Embaixador do Irã agradece posição do governo brasileiro e diz que Teerã manterá ataques
O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, afirmou nesta segunda‑feira que Teerã agradece o posicionamento do governo brasileiro, que condenou a ofensiva inicial dos Estados Unidos e de Israel contra o território iraniano. Segundo ele, a manifestação de Brasília reforça a defesa da soberania e da integridade territorial.
“Recebemos a declaração do governo Lula e agradecemos a condenação do ato de agressão. Vemos essa ação como algo valoroso, que dá atenção aos valores do ser humano, à soberania, à integridade territorial e à independência dos governos”, disse o diplomata.
Nekounam afirmou que o Irã já decidiu prosseguir com respostas militares e que não há limites para as retaliações enquanto persistirem os ataques. “Entramos nessa guerra por estarmos firmes e por ser nosso direito. Fomos atacados e estamos nos defendendo. Não há limitação sobre nossas respostas conforme os ataques dos EUA e do regime sionista. Se formos atacados, responderemos de forma firme”, declarou.
Segundo o embaixador, as ações iranianas só serão interrompidas caso haja recuo por parte das forças americanas e israelenses. “Até que quem nos atacou recue, continuaremos nossos atos de defesa”, afirmou.
Ele classificou como “ataque criminoso” o bombardeio que, segundo ele, matou mais de 170 meninas em uma escola, e disse que o episódio tornou inevitável uma resposta de grande escala.
Negociações nucleares paralisadas
Nekounam afirmou que a retomada das negociações sobre o acordo nuclear, prevista para ocorrer em Viena, foi suspensa após os novos ataques. Ele acusou os Estados Unidos de usar as conversas como “farsa” e de buscar uma mudança de regime no Irã. Segundo o diplomata, Teerã já havia respondido às questões apresentadas pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) antes da escalada militar.
Relações com o Brasil e impactos econômicos
O embaixador disse esperar que o conflito não afete o comércio com o Brasil, incluindo a exportação de insumos agrícolas. Ele também afirmou que não há relatos de brasileiros entre as vítimas e que a embaixada mantém diálogo constante com o Itamaraty.
Nekounam reforçou que os ataques iranianos são direcionados a “bases militares dos EUA e centros do regime sionista”, e não a países vizinhos. O posicionamento ocorre após queixas regionais sobre o risco de expansão do conflito. “Quando uma base militar é usada para atacar nosso país, será atacada e terá respostas. As relações com os países vizinhos estão mantidas, mas esses países precisam pressionar os donos dessas bases militares a desativá‑las”, afirmou.
O embaixador disse ainda que o fechamento do Estreito de Ormuz não surpreendeu Teerã. Segundo ele, a liderança iraniana já havia alertado que qualquer ofensiva poderia desencadear uma crise regional. Para Nekounam, o bloqueio é consequência direta da decisão dos Estados Unidos e de Israel de iniciar os ataques.
O que aconteceu
O conflito começou no sábado, quando Estados Unidos e Israel lançaram uma série de bombardeios contra alvos estratégicos no Irã, alegando ameaça do programa nuclear iraniano. A ofensiva provocou um choque político imediato: o líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei, morreu após ser atingido, fato confirmado pela TV estatal. Também morreram o chefe do Estado‑Maior, Abdolrahim Mousavi, e o ministro da Defesa, Aziz Nasirzadeh.
Em resposta, o Irã lançou mísseis e drones contra Israel e outros pontos da região, ampliando o conflito para além do território nacional. A troca de ataques elevou o número de vítimas e levou ao fechamento do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais sensíveis do mundo, intensificando a preocupação internacional.
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