Ele foi uma criança fascinada por tecnologia – hoje, é líder de inovação em uma gigante financeira

Por institucional 6 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Ele foi uma criança fascinada por tecnologia – hoje, é líder de inovação em uma gigante financeira

Quando era criança, Eduardo Abreu não via a tecnologia como algo distante. Era, na verdade, a sua brincadeira favorita. Em seu quarto, instalou um dispositivo para controlar a intensidade da luz e também adaptou um interruptor para ligar e desligar a televisão (isso em uma época em que controle remoto ainda não estava em todas as casas brasileiras).

Décadas depois, essa curiosidade virou carreira. Hoje, Abreu é vice-presidente de Desenvolvimento de Negócios da Visa, gigante de tecnologia de movimentação financeira, no Brasil. Seu papel é construir novas parcerias e estratégias de negócio para simplificar a vida dos consumidores.

E agora sua função ganhou novas camadas. Pela frente, ele tem o desafio de aproximar a empresa de um novo perfil de consumidor de sistemas financeiros, que busca cada vez mais por empresas digitais, sem agências, com jornadas feitas por aplicativo onde é possível resolver tudo em poucos cliques.

O Brasil virou laboratório de pagamentos digitais

Para Abreu, o Brasil ocupa uma posição rara no mundo quando o assunto é sofisticação em meios de pagamento. Segundo ele, cerca de 60% das transações no país passam por cartões de crédito, débito ou pré-pagos. Quando o Pix entra na conta, o índice de pagamentos digitalizados se aproxima de 95%.

Essa transformação mudou a relação do consumidor com o dinheiro. A geração Z, diz o executivo, não se prende a uma única instituição financeira. Abre contas com facilidade, combina serviços de diferentes bancos e escolhe o melhor produto para cada necessidade.

“Não tem mais dificuldade de uma pessoa ter uma conta em banco hoje em dia”, afirma. “A geração Z, em média, tem várias contas abertas e aproveita o melhor de cada uma”, completa.

Por isso, a próxima fronteira dos pagamentos, segundo o executivo, não é necessariamente eliminar o cartão, mas torná-lo cada vez menos perceptível.

O cartão físico ainda atende um público que prefere o plástico. Mas, para essa parcela crescente dos consumidores, a experiência ideal é pagar com celular, relógio, biometria – sem sequer notar o momento do pagamento.

“O objetivo é deixar o pagamento cada vez mais sem fricção”, diz. “Não adianta criar uma experiência incrível e, na hora de pagar, pedir CPF, senha e uma série de validações que quebram a jornada”, defende.

IA entra para reduzir fricção e aumentar segurança

Nesse cenário, a inteligência artificial aparece como uma verdadeira aliada, oferecendo suporte em duas pontas: conveniência e proteção. De um lado, ajuda a tornar o pagamento mais fluido. De outro, permite identificar comportamentos suspeitos em tempo real. “Os fraudadores também evoluem rapidamente”, adverte. “Não dá para falar de pagamento sem pensar em segurança”, diz Abreu.

Na Visa, a IA é aplicada em ferramentas voltadas à prevenção de fraude, eficiência operacional, consultoria para clientes e novas soluções de comércio digital. Segundo Abreu, a companhia tem mais de 200 ferramentas baseadas em inteligência artificial oferecidas a clientes.

Eduardo Abreu, vice-presidente de Desenvolvimento de Negócios da Visa

Um dos exemplos mais recentes é o comércio agêntico, um modelo em que agentes de inteligência artificial podem buscar produtos, comparar ofertas e iniciar pagamentos em nome do consumidor, dentro de parâmetros definidos por ele.

Em março de 2026, Banco do Brasil e Visa realizaram a primeira transação agêntica no Brasil usando o Visa Intelligent Commerce, plataforma que permite pagamentos iniciados por agentes de IA com tokenização, autenticação e controles de segurança em tempo real. Na prática, o consumidor poderia pedir a um agente para encontrar um presente de aniversário de casamento, com orçamento máximo definido, entrega em casa e pagamento com determinado cartão. O agente faria a busca, apresentaria opções e, com autorização, concluiria a compra.

“Hoje, você recebe links, entra na loja, preenche dados e paga. Esse pedaço tende a desaparecer”, afirma.

O curso que ajudou a falar de IA com propriedade

Apesar de trabalhar em uma das maiores empresas de pagamentos do mundo, Abreu decidiu voltar à sala de aula. Ele fez o PIACC, um programa de inteligência artificial para C-levels, Conselheiros e Acionistas da Saint Paul. A escolha, segundo ele, passou por três fatores: reputação da escola, foco prático e formato presencial.

“Hoje, não dá para sentar com um cliente executivo e dizer apenas que inteligência artificial é muito legal. É preciso entender o que ela faz e dar exemplos aplicados ao negócio”, conta.

Para ele, a IA não é uma iniciativa isolada de uma área, mas sim uma estratégia corporativa. E, quanto mais os profissionais usam as ferramentas, mais conseguem enxergar oportunidades concretas.

Aprender tecnologia exige testar

Essa visão vem de longe. Abreu diz que sempre aprendeu tecnologia colocando a mão na massa — foi assim com rádio amador, gadgets esportivos, blockchain, criptoativos e agora inteligência artificial.

Ao estudar cripto, por exemplo, chamou um especialista para passar um dia inteiro explicando o funcionamento de blockchain, carteiras digitais e liquidez. Operou, comprou, vendeu, errou e até perdeu dinheiro em golpes, mas saiu com repertório para falar do tema com propriedade. Com IA, a lógica é a mesma.

“Você tem que usar na prática para entender como trazer para suas necessidades”, diz. “A hora que você percebe o que ela pode fazer por você, é poderosíssimo”, comenta.

Para o menino que automatizava o próprio quarto antes mesmo de saber que isso poderia virar carreira, a tecnologia nunca foi apenas uma ferramenta. Hoje, na Visa, essa curiosidade ajuda a desenhar um futuro em que pagar pode ser tão natural quanto entrar, escolher e sair.

A trajetória de Eduardo Abreu mostra que dominar IA deixou de ser diferencial — virou requisito para liderar. Foi esse o movimento que o levou ao PIACC, da Saint Paul, para transformar conhecimento técnico em decisão estratégica. Em um mercado cada vez mais orientado por dados e automação, entender a aplicação prática da tecnologia é o que separa executores de líderes.

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