Eleições em Portugal: país vota neste domingo após fortes tempestades
O ex-ministro e ex-líder socialista António José Seguro do Partido Socialista e André Ventura do partido de direita Chega disputarão a Presidência de Portugal em um raro segundo turno das eleições, o primeiro desde 1986 e o segundo desde que o país deixou de ser uma ditadura em 1976. O pleito é realizado neste domingo, 8.
O papel do presidente na política de Portugal, uma república parlamentarista, é altamente cerimonial em comparação ao poder do primeiro-ministro. Cabe ao presidente exercer a função de chefe de Estado, o que o torna responsável máximo pelas Forças Armadas, capaz de, por exemplo, mobilizar ou desmobilizar tropas. Do ponto de vista internacional, o presidente português recebe e realiza visitas de Estado.
As eleições finais estão marcadas para esse domingo, 8, mas correram risco de adiamento devido às fortes chuvas que atingem a Península Ibérica. A intensa Tempestade Leonardo já levou à retirada de mais de 7.000 pessoas e gerou duas mortes em Portugal e na Espanha.
Na cidade do Porto, o rio Douro transbordou na madrugada de sexta-feira, 6, inundando cafés e restaurantes. No sul do país, grandes partes da cidade de Alcácer do Sal, junto ao rio Sado, ficaram submersas pelo terceiro dia consecutivo.
Mas a autoridade eleitoral nacional declarou que a votação ocorreria conforme o previsto. “O estado de emergência, os alertas meteorológicos ou situações desfavoráveis, em geral não são, por si só, motivo suficiente para adiar a votação em uma cidade ou região”, afirmou.
O que dizem as pesquisas em Portugal?
O candidato socialista Seguro foi o vencedor do primeiro turno, no dia 18 de janeiro, com 31,1% dos votos, contrariando os prognósticos que previam a vitória de Ventura.
Durante sua campanha, o candidato de direita enfrentou controvérsias e alegações de racismo contra imigrantes do sul asiático, e uma juíza determinou que removesse pôsteres eleitorais considerados racistas.
As mais recentes pesquisas, conduzidas entre 29 de janeiro e 2 de fevereiro pela Universidade Católica Portuguesa, apontam que Seguro lidera com 67% das intenções de voto, contra 33% de Ventura.
Ao prometer moderação e independência de políticas partidárias, Seguro faz sua candidatura apelando à estabilidade do braço centrista do Partido Socialista: promete não ser um “primeiro-ministro nos bastidores”, preferindo ao invés disso dirigir seus esforços para a unificação da política fragmentada do país.
Ventura, por sua vez, busca capitalizar na inquietação e insatisfação do povo português, em pautas como imigração e corrupção, prometendo ser um “presidente intervencionista”.
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