Energia cara deve levar inflação dos EUA a 4,2% em 2026, prevê OCDE
A inflação nos Estados Unidos deve subir para 4,2% em 2026, puxada principalmente pela alta nos preços de energia causada pelo conflito no Oriente Médio. A projeção é da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e foi divulgada pelo Financial Times.
Essa estimativa coloca os EUA com a maior inflação entre os países do G7 e mostra como o cenário global mudou após a escalada militar envolvendo Irã, Israel e os próprios EUA.
A OCDE prevê uma alta em relação aos 2,6% registrados em 2025, refletindo o aumento nos preços do petróleo e do gás natural desde o início do conflito.
Com custos mais altos, empresas devem tender a repassar aumentos ao longo da cadeia produtiva, o que acabaria chegando ao consumidor final.
Os efeitos também atingem a indústria. Isso acontece porque países do Golfo têm papel importante na produção de insumos essenciais, como fertilizantes, enxofre e gases industriais.
Fontes ouvidas pelo FT apontam que o Oriente Médio responde por 34% das exportações globais de ureia e por cerca de metade das vendas de enxofre. Esse cenário aumenta o risco de alta de preços em alimentos e produtos industriais.
Crescimento deve desacelerar
A inflação mais alta vem acompanhada de perspectivas mais fracas para a economia, em meio às incertezas sobre a duração e a intensidade do conflito.
A OCDE estima que o Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA deve crescer 2% em 2026 e desacelerar para 1,7% em 2027, refletindo a perda de poder de compra das famílias e o aumento dos custos para as empresas.
A instituição alerta que esse cenário pode piorar caso haja interrupções mais fortes no fornecimento de energia em meio à guerra no Irã.
No mundo, a expectativa também é de desaceleração. O crescimento global deve passar de 3,3% no ano passado para 2,9% em 2026, com leve recuperação no ano seguinte.
Já a inflação média dos países do G20 foi revisada para 4% em 2026, um aumento de 1,2 ponto percentual (p.p.), indicando que a pressão nos preços é generalizada.
Diferença em relação ao Fed
As projeções da OCDE são mais altas do que as do Federal Reserve (Fed), o banco central estadunidense, que trabalha com inflação próxima de 2,7% ao fim de 2026.
Mesmo com o cenário mais incerto, integrantes do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) ainda esperam cortes de juros ao longo do ano, conforme fontes consultadas pelo FT.
A diferença nas estimativas se explica, em parte, pela visão mais cautelosa da OCDE, que projeta um impacto mais duradouro da alta da energia e considera efeitos acumulados de tarifas comerciais anteriores.
Além disso, a organização avalia que o mercado de trabalho segue aquecido, o que pode manter a inflação pressionada.
Cenário de risco
Em um cenário mais negativo, com o petróleo chegando a US$ 135 por barril no segundo trimestre, a inflação global pode subir quase 1 p.p. a mais.
Ao mesmo tempo, o crescimento econômico mundial pode cair cerca de 0,5 ponto percentual.
A OCDE avalia que medidas de apoio devem ser direcionadas principalmente às famílias mais vulneráveis e às empresas com condições de continuar operando, para reduzir o impacto da alta da energia.
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