Ele vendeu a moto para produzir açaí na cozinha de casa. Hoje fatura R$ 81 milhões

Por Bianca Camatta 26 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Ele vendeu a moto para produzir açaí na cozinha de casa. Hoje fatura R$ 81 milhões

Em 2024, o Brasil produziu cerca de 1,7 milhão de toneladas de açaí, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2017, Rodrigo Cardoso já enxergava o fruto como uma tendência e apostou em uma açaiteria, em Bacabal, no Maranhão que mais tarde recebeu o nome de Bengô Açaí.

Com o início do modelo de franquias, em 2023, a marca vendeu 30 unidades em seis meses, e criou um centro de distribuição com capacidade de produzir até 200 toneladas por mês.

Dois anos depois, o faturamento da empresa fechou em R$ 81,5 milhões.

Para este ano, a expectativa é alcançar R$ 146 milhões, com a abertura de 213 lojas, em especial nas regiões Sul e Sudeste.

Do CLT ao empreendedorismo

Com o objetivo de aumentar sua renda, Cardoso largou o emprego de carteira assinada como vendedor. O dinheiro da rescisão foi direcionado para abrir a sua própria empresa.

“Percebi o crescimento do mercado de açaí e apostei no modelo self-service que era novidade na época.”

Com um investimento inicial de cerca de R$ 95 mil, juntando rescisão, venda de moto e dinheiro emprestado de familiares, ele comprou duas máquinas e começou a bater e produzir o açaí na cozinha de casa.

Saiu de Araguaína, no Tocantins, para abrir a primeira loja na cidade de Bacabal, no Maranhão. Lá, ele encontrou um ponto que não precisaria de muitas mudanças estruturais e com aluguel acessível.

Durante seis meses, todos os processos – da limpeza ao atendimento – eram realizados por Rodrigo e pela esposa, Kamilla Cardoso. Depois deste tempo, formou uma equipe de quatro pessoas para a loja.

“O crescimento foi orgânico, guiado pelas sugestões dos clientes — desde o corte das frutas até as promoções que realmente funcionavam", afirma Cardoso.

Com o movimento na açaiteria e a fundação de uma pequena fábrica, em 2019, a família de Cardoso começou a entrar no negócio e foi aberta uma segunda unidade em São Luís (MA).

O desempenho da nova loja mostrou que o modelo era replicável fora do ponto de origem, o que abriu espaço para uma expansão regional. Nos anos seguintes, a marca chegou a cidades próximas, como Pedreiras, Pinheiro e Lago da Pedra — todas no Maranhão.

Com o crescimento da rede, a operação ainda era sustentada de forma manual e com recursos limitados.

“Até a quinta loja, eu não tinha caminhão, não tinha carro refrigerado. Produzia o açaí no fim de semana ou à noite e tirava três dias para transportar o produto no bagageiro do carro”, diz.

A partir dali, a expansão passou a exigir outro nível de estrutura. Foi nesse contexto que Cardoso decidiu investir na criação de uma fábrica e, posteriormente, em um centro de distribuição.

A empresa ganhava nome

Com muitos pedidos para a abertura da franquia, Cardoso começou a idealizar o formato em 2022.

Até o momento, a empresa não tinha uma marca. “Percebi que, se continuasse com uma marca genérica, o crescimento teria um limite, mesmo com várias lojas funcionando bem. Por isso, decidi criar uma marca própria e procurei uma agência para ajudar na criação do nome e logo.”

Contratou também um arquiteto para criar um espaço que se diferenciasse de outras marcas de açaí. “O resultado ficou instagramável, moderno e alegre.”

Começou a vender o modelo de negócio, em 2023, de forma informal, encontrando os potenciais franqueados dentro da própria loja. Em seis meses, ele já tinha vendido 30 lojas.

A rapidez assustou Cardoso, que percebeu que não tinha uma estrutura preparada para atender tantas lojas. Decidiu criar um centro de distribuição na cidade de Imperatriz (MA), segunda maior cidade do Maranhão que facilitaria a contratação de novos funcionários e aquisição de novos caminhões.

Foi lá que montou uma fábrica com escritório. “Temos maquinário e câmera fria com potencial de produzir cerca de 200 toneladas por mês, o que permite atender mais de 800 lojas”, afirma.

Hoje, com 140 lojas, entre unidades em operação e comercializadas, em 12 estados, a produção é de 35 toneladas de açaí por mês – com expectativa de processar 60 toneladas ainda em 2026.

Para abrir uma franquia da Bengô Açaí, o investimento começa a partir de R$ 300 mil, com prazo de retorno em até seis meses.

Crescimento e expansão

Para sustentar o próximo ciclo de expansão, a Bengô aposta em estratégias de marketing aliadas ao fortalecimento da experiência do cliente nas lojas.

Entre elas, está o ganho de visibilidade nas redes sociais, impulsionado pela participação no Rancho do Maia, projeto comandado por Carlinhos Maia, em 2025, que ajudou a ampliar o alcance da marca e a consolidar sua base de consumidores.

Já na abertura de novas unidades, o foco é nas regiões Sul e Sudeste, já com lojas a serem inauguradas nos estados do Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

“É um mercado mais favorável não só para a presença da marca, mas também para a venda de franquias, já que o poder aquisitivo da população é maior”, diz Cardoso.

Com isso, a expectativa é encerrar o ano de 2026 com faturamento de R$ 146 milhões e avançar rumo à marca de 300 lojas. Até o final de 2027, a rede tem como meta alcançar 500 unidades em funcionamento.

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