Eles transformaram uma pizzaria abandonada em uma rede de R$ 53 milhões — e querem ir além

Por Guilherme Gonçalves 14 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Eles transformaram uma pizzaria abandonada em uma rede de R$ 53 milhões — e querem ir além

Há cinco anos, quando os empresários Daniel Lucco e Marcos Paulo encontraram uma pizzaria à venda em Higienópolis, bairro da região central de São Paulo, o cenário não parecia promissor. O dono não aparecia na loja havia mais de dois anos, a operação estava parada e o faturamento girava em torno de R$ 40 mil por mês. Mesmo assim, eles decidiram comprar o negócio por R$ 90 mil.

Depois de assinar o contrato, os sócios decidiram apostar em um conceito diferente do oferecido até então e focar nas pizzas napolitanas — um desafio e tanto, já que São Paulo destaca-se como um dos maiores mercados consumidores de pizza no mundo. A versão da receita criada em Nápoles, na Itália, é reconhecida como Patrimônio da Unesco, mas ainda era pouco conhecida pelos paulistanos.

Após uma profunda reforma com investimento de R$ 400 mil, o ponto no Higienópolis se transformou na primeira unidade da rede La Braciera. Hoje a empresa tem 11 restaurantes, vende cerca de 45 mil pizzas por mês e faturou R$ 53 milhões em 2025.

“Quando chegamos, a primeira coisa que fizemos foi uma limpeza geral. A pizzaria estava praticamente abandonada”, diz Daniel Lucco, um dos criadores da marca.

Uma história que começou antes da pizzaria

O ponto abrigava antiga pizzaria Prima Donna, que servia pizzas de massa fina e funcionava no mesmo endereço havia cerca de 18 anos. Apesar da localização privilegiada, a operação tinha pouco investimento em gestão e divulgação. Como pagamento, só aceitava dinheiro e cheque. Não estava presente em aplicativos de entrega, realizando delivery apenas via telefone.

Antes de assumir o espaço, Lucco já trabalhava no ramo da alimentação. Em 2015, fundou a Lucco Fit, startup que vendia refeições saudáveis congeladas pela internet. A empresa começou de forma improvisada, com produção na cozinha de sua casa. A demanda cresceu e o negócio passou a operar com uma estrutura maior.

Quatro anos depois, em 2019, a empresa foi vendida por cerca de R$ 11 milhões para uma multinacional. Depois da venda, Lucco permaneceu na empresa por um período de transição. Quando saiu, em 2021, decidiu voltar a empreender. Desta vez, em um setor que fazia parte da história da família.

“A minha família tinha pizzaria há mais de 40 anos. Eu cresci dentro de pizzaria, vendo como funcionava a operação”, afirma. Essa experiência ajudou a moldar o modelo de gestão que seria aplicado na nova empresa.

Outros dois sócios se juntaram ao projeto logo no início: Gustavo Brunello, que já havia trabalhado com Lucco na startup de marmitas, e Guilherme Paim.

Estratégias de crescimento

Uma das decisões mais importantes, segundo os fundadores, foi estruturar o negócio desde o início pensando em crescimento. Isso significava: organizar processos, padronizar receitas e criar uma estrutura que permitisse abrir novas unidades com rapidez.

Uma das primeiras iniciativas foi montar uma cozinha central em São Paulo. Parte da produção de massas e insumos passou a ser feita nesse espaço e distribuída para as lojas. O modelo ajuda a manter a padronização dos produtos e reduz a complexidade das operações. Graças a essa estrutura, a empresa conseguiu abrir quatro unidades já no primeiro ano de operação. Dos 11 restaurantes da rede, dez ficam na capital paulista e um em Campinas.

Lucco diz que aplicou no novo negócio parte dos aprendizados adquiridos no universo das startups. Um dos focos foi analisar de forma constante os canais de aquisição de clientes. A empresa passou a acompanhar quanto investia em cada tipo de divulgação e qual era o retorno gerado. A partir dessa análise, dois canais principais de marketing passaram a concentrar os investimentos da empresa.

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Outra decisão foi reinvestir praticamente todo o lucro nos primeiros anos. Durante cerca de um ano e meio, os sócios não retiraram recursos da empresa. O dinheiro foi usado para financiar a expansão das unidades.

“Em vez de buscar investimento externo logo no início, a gente decidiu reinvestir o lucro para crescer”, diz Lucco.

A empresa também criou uma estrutura interna voltada para gestão de pessoas. Um dos sócios passou a se dedicar especificamente à área de recursos humanos. Hoje, a rede conta com quase 200 funcionários.

Ambiente das casas

Além do produto, os fundadores decidiram investir na ambientação dos restaurantes. Cada unidade foi projetada para dialogar com o bairro onde está instalada. A loja de Campinas, por exemplo, tem um grande quintal voltado para a rua. Já a unidade de Higienópolis funciona em uma casa antiga, característica comum da região.

Apesar das diferenças entre os endereços, as unidades mantêm elementos visuais em comum, como forno a lenha aparente, bar à vista e cores da marca. Segundo os fundadores, a ideia é que o cliente reconheça o ambiente da rede independentemente da cidade ou do bairro.

O serviço funciona no modelo à la carte, com atendimento na mesa e também operação de delivery. O ticket médio nas unidades gira em torno de R$ 110 por pessoa. As unidades com salão costumam ter entre 10 e 18 funcionários, enquanto operações focadas em delivery operam com equipes menores, de quatro a cinco pessoas.

Planos de expansão

A expansão para Campinas marcou o primeiro passo da empresa fora da capital paulista. A unidade completou um ano de operação recentemente.

O plano é continuar crescendo dentro do estado de São Paulo antes de avançar para outras regiões do país. Entre as cidades analisadas para novas unidades estão Sorocaba, Jundiaí, Santo André e São José dos Campos.

A expectativa da empresa é chegar a 17 restaurantes até 2027.

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