Enigma espacial que durou 50 anos é resolvido por missão japonesa

Por Vanessa Loiola 27 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Enigma espacial que durou 50 anos é resolvido por missão japonesa

Um mistério astronômico que intrigava cientistas há quase meio século foi finalmente resolvido com a ajuda do telescópio espacial japonês XRISM.

Pesquisadores da Universidade de Liège, na Bélgica, identificaram a origem das emissões incomuns de raios X da estrela γ Cassiopeia, conhecida como γ Cas, localizada na constelação de Cassiopeia.

Publicada na revista científica Astronomy & Astrophysics, a descoberta mostra que a radiação não é gerada pela própria estrela, como se acreditava, mas por uma anã branca magnética que orbita o sistema.

O resultado encerra décadas de debate científico e abre novas perspectivas sobre a evolução de sistemas estelares.

O enigma da estrela γ Cassiopeia

Desde a década de 1970, a γ Cassiopeia chamava atenção por emitir raios X muito mais intensos do que outras estrelas semelhantes.

Além da intensidade elevada, os cientistas observaram plasma com temperaturas superiores a 100 milhões de graus e variações rápidas, um comportamento difícil de explicar com os modelos tradicionais.

Em comunicado, a astrônoma Yaël Nazé, professora da Universidade de Liège, na Bélgica, e coautora do estudo, destacou que diferentes hipóteses haviam sido propostas ao longo dos anos, incluindo interações magnéticas na própria estrela ou a presença de um objeto companheiro capaz de gerar essa radiação.

Como o telescópio japonês resolveu o caso

A resposta veio com o XRISM, que utilizou um instrumento de alta precisão para analisar o espectro dos raios X.

Os dados mostraram que o plasma quente muda de velocidade ao longo do tempo, acompanhando o movimento orbital de uma estrela companheira — e não da estrela principal.

Segundo os pesquisadores, essa evidência confirma que a emissão de raios X está ligada a uma anã branca compacta, responsável pelo fenômeno observado.

Nova classe de sistemas binários

Com base nos resultados, os cientistas propõem um modelo em que a estrela do tipo Be ejeta material, parte do qual é capturado pela anã branca.

Esse material forma um disco ao redor da companheira, enquanto o campo magnético canaliza a matéria para seus polos, onde ocorre a emissão de raios X.

A descoberta confirma a existência de uma classe de sistemas binários que, até então, era apenas prevista teoricamente.

Impacto para a astronomia

Os resultados também indicam que esses sistemas podem representar cerca de 10% das estrelas do tipo Be, contrariando previsões anteriores.

A equipe destaca que essa diferença pode exigir uma revisão dos modelos de evolução binária, sobretudo no que diz respeito à transferência de massa entre estrelas.

Além disso, compreender esses sistemas é considerado essencial para avançar em estudos sobre fenômenos extremos, como a formação de ondas gravitacionais.

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