Empresa de SC cresce 400% em mercado de crédito que soma R$ 741 bilhões
À medida que o crédito estruturado ganha espaço como alternativa ao sistema bancário, empresas de tecnologia começam a ocupar um papel central nessa transformação. É nesse movimento que a catarinense Vertrau Tecnologia aposta para escalar sua operação.
Com faturamento de R$ 1,5 milhão em 2025 e projeção de alcançar R$ 8,1 milhões em 2026, a empresa projeta crescimento superior a 400% no próximo ano. Fundada em Blumenau, a empresa atua como infraestrutura tecnológica para operações com recebíveis e busca conectar empresas da economia real ao mercado de capitais com mais eficiência.
O movimento ocorre em meio à expansão acelerada dos fundos estruturados no Brasil. Segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA), o patrimônio líquido da indústria de FIDCs atingiu cerca de R$ 741,1 bilhões em 2025, crescimento de 22,5% em 12 meses.
Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), em termos simples, são veículos que compram “direitos de recebimento” de empresas — ou seja, valores que essas empresas têm a receber no futuro. Na prática, funcionam como uma alternativa de financiamento fora do sistema bancário tradicional.
Um exemplo ajuda a ilustrar: uma empresa que vende a prazo e tem R$ 1 milhão a receber nos próximos meses pode antecipar esse valor ao vender esses recebíveis para um FIDC. O fundo paga à empresa à vista, com desconto, e depois passa a receber esses valores diretamente dos clientes.
Para capturar essa demanda, a Vertrau Tecnologia abriu uma base em São Paulo, aproximando-se de gestoras, investidores e demais agentes do mercado.
A estratégia também inclui expansão para o Nordeste, com o objetivo de se posicionar como infraestrutura digital do setor. “Nosso papel é simplificar uma engrenagem ainda muito fragmentada e permitir que mais empresas acessem o mercado de capitais com eficiência”, afirma Walter Fritzke, sócio-fundador.
Gargalo histórico
A proposta da companhia é atacar um gargalo histórico do setor. A estruturação de um FIDC empresarial pode levar até nove meses, com múltiplos agentes e processos manuais. Com a plataforma da empresa, esse prazo pode cair para cerca de 45 dias, a partir da integração direta com sistemas de gestão (ERPs) e da automação de etapas operacionais. “Grande parte do trabalho é eliminar ruídos e reduzir dependência de processos manuais que ainda travam o mercado”, diz Walter Fritzke.
Fundada em 2024 por Walter Fritzke e Dionathan Henchel, com a entrada de Israel Malheiros e Bruno Warmling, a empresa nasceu a partir de uma lacuna identificada ao longo da atuação dos sócios em finanças estruturadas.
Desde 2015, Fritzke acompanhou de perto a evolução dos fundos estruturados no Brasil e passou a estruturar operações com FIDCs e outros veículos financeiros, período em que identificou a defasagem tecnológica dos sistemas utilizados no ecossistema.
Para transformar essa demanda em tecnologia, convidou Henchel, então Mobile Banking Manager na AILOS, para estruturar a operação do zero.
Hoje, a Vertrau Tecnologia já está integrada a mais de 65% das administradoras de FIDCs e aos principais bancos de investimento que operam com esse tipo de fundo. A plataforma reúne soluções de estruturação, gestão de fundos empresariais, integração com ERPs e automação de garantias vinculadas a recebíveis — um conjunto que busca dar escala e padronização a um mercado ainda marcado por baixa digitalização.
A previsão de fechar 2026 com uma receita cinco vezes maior em comparação ao ano passado é baseada principalmente na expansão do crédito estruturado e pela demanda por eficiência no mercado financeiro.
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