Em meio à crise da carne, EUA perdem 15 mil fazendas e 1 milhão de hectares

Por César H. S. Rezende 21 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Em meio à crise da carne, EUA perdem 15 mil fazendas e 1 milhão de hectares

Em meio à crise da carne bovina e às tarifas impostas pelo presidente Donald Trump, os Estados Unidos registraram nova retração no número de propriedades rurais em 2025, segundo o Farms and Land in Farms 2025 Summary, levantamento do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).

Segundo o relatório, o país encerrou o ano com 1,865 milhão de fazendas — 15 mil a menos que em 2024.

Ao mesmo tempo, a área total destinada à atividade agrícola caiu para 353,7 milhões de hectares, uma redução de 1,02 milhão de hectares na comparação anual.

Apesar da diminuição no total de propriedades e na área agrícola, o tamanho médio das fazendas aumentou para 190 hectares, ante 189 hectares no ano anterior, indicando avanço da concentração fundiária.

A retração no número de fazendas atingiu praticamente todas as faixas de faturamento, com exceção das propriedades que registram vendas anuais de US$ 1 milhão ou mais. O levantamento do USDA mostra que esse grupo foi o único a crescer tanto em número quanto em área total operada.

As fazendas com faturamento superior a US$ 500 mil passaram a responder por 50,1% de toda a área agrícola dos Estados Unidos em 2025. Já as propriedades com vendas acima de US$ 1 milhão ampliaram sua base territorial em 344 mil hectares no período.

Embora a concentração de terras avance entre grandes produtores, a estrutura do campo americano ainda é majoritariamente composta por pequenas propriedades em termos de receita.

Segundo o USDA, 48% das fazendas registraram menos de US$ 10 mil em vendas em 2025, enquanto 78,8% faturaram abaixo de US$ 100 mil no ano.

O contraste revela uma estrutura dual: a maioria das propriedades está nas faixas de menor faturamento, mas a maior parte da terra permanece sob controle das fazendas de maior porte.

A série histórica apresentada no relatório mostra que, desde 2018, o número de fazendas vem diminuindo de forma consistente, enquanto o tamanho médio das propriedades cresce ano após ano.

Crise do campo

Ainda que o levantamento do USDA não aponte as causas para a diminuição de 15 mil fazendas nos EUA em 2025, o recuo ocorre em meio a um clima de pessimismo entre os agricultores americanos.

No ano passado, inclusive, os pedidos de falência no agronegócio dos Estados Unidos cresceram 46% na comparação com 2024, segundo a American Farm Bureau Federation (AFBF), uma das principais entidades do setor no país.

Segundo a AFBF, os tribunais dos EUA registraram 315 solicitações de falência no período. No país, os processos são fundamentados no Capítulo 12 da legislação americana, criado exclusivamente para produtores rurais e pescadores familiares.

As perspectivas para 2026 também não são otimistas. O USDA estima que a dívida agrícola total aumentará 5,2%, alcançando o recorde de US$ 624,7 bilhões no próximo ano — o que reforça a necessidade de apoio financeiro aos produtores nas condições atuais.

Pesquisa do Federal Reserve (Fed) mostra que os empréstimos agrícolas cresceram 40% no último trimestre de 2025.

Além disso, o valor médio desses financiamentos foi 30% superior ao do ano anterior, indicando que os produtores estão recorrendo a volumes maiores de crédito para cobrir custos operacionais, segundo o banco central americano.

O sentimento no campo também piorou. De acordo com levantamento da Universidade Purdue em parceria com o CME Group, a proporção de agricultores que esperam enfrentar dificuldades financeiras neste ano subiu de 47%, em dezembro, para 59%, em janeiro.

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