Emprego nos EUA, juros na Inglaterra, petróleo e EUA-Irã: o que move os mercados

Por Clara Assunção 18 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Emprego nos EUA, juros na Inglaterra, petróleo e EUA-Irã: o que move os mercados

Os investidores iniciam esta quinta-feira, 18, digerindo uma superquarta carregada de decisões de política monetária. Depois de um dia marcado pela cautela nos mercados globais, o foco agora se volta para os desdobramentos das decisões do Federal Reserve (Fed) e do Comitê de Política Monetária (Copom), além de uma agenda econômica que traz novos sinais sobre a atividade e a inflação nas principais economias do mundo.

A sessão anterior terminou com uma mudança brusca de humor nos mercados. O Ibovespa chegou a subir mais de 1% ao longo do dia, mas perdeu força após a decisão do Fed e encerrou em queda de 0,70%, aos 168.453 pontos. O dólar avançou 0,42%, para R$ 5,108.

Em Nova York, os principais índices também fecharam no vermelho depois que o Banco Central dos Estados Unidos reforçou uma postura mais dura no combate à inflação e de busca da estabilidade dos preços.

Após o fechamento do mercado brasileiro, veio a decisão do Copom. Como esperado por parte dos analistas, o Banco Central reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano. A decisão passa agora a ser incorporada aos preços dos ativos nesta quinta, especialmente em setores mais sensíveis aos juros.

Mercado avalia mensagem do Fed

O principal tema do dia continua sendo a interpretação da decisão do Fed. Embora a autoridade monetária tenha mantido os juros entre 3,50% e 3,75% ao ano, o chamado "dot plot" mostrou que metade dos integrantes do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) ainda projeta novas altas de juros nos próximos meses.

A leitura predominante entre investidores foi de que o novo presidente do Fed, Kevin Warsh, manteve um discurso firme no combate à inflação. O resultado foi uma alta dos rendimentos dos títulos americanos e uma correção nas bolsas globais.

Com isso, os indicadores americanos ganham importância ainda maior nesta quinta-feira. Às 9h30, serão divulgados os pedidos iniciais de seguro-desemprego nos Estados Unidos.

Na semana anterior, foram registrados 229 mil pedidos. O dado é acompanhado de perto porque ajuda a medir o nível de aquecimento do mercado de trabalho, uma das principais variáveis observadas pelo Fed em suas decisões de juros.

Mais tarde, às 14h, o Tesouro americano realiza um leilão de títulos protegidos contra a inflação (TIPS) de cinco anos, evento que pode oferecer pistas sobre as expectativas dos investidores para a trajetória dos preços nos próximos anos.

O que acompanhar na Europa e na Ásia

Na Europa, o destaque fica para a decisão de política monetária do Banco da Inglaterra (BoE), prevista para as 8h. A autoridade monetária manteve os juros em 3,75% na última reunião e o mercado estará atento a qualquer sinalização sobre o início de um ciclo mais intenso de cortes de juros.

Antes disso, às 3h, o Reino Unido divulga sua taxa de desemprego referente a abril, outro indicador importante para avaliar o ritmo da economia britânica.

Já durante a noite, os investidores acompanharão os dados de inflação do Japão referentes a maio. Serão divulgados tanto o índice cheio quanto o núcleo do índice de preços ao consumidor.

Os números ganham relevância em um momento em que o Banco do Japão tenta calibrar sua política monetária após anos de estímulos extraordinários. Qualquer surpresa nos dados pode influenciar os mercados asiáticos e ajudar a moldar o sentimento dos investidores para a abertura de sexta-feira.

Agenda no Brasil

No Brasil, a agenda de indicadores é mais esvaziada. O destaque fica para o leilão de NTN-F e LTN promovido pelo Tesouro Nacional às 11h30, que servirá como termômetro para a demanda dos investidores por títulos públicos após a decisão do Copom.

Além disso, o mercado acompanha compromissos públicos do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em Brasília. Embora os eventos ocorram sob as regras de silêncio do Copom e não devam trazer comentários sobre política monetária, qualquer sinal sobre atividade econômica, crédito ou estabilidade financeira tende a ser monitorado pelos investidores.

Pela manhã, Galípolo participa da abertura do Seminário sobre Sistema de Informações de Créditos (SCR) - Judicialização X Estabilidade Econômica, promovido pela Revista Justiça e Cidadania, em Brasília, e também XXVI Seminário Ética na Gestão: Ética Pública na Era Digital, promovido pela Comissão de Ética Pública (CEP) da Presidência da República.

Petróleo e geopolítica seguem no foco

Outro tema que continua no radar é o Oriente Médio. O petróleo voltou a subir na quarta após interromper uma sequência recente de quedas. Os investidores aguardam a possível assinatura de um acordo entre Estados Unidos e Irã, inicialmente prevista para sexta-feira, mas que pode ocorrer antes.

Ao mesmo tempo, declarações do presidente americano Donald Trump voltaram a elevar o nível de incerteza ao mencionar a possibilidade de ações contra o Irã em caso de descumprimento dos termos do acordo.

"A guerra acabou mas não chegou ao fim", afirmou Marcela Kawati, economista-chefe da Lifetime Investimentos em live à EXAME nesta quinta.

"Trump falou algumas coisas que mostram o quão frágil é o acordo fechado no final de semana. Isso para os mercados é muito ruim. Só teremos solidez após a assinatura do acordo com o detalhamento desses termos. E ainda o Fed diz que pode subir juros. Os mercados pensam que poder ter um ambiente inflacionário maior e de muito incerteza com relação à própria guerra e com o Banco Central conservador. Isso acaba destruindo essa euforia que tínhamos no começo da semana", disse.

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