Empresa quer ajudar profissionais CLT a empreender sem largar o emprego
Muita gente com carteira assinada passa o dia no trabalho e, à noite, rascunha um negócio no celular. A ideia existe, mas quase sempre trava na primeira pergunta: por onde começar.
É nesse ponto que entra a Mauna, empresa que estreia neste dia 25 de fevereiro com uma proposta voltada a profissionais com emprego fixo, como CLT, que querem tirar um negócio do zero.
A Mauna nasce agora, segundo seus fundadores, porque eles veem um buraco entre cursos, comunidades e o passo a passo de abrir uma empresa. “O Brasil tem um pool de talento muito grande e com vontade de empreender, mas nenhum produto ou solução hoje que ajude essas pessoas a fazer essa transição entre o mercado e o empreendedorismo”, afirma Eduardo Camargo, cofundador da Mauna.
“O objetivo da Mauna é ser um ‘personal trainer’ de quem quer ter um negócio mas não sabe muito bem por onde começar”, afirma Camargo.
A aposta, diz ele, é que a pessoa não precise largar o emprego de uma vez. “A ideia é fazer essa transição com método, com etapas, enquanto a pessoa ainda está no trabalho”, afirma.
Quem são os fundadores
A Mauna foi criada por Eduardo Camargo e Rodrigo Maroja. Camargo já trabalhou com análise de investimento em venture capital na DGF Investimentos.
Depois, passou por funções em fintech e pagamentos. Entre as experiências, foi líder da área de pagamentos da Juntos Somos Mais, ecossistema de soluções para o varejo da construção civil.
Além disso, atuou no GV Angels, onde avaliava oportunidades de investimento em fintechs, e segue como investidor-anjo e advisor.
Rodrigo Maroja é cofundador da Daki, startup de delivery ultrarrápido de supermercado que virou unicórnio.
Engenheiro elétrico formado pela UnB, ele passou por consultorias e depois entrou em operação de diversas empresas de tecnologia.
Além disso, Maroja atua com mentoria e advisory de startups, com foco em captação e escala.
O que a Mauna vai vender
O produto principal se chama Start Empreendedor. É um programa de 6 meses, seguido de mais 6 meses de mentoria. A estrutura, segundo Camargo, mistura encontros semanais online e imersões presenciais.
O programa não exige que o aluno chegue com uma ideia pronta. “Eu até prefiro quem não tem ideia, porque entra mais aberto ao processo”, afirma Camargo.
Ele diz que a trilha começa com ideação e segue para validação, protótipo e modelo de negócio.
A base do método, segundo ele, vem de customer discovery, descoberta do cliente, uma prática de entrevistas e testes para checar se existe um problema real antes de construir um produto.
“O foco é sair para falar com cliente, testar hipótese e desvalidar hipótese quando precisar”, afirma.
Camargo diz que a Mauna tenta unir duas coisas que ele vê separadas no mercado: conteúdo com método e convivência com gente que está no mesmo momento.
“Tem produto que é só conteúdo e não tem comunidade. Tem produto que é só conexão e o conteúdo é fraco”, afirma.
Quanto custa e como a Mauna ganha dinheiro
O Start Empreendedor custa 30.000 reais. Camargo diz que o valor faz parte do filtro de comprometimento e também cobre a estrutura do programa.
“Tem que machucar um pouco no bolso, senão a pessoa não entra de verdade”, afirma.
Para além da receita com o programa, Camargo diz que a Mauna quer montar um fundo para investir nas empresas que saírem dali.
Ele cita uma estruturação com investidores ligados ao GV Angels. “A gente está estruturando um fundo para aportar nas empresas que nascerem do programa”, afirma.
O nome Mauna e a ideia de “trabalho submerso”
Camargo diz que o nome vem da Mauna Kea, no Havaí. A referência, segundo ele, é que a maior parte da montanha fica abaixo do nível do mar.
“Para a gente, empreendedorismo real acontece embaixo d’água. É a parte que não aparece”, afirma.
Ele usa essa imagem para explicar o tipo de conversa que espera dentro do programa, com espaço para dúvidas e erros. “A gente quer preparar a pessoa para o que dá trabalho, não para a parte que vira palco”, afirma.
Planos para os próximos meses
O lançamento oficial está marcado para 25 de fevereiro. A primeira meta, segundo Camargo, é fechar a primeira turma e executar o ciclo completo, com a etapa final voltada a apresentação para investidores.
“O programa termina com um pitch day com fundo de investimento real”, afirma.
Ele diz que a Mauna quer ser um caminho repetível para quem está no emprego e quer montar empresa sem romper a vida de uma vez.
“A ideia é que, no meio do caminho, a pessoa já esteja validando, emitindo nota fiscal e ganhando clareza para decidir”, afirma.
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