Ele largou carreira de M&A e hoje fatura vendendo artigos esportivos para financiar rede global
O sucesso em novos modelos de negócios não depende da permanência em estruturas corporativas rígidas, mas sim da habilidade de transformar ativos sociais em valor econômico sustentável.
Quem comprova essa tese é Jan van Hövell, fundador e CEO da KLABU, empresa social que constrói clubes esportivos em campos de refugiados. Por trás da expansão global, há uma estratégia audaciosa. Van Hövell abandonou um cargo altamente lucrativo na área de Fusões e Aquisições (M&A) de um dos principais escritórios de direito de Amsterdã e trabalhou como DJ profissional em casamentos e eventos corporativos para autofinanciar as operações iniciais de seu projeto.
Ele acredita que muitas organizações falham ao tratar crises humanitárias apenas sob a ótica da sobrevivência básica, ignorando o potencial de desenvolvimento das comunidades locais.
“As crianças nascem e crescem em campos de refugiados. Esses espaços se tornam seus novos lares, e eles precisam de mais do que apenas água e escola”, afirmou.
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Como ele começou?
Van Hövell teve o primeiro contato com a realidade dos refugiados aos 18 anos, durante um estágio na Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) em Gana.
Anos mais tarde, após acumular experiência em transações corporativas complexas no mercado europeu, ele utilizou sua visão de estruturação de negócios para fundar a KLABU em 2019. A organização desenvolveu um modelo escalável que transforma contêineres marítimos reaproveitados em clubes esportivos autossuficientes, equipados com painéis solares, Wi-Fi e bibliotecas de equipamentos compartilhados.
A operação já alcançou dez localidades globalmente — incluindo uma estrutura em Boa Vista, no Brasil, voltada ao acolhimento de refugiados indígenas venezuelanos.
Financiamento híbrido e decisões estratégicas
A trajetória da KLABU é marcada por decisões cirúrgicas no campo das finanças corporativas e do branding. Para reduzir a dependência de doações filantrópicas tradicionais, van Hövell estruturou uma vertical comercial de venda global de roupas esportivas exclusivas para cada clube.
Quando uma organização social adota uma estrutura de receita previsível e reinveste 50% dos lucros comerciais na própria operação, o negócio alcança autossuficiência e mitiga os riscos de volatilidade do mercado.
Essa estratégia de escala atraiu parceiros de peso do mercado corporativo e do esporte, incluindo a Fundação Adidas, o Paris Saint-Germain (PSG) e a empresa de tecnologia hospitalar Mews.
Em março de 2026, a KLABU lançou um programa de membros cotado a € 1 por mês por usuário — valor exato do custo operacional para garantir o acesso de um refugiado ao clube —, com a meta de superar os 400 mil sócios do Bayern de Munique e se tornar o maior clube esportivo do mundo em volume de membros.
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