Empresa de RH levanta US$ 66 mi para conectar trabalhadores ‘sem mesa’ no mundo todo
A Humand, plataforma global de recursos humanos, acaba de levantar uma rodada Series A de US$ 66 milhões.
A empresa foi fundada pelos argentinos Nicolás Benenzon e Gerónimo Maspero e mira um problema específico: como engajar os colaboradores operacionais — os chamados deskless workers, que trabalham em fábricas, lojas, hospitais ou em constante deslocamento e raramente estão diante de um computador.
Segundo a companhia, esses profissionais representam mais de 80% da força de trabalho global, mas ainda ficam à margem dos canais tradicionais de comunicação interna.
A rodada foi liderada pela Kaszek, na América Latina, e pela Goodwater Capital, nos Estados Unidos, com participação da Y Combinator e de nomes como Arash Ferdowsi (cofundador da Dropbox), Sebastián Mejía (cofundador da Rappi), Rajat Suri (ligado à Lyft), Guillermo Rauch (fundador da Vercel) e Marcos Galperín, fundador do Mercado Livre, que acompanha a trajetória da empresa desde o começo.
Hoje, a Humand diz atender mais de 1,6 milhão de pessoas em mais de 1.500 empresas de 51 países — casos como Swiss Medical, Farmacity, River Plate e Lemon estão na base de clientes.
A plataforma funciona como um app de comunicação interna, engajamento e conteúdos de RH para quem está no chão de fábrica ou na ponta do varejo, com recursos de feed, mensagens, campanhas e ferramentas para reforçar cultura e alinhamento.
A empresa afirma que sua ferramenta de inteligência artificial, a Sammy AI, deverá evoluir para entender todo o conhecimento histórico de cada cliente, independentemente da data ou do formato em que a informação foi criada.
De projeto universitário à operação global
A história da Humand começou na universidade, quando Benenzon e Maspero se destacaram em competições de tecnologia e hackathons.
Em 2019, foram procurados pelo chief HR officer da ArcelorMittal Acindar, que propôs o desenvolvimento de uma ferramenta de comunicação interna para funcionários de plantas industriais.
A ferramenta foi adotada rapidamente e ganhou tração na pandemia, ao se tornar um canal para manter milhares de colaboradores conectados em meio a turnos presenciais e restrições de circulação.
Esse caso de uso levou à criação formal da empresa em 2021. No mesmo ano, os fundadores decidiram se mudar para o México e, em cerca de seis meses, conquistaram 30 novos clientes no país, abrindo caminho para a expansão global.
Entre 2022 e 2023, a Humand captou duas rodadas — pre-seed e seed — de US$ 2,5 milhões cada, antes de chegar aos atuais US$ 66 milhões. Hoje, o time soma mais de 420 colaboradores distribuídos em 20 países.
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