Eli Lilly faz compra bilionária de empresa com potencial tratamento para Alzheimer
Após atingir a marca de primeira empresa de saúde trilionária em novembro do ano passado, a Eli Lilly não tem diminuído o ritmo. Com a popularidade da caneta emagrecedora Mounjaro e capital para investir, a farmacêutica americana se volta agora aos tratamentos neurológicos.
Nesta terça-feira, a companhia anunciou a compra da Centessa Pharmaceuticals por US$ 6,3 bilhões. A empresa desenvolve atualmente tratamentos para narcolepsia, uma doença que causa sonolência extrema e repentina, mas extremamente rara. Atualmente, a Centessa realiza estudos para que os tratamentos possam ser aplicados a outros transtornos neurológicos, sobretudo a Doença de Alzheimer.
Um dia antes de adquirir a Centessa, a Lilly havia anunciado um acordo de desenvolvimento de medicamentos com a InSilico, empresa especializada em uso de inteligência artificial para descoberta de novas moléculas. No início do ano, a farmacêutica já havia comprado uma empresa de terapias celulares e outra voltada ao tratamento de inflamações, segundo o New York Times.
O que é a Centessa Pharmaceuticals?
A Centessa é uma empresa farmacêutica de capital aberto, com ações negociadas na Nasdaq, sede em Boston e no Reino Unido.
Apesar dos estudos científicos que conduz, a empresa ainda não tem nenhum medicamento aprovado no mercado. Seu portfólio é inteiramente composto por candidatos em fase clínica ou pré-clínica, de acordo com os comunicados oficiais da empresa.
O principal ativo da Centessa é um conjunto de moléculas que atuam diretamente sobre o sistema neurobiológico responsável pelo ciclo sono-vigília.
Seu candidato mais avançado, o cleminorexton (anteriormente chamado de ORX750), demonstrou perfil promissor em estudos clínicos para narcolepsia tipo 1, narcolepsia tipo 2 e hipersonia idiopática, segundo comunicado da Eli Lilly.
O portfólio da empresa inclui ainda outros ativos com potencial aplicação em condições neurológicas, neurodegenerativas e neuropsiquiátricas mais amplas.
"Ao combinar a equipe e as capacidades da Centessa com as capacidades globais de pesquisa, clínica, regulatória e comercial da Lilly, buscaremos acelerar o avanço do nosso portfólio em uma ampla gama de indicações em neurociência", disse Mario Alberto Accardi, CEO da Centessa.
A transação deverá ser concluída no terceiro trimestre de 2026, segundo o comunicado da Eli Lilly.
Investidores relevantes já se comprometeram com a operação: entidades afiliadas à Medicxi Ventures, à Index Ventures e à General Atlantic assinaram acordos de apoio, representando aproximadamente 24,1% das ações ordinárias em circulação da Centessa.
Eli Lilly e o Alzheimer
O interesse da Lilly na saúde neurológica não começa com essa aquisição.
A farmacêutica já tem no mercado o medicamento injetável Kisunla (donanemab), voltado a adultos com Alzheimer sintomático em estágio inicial. O tratamento já foi aprovado pelo FDA em julho de 2024 e pela Anvisa em abril de 2025. Nos EUA, o Kisunla tem preço tabelado anual de cerca de US$ 32.000 e registrou vendas de US$ 9,3 milhões em 2024.
O caminho regulatório do Kisunla, no entanto, não tem sido uniforme. Em março de 2025, o regulador europeu de medicamentos (CHMP) rejeitou o pedido de aprovação do medicamento na União Europeia, sob o argumento de que a capacidade do tratamento de retardar o declínio cognitivo não era suficiente para superar os riscos de edema cerebral grave. A Lilly anunciou que buscaria a reanálise da decisão.
A aposta na Centessa, portanto, amplia a presença da Lilly no campo neurodegenerativo por outra via.
Enquanto o Kisunla atua sobre as placas de amiloide características do Alzheimer, os agonistas OX2R da Centessa atuam de maneira mais ampla sobre o sistema de regulação do sono e da vigília. Esse mecanismo que pode ser relevante para tratar a sonolência excessiva que acompanha o Alzheimer e outras condições neurodegenerativas.
A primeira empresa trilionária da saúde
O capital que viabiliza essa sequência de aquisições vem, em grande parte, do sucesso da linha de medicamentos para obesidade e diabetes da Lilly. O Mounjaro, aprovado para diabetes tipo 2, e o Zepbound, versão do mesmo princípio ativo para obesidade, transformaram a empresa em uma das mais valiosas do mundo.
No fim de 2025, a Lilly se tornou a primeira empresa do setor de saúde a atingir o valor de mercado de US$ 1 trilhão.
Fundada em 1876 pelo químico farmacêutico e veterano da Guerra Civil Americana Eli Lilly, a companhia tem sido uma líder no tratamento de doenças como o diabetes. Em 1923, a Eli Lilly lançou a primeira insulina comercial do mundo.
A empresa fez sua estreia na Bolsa de Valores de Nova York em 1952, e por décadas, manteve-se relevante no mercado com produtos como insulinas, o antidepressivo Prozac e a vacina contra a poliomielite.
Em 2022, a Eli Lilly deu um passo importante com a aprovação da tirzepatida, conhecida como Mounjaro, para o tratamento do diabetes. O medicamento competiu diretamente com o Ozempic, da Novo Nordisk, que já dominava o mercado de tratamentos para diabetes.
O Mounjaro se destaca por atuar de maneira inovadora no corpo, imitando dois hormônios produzidos pelo intestino, o GLP-1 e o GIP, ambos envolvidos na regulação do apetite e do metabolismo de açúcares e gorduras. Já o Ozempic e o Wegovy, também da Novo Nordisk, atuam apenas no GLP-1.
Em seu primeiro ano completo no mercado, o Mounjaro alcançou status de "blockbuster", gerando mais de US$ 1 bilhão em vendas. Em 2023, a Eli Lilly obteve aprovação para usar a tirzepatida também como tratamento para obesidade, comercializada sob o nome de Zepbound, competindo diretamente com o Wegovy.
Em 2024, o Mounjaro alcançou US$ 11,54 bilhões em vendas, enquanto o Zepbound gerou US$ 4,93 bilhões, consolidando a Eli Lilly como uma das principais potências no mercado de medicamentos para perda de peso.
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