Eles começaram com uma franquia de açaí em outro estado. Hoje, faturam R$ 17 milhões
O mercado de franquias no Brasil cresce puxado por modelos replicáveis e operação padronizada. Mas transformar uma unidade em um negócio escalável segue sendo o principal desafio.
Foi nesse cenário que o casal Charles Vacarin e Edna Vacarin decidiu sair de carreiras consolidadas para apostar em uma franquia de açaí. A fase empreendedora do casal começa em outro estado, longe de casa.
“Sempre pensamos: vamos trabalhar para a gente o quanto trabalhamos para os outros. Vai dar certo”, diz Charles.
Em pouco mais de dois anos, eles saíram de uma única unidade para uma operação com 20 lojas e faturamento de 17 milhões de reais. O plano para 2026 é chegar a 30 milhões apenas com as unidades atuais.
Hoje, o casal projeta entrar na capital gaúcha e abrir a primeira loja nos Estados Unidos, salto que exige estrutura e uma gestão muito diferente da fase inicial.
Do banco para o balcão
Antes de empreender, os dois tinham carreiras estáveis em Chapecó, Santa Catarina, onde moram até hoje. Charles era gerente de pessoa jurídica e Edna construiu uma trajetória no setor financeiro.
A decisão de empreender veio mais por desgaste do que por oportunidade clara.
Eles começaram a analisar franquias, mas esbarraram em modelos que não faziam sentido para o perfil deles. A virada veio quando conheceram a The Best Açaí por indicação.
“Era um negócio que fazia sentido, que estava crescendo rápido e que tinha valores muito próximos dos nossos”, afirma Edna.
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A primeira unidade foi aberta em fevereiro de 2023, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. O investimento inicial foi de cerca de 280.000 reais.
Mas a estratégia já começou diferente: eles não queriam apenas uma loja.
“Uma unidade não mudaria nossa vida. A gente precisava de escala”, diz Charles.
Mesmo com o plano de expansão, a franqueadora liberou apenas uma unidade no início.
Como eles estruturaram o crescimento com franquias
O casal decidiu testar o modelo e acelerar rapidamente. Menos de um mês depois da primeira abertura, já estavam assinando o contrato da segunda loja.
Em 2023, chegaram a cinco unidades. As duas primeiras unidades foram compradas com capital próprio, as demais com financiamento bancário.
Em 2024, avançaram para nove. No fim de 2025, atingiram 17 lojas e faturamento de 17 milhões de reais. Hoje, já operam 20 unidades no interior do Rio Grande do Sul.
O ponto de virada: sair da operação
Charles Vacarin e Edna Amarante, franqueados da The Best Açaí (divulgação/Divulgação)
O crescimento, porém, veio com pressão operacional intensa. No início, Edna chegou a passar 45 dias sem voltar para casa para tocar a operação.
O modelo começou a mudar quando o casal percebeu que não conseguiria crescer mantendo a lógica de operação direta.
A solução foi estruturar gestão. Eles passaram a formar gerentes e, depois, promover alguns para supervisores regionais, responsáveis por várias unidades.
“Hoje cada supervisor cuida de seis ou sete lojas. Isso permite que a gente não precise estar em todas ao mesmo tempo”, diz Edna.
Além disso, montaram um escritório em Chapecó, com equipe dedicada a financeiro, RH e marketing. A separação de funções também virou regra dentro da sociedade.
“Se a gente não separar bem, a gente perde três coisas ao mesmo tempo: o casamento, a sociedade e a família”, diz Charles.
Crescer sem tirar dinheiro
Outro ponto central da estratégia foi reinvestir tudo no negócio. O casal não retirou lucros relevantes nos primeiros anos. Pelo contrário: vendeu bens pessoais para financiar a expansão.
“A gente reinveste 100% do que ganha. Isso acelerou muito o crescimento”, diz Charles.
A meta agora é chegar a 40 lojas até o fim de 2027. Se conseguirem manter o ritmo, o negócio pode mais do que dobrar de tamanho nos próximos dois anos.
Mas o próprio fundador resume o dilema do setor.
“No inverno, eu acho que vou quebrar. No verão, acho que vou ficar bilionário”, afirma.
Os próximos passos: Porto Alegre e Estados Unidos
A escolha por cidades do interior não foi por acaso. Eles identificaram regiões com menos concorrência e potencial de crescimento.
Mas esse modelo tem limite. Com poucas cidades disponíveis, a expansão passou a depender de novas estratégias: comprar unidades em repassse e entrar em mercados maiores.
Agora, o foco está em Porto Alegre, onde pretendem abrir até 12 lojas.
“A gente entendeu que em cidade grande não adianta ter uma unidade. Tem que ter presença”, diz Charles.
Além da expansão no Brasil, o casal foi escolhido pela rede para liderar a entrada nos Estados Unidos. Eles já estão prospectando pontos em Miami. A operação, porém, é mais complexa.
“Aqui tudo leva meses. Licença, obra, aprovação. É um processo completamente diferente do Brasil”, afirma.
A expectativa é abrir a primeira unidade ainda em 2026.
Lições para quem quer empreender
A trajetória traz aprendizados claros, principalmente para quem olha franquias como renda passiva.
Entenda a operação
A primeira lição é entender profundamente a operação.
“Você precisa saber tudo. Do atendimento ao produto. Senão não consegue escalar”, diz Charles.
Tenha clareza
A segunda é ter clareza de objetivo.
“Tem gente que quer uma loja para ter renda. A gente queria crescer. Isso muda tudo”, afirma.
Organize suas finanças
A terceira, e mais crítica, é separar finanças.
“Muita empresa quebra porque mistura dinheiro pessoal com o da empresa”, diz.
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