‘Empreender é lidar com incerteza todos os dias’, diz fundador do Grupo CI
Mais de 4,9 milhões de brasileiros vivem hoje no exterior, segundo dados do Itamaraty, um movimento impulsionado por trabalho, estudo e pela busca por uma carreira cada vez mais global. Nesse cenário, empresas que conectam brasileiros ao mundo ganharam relevância e passaram a ocupar um papel estratégico na formação profissional.
É o caso do Grupo CI, um negócio brasileiro focado em educação internacional. Fundada no fim dos anos 1980, a empresa atua na intermediação de experiências no exterior, que vão desde cursos de idioma até programas acadêmicos, viagens pedagógicas e vivências culturais, acompanhando diferentes fases da vida do estudante, da escola ao mercado de trabalho.
“Empreender é lidar com incerteza todos os dias, não existe rotina”, afirma Celso Garcia, CEO do Grupo CI, em entrevista exclusiva ao podcast “De frente com CEO”, da EXAME.
A frase resume uma trajetória construída ao longo de quase quatro décadas à frente de um negócio que nasceu em uma loja com 3 funcionários e hoje fatura R$ 600 milhões levando brasileiros para outros países.
Veja a entrevista completa do Celso Garcia, CEO do Grupo CI, no podcast "De frente com CEO", da EXAME:
Uma escolha fora do esperado
A história do Grupo CI começa com uma decisão que rompeu expectativas familiares. Filho de produtores rurais no Rio Grande do Sul, Garcia cresceu em um ambiente onde o caminho natural seria seguir no agronegócio. Mas, ainda jovem, percebeu que seu perfil era outro.
“Eu acabei vendo que era muito mais uma pessoa de negócios do que uma pessoa de engenharia”, afirma.
O interesse por viagens e pelo exterior abriu uma nova possibilidade. Nos anos 1980, quando o intercâmbio ainda era pouco explorado no Brasil, ele identificou uma oportunidade e decidiu apostar no setor.
A decisão exigiu risco, e autonomia. Sem apoio financeiro da família para uma viagem ao Japão que poderia abrir portas no mercado, vendeu o próprio carro para viabilizar o plano.
“Quando você vislumbra uma oportunidade, não pode esperar que alguém ajude. Você tem que ir lá e fazer”, diz.
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O maior desafio: a pandemia
Se o início foi marcado por risco, o maior teste veio décadas depois. Com a pandemia, o negócio, diretamente ligado a viagens internacionais, foi impactado de forma imediata.
“A pandemia foi o maior desafio que já tivemos”, afirma.
Naquele momento, a empresa tinha 2 mil estudantes fora do Brasil e precisou agir rapidamente para organizar repatriações e dar suporte às famílias. Ao mesmo tempo, enfrentava um cenário de paralisação das operações.
“Nós chegamos a fretar voos para trazer estudantes de volta ao Brasil. Era uma pressão enorme dos pais, querendo os filhos em casa”, diz.
A resposta, segundo Garcia, foi ir na direção oposta da retração. “Enquanto muitas empresas se recolheram, a gente se adaptou e continuou investindo”, diz.
O período foi usado para acelerar a digitalização, rever processos e tornar a operação mais eficiente. Quando o mercado retomou, a empresa já estava mais preparada, e voltou a crescera apostando em inovação.
“Entramos no segmento de viagens de formatura há 13 anos e depois criamos outras empresas dentro do grupo”, diz o CEO. “Foi em 2023 que nós formalizamos a criação do grupo.”
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Olhar global, com estratégia
Ao longo da trajetória, Garcia visitou mais de 60 países e defende que a experiência internacional é fundamental para quem quer empreender.
“Se você vai para tecnologia, os Estados Unidos ainda são uma referência importante. Mas a China está crescendo muito e pode mudar esse cenário”, afirma.
Ele também destaca países menos óbvios, mas estratégicos para quem busca novas perspectivas.
“Eu recomendo conhecer Estados Unidos, China, Finlândia e Estônia. Cada um deles tem um modelo diferente de inovação e desenvolvimento”, diz.
No caso da Finlândia, ele chama atenção para a combinação entre oportunidade e exigência.
“Eles precisam de profissionais, mas querem pessoas dispostas a aprender o idioma e se adaptar à cultura”, afirma.
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Crescimento em um cenário desafiador
Hoje, o Grupo CI conta com cerca de 80 lojas no Brasil e presença internacional, com unidades em países como Canadá, Irlanda e Austrália. A empresa já levou brasileiros a mais de 60 destinos ao redor do mundo.
Mesmo diante de um cenário macroeconômico incerto, com eleições, conflitos globais e oscilações no mercado, Garcia mantém uma visão otimista.
“Nós estamos em um segmento que ainda é novo e tem muita demanda. A nossa expectativa é crescer cerca de 25%”, afirma.
Para ele, o Brasil continua sendo um ambiente desafiador, mas cheio de oportunidades.
“O Brasil é difícil, mas em qualquer área que você olhar, dá para melhorar”, diz.
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