Empresários veem eleição aberta após caso Dark Horse e cobram foco na economia
O desgaste do senador Flávio Bolsonaro (PL) após o caso Dark Horse e o áudio e conversas com Daniel Vorcaro aumentou a incerteza sobre a corrida presidencial de 2026, mas empresários avaliam que a eleição está longe de estar definida e demonstram preocupação com a ausência de debate econômico na pré-campanha.
Empresários com atuação em diferentes regiões do país, ouvidos pela EXAME sob reserva, avaliam que as primeiras pesquisas após a crise da oposição mostram desgaste relevante para Flávio, mas ainda insuficiente para definir que a eleição está ganha para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Eles afirmam que o desgaste da figura de Lula pode favorecer o senador mesmo em um cenário adverso.
A avaliação predominante é que o episódio afeta a imagem do senador, sobretudo entre eleitores moderados, mas que novos fatos políticos ainda devem alterar o ambiente eleitoral nos próximos meses.
Os empresários afirmam ainda que o caso precisa ser investigado e esclarecido. Na visão desse grupo, o eleitor demonstra fadiga diante de novos episódios ligados à corrupção e tende a reagir negativamente a denúncias envolvendo figuras centrais da polarização política.
Apesar disso, a percepção no setor privado é que a eleição corre o risco de se transformar novamente em uma disputa baseada em rejeição, ataques e desgaste pessoal entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Em uma visão mais geral, executivos afirmam que o caso Master como um todo, representa uma crise de credibilidade do mercado financeiro. A maioria afirmou que é preciso "tirar o band aid de uma vez", em relação a uma possível delação que revele todos os envolvidos no caso.
Ausência de debate sobre economia
Segundo relatos, há desconforto crescente no empresariado com a ausência de discussões sobre temas considerados centrais para o ambiente econômico, como ajuste fiscal, imprescindível a partir de 2027, redução do gasto público, segurança jurídica e diminuição do custo Brasil.
O principal ponto de preocupação envolve a trajetória dos juros. Empresários afirmam que a falta de sinalização clara sobre responsabilidade fiscal dificulta o trabalho do Banco Central no processo de redução da taxa básica.
Com juros elevados, o setor privado afirma que fica "impossível" investir no Brasil e coloca em risco novos projetos.
A visão é que o debate deveria priorizar propostas para melhorar a educação, elevar a produtividade e ampliar a competitividade da economia brasileira, em vez de aprofundar a polarização política.
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