Eleição na Colômbia: país decide hoje se mantém esquerda no poder
Bogotá - Em 2022, a Colômbia elegeu seu primeiro governo de esquerda da história. Quatro anos depois, a disputa presidencial se tornou uma espécie de referendo sobre a continuidade das políticas de Gustavo Petro, que aumentou benefícios sociais, mas viu a insegurança disparar no país.
Um dos casos mais tristes da piora da segurança ocorreu na própria campanha. O senador Miguel Uribe, pré-candidato à presidência, foi baleado ao sair de um ato de campanha, em junho de 2025. Ele morreu após semanas no hospital.
Neste contexto de insegurança, ganhou força o nome de Abelardo de la Espriella, um advogado e empresário milionário, que estreia na política com uma campanha feita sob medida para atrair os cidadãos com medo da violência e raiva do governo. Ele criou um movimento, chamado Defensores de la Patria, passou a se identificar como tigre e promete mão dura para resolver os problemas do país. Ele tem apoio do senador brasileiro Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Nas últimas semanas de campanha, Espriella cresceu nas pesquisas e se descolou de Paloma Valencia, a candidata da direita tradicional, criticada por não ter encontrado o tom da campanha.
"Ela tentou ser direita dura e centro amável ao mesmo tempo. Ser firme sem assustar", diz Rubén Erazo, analista e presidente da Associação Colombiana de Consultores Políticos (Acopol).
Pela esquerda, o senador Ivan Cepeda disputa a eleição com a proposta de seguir o trabalho de Petro. Em 1994, seu pai, o deputado Manuel Cepeda, foi assassinado. Depois disso, ele se engajou na defesa dos direitos humanos e na busca por negociar a paz com os guerrilheiros e grupos criminais, estratégia que tem falhado nos últimos anos.
Formado em filosofia, Cepeda é criticado pela falta de carisma. Com fala calma e pausada, costuma ler seus discursos e interagir pouco com as multidões.
A campanha também foi marcada pela ausência de debates. Os principais candidatos não quiseram realizar encontros ao vivo e houve poucas entrevistas à imprensa.
Na Colômbia, as eleições para o Congresso são realizadas antecipadamente. Na votação, em março, o Pacto Histórico, de Petro e Cepeda, se consolidou como maior força do Congresso, com 25 assentos, de 102 vagas no total.
Os candidatos Ivan Cepeda (à esq.), Paloma Valencia e Abelardo de la Espriella, que disputam a Presidência da Colômbia (AFP)
O que dizem as pesquisas na Colômbia?
As principais pesquisas do país apontam Iván Cepeda, candidato do governo, na liderança no primeiro turno. Segundo a AtlasIntel, Cepeda tem 39% dos votos, Espriella 37% e Valencia, 14%. Para a Invamer, Cepeda tem 45%, Espriella 32% e Valência, 14%.
No segundo turno, há a expectativa de que os eleitores de Paloma votem em Espriella, o que aumenta suas chances de vitória.
"As limitações de Cepeda estão se tornando mais visíveis, e parece cada vez mais improvável que o impulso que Espriella criou vá se dissipar em 3 semanas", diz análise da consultoria Aurora Macro Strategies.
No entanto, as pesquisas foram feitas há uma semana, pois a lei eleitoral da Colômbia veta a divulgação delas nos sete dias antes da votação. Neste contexto, os principais candidatos dizem esperar vencer no primeiro turno, embora praticamente todos os analistas considerem este resultado improvável.
O segundo turno está marcado para 21 de junho. As pesquisas mostram um cenário apertado nesta etapa. Cepeda vencería, segundo o instituto Invamer, por 52% a 45%. Já Espriella vence na pesquisa da AtlasIntel, com 50% a 41%.
Para a segunda etapa, espera-se um duelo de rejeições. "O que gerar menos medo pode ganhar", diz o consultor político Andrés Carmona.
Que horas sai o resultado na Colômbia?
As urnas na Colômbia abrem às 8h (10h em Brasília) e fecham às 16h. Os primeiros resultados deverão ser conhecidos às 18h (20h em Brasília) e a definição deve acontecer ainda na noite de domingo.
A Colômbia vota em cédulas de papel, com as fotos dos candidatos. Cerca de 41 milhões de eleitores estão aptos a votar, e a participação não é obrigatória.
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: