de receber a entrada de redes nacionais.

Quais são os 2 maiores supermercados do Maranhão

O Grupo Mateus é a maior rede de varejo alimentar do Maranhão e a terceira maior do país, segundo o Ranking ABRAS 2026, com 43,5 bilhões de reais de faturamento em 2025.

A empresa ocupa a 3ª posição no ranking nacional e tem capital aberto na B3 desde 2020.

A história começa em 1986, em Balsas, no sul do Maranhão. Ilson Mateus Rodrigues, nascido em Imperatriz, havia trabalhado como engraxate, operário em fábrica de cachaça e garimpeiro em Serra Pelada, no Pará. Foi em uma conversa à beira da fogueira, durante o garimpo, que ouviu falar que Balsas seria a nova fronteira agrícola brasileira com o avanço da soja.

Vendeu os poucos pertences e abriu uma mercearia de 50 metros quadrados na cidade.

A escala mudou em 1988, quando o pequeno comércio se transformou em supermercado de médio porte. Para atender também o atacado, Ilson Mateus criou o Armazém Mateus, que passou a abastecer mercearias do Maranhão e do interior do Pará.

A expansão para outras cidades demorou — só em 2000 a rede chegou a Imperatriz e inaugurou um hipermercado em Balsas com mais de 5.000 metros quadrados. A capital São Luís recebeu a primeira loja em 2003.

A diversificação foi rápida nos anos seguintes. Em 2007, o grupo entrou no atacarejo, formato híbrido entre atacado e varejo, com a marca Mix Atacarejo, e criou a indústria de panificação Bumba Meu Pão.

Em 2010, lançou o Eletro Mateus, com foco em eletrodomésticos. A operação se profissionalizou e, em 2011, recebeu a entrada da família mineira Duarte de Assis no capital, com 30% de participação.

O movimento decisivo veio em outubro de 2020, com o IPO, oferta pública inicial de ações, na B3.

A operação levantou recursos que financiaram a expansão para fora do Maranhão e do Pará. O grupo entrou em Pernambuco, Bahia, Sergipe, Alagoas, Paraíba, Ceará e Piauí em sequência. Em 2024, adquiriu o Novo Atacarejo, uma das maiores redes atacadistas do Nordeste, em movimento que reforçou a presença regional.

Hoje, o grupo opera com mais de 490 unidades em nove estados, sob as bandeiras Mateus Supermercados, Mix Atacarejo, Eletro Mateus, Armazém Mateus, Camiño (franquia para pequenos varejistas), Bumba Alimentos e Invicta (distribuição farmacêutica).

A empresa é a maior rede de varejo alimentar com capital totalmente brasileiro do país.

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