Enigma espacial que durou 50 anos é resolvido por missão japonesa
Um mistério astronômico que intrigava cientistas há quase meio século foi finalmente resolvido com a ajuda do telescópio espacial japonês XRISM.
Pesquisadores da Universidade de Liège, na Bélgica, identificaram a origem das emissões incomuns de raios X da estrela γ Cassiopeia, conhecida como γ Cas, localizada na constelação de Cassiopeia.
Publicada na revista científica Astronomy & Astrophysics, a descoberta mostra que a radiação não é gerada pela própria estrela, como se acreditava, mas por uma anã branca magnética que orbita o sistema.
O resultado encerra décadas de debate científico e abre novas perspectivas sobre a evolução de sistemas estelares.
O enigma da estrela γ Cassiopeia
Desde a década de 1970, a γ Cassiopeia chamava atenção por emitir raios X muito mais intensos do que outras estrelas semelhantes.
Além da intensidade elevada, os cientistas observaram plasma com temperaturas superiores a 100 milhões de graus e variações rápidas, um comportamento difícil de explicar com os modelos tradicionais.
Em comunicado, a astrônoma Yaël Nazé, professora da Universidade de Liège, na Bélgica, e coautora do estudo, destacou que diferentes hipóteses haviam sido propostas ao longo dos anos, incluindo interações magnéticas na própria estrela ou a presença de um objeto companheiro capaz de gerar essa radiação.
Como o telescópio japonês resolveu o caso
A resposta veio com o XRISM, que utilizou um instrumento de alta precisão para analisar o espectro dos raios X.
Os dados mostraram que o plasma quente muda de velocidade ao longo do tempo, acompanhando o movimento orbital de uma estrela companheira — e não da estrela principal.
Segundo os pesquisadores, essa evidência confirma que a emissão de raios X está ligada a uma anã branca compacta, responsável pelo fenômeno observado.
Nova classe de sistemas binários
Com base nos resultados, os cientistas propõem um modelo em que a estrela do tipo Be ejeta material, parte do qual é capturado pela anã branca.
Esse material forma um disco ao redor da companheira, enquanto o campo magnético canaliza a matéria para seus polos, onde ocorre a emissão de raios X.
A descoberta confirma a existência de uma classe de sistemas binários que, até então, era apenas prevista teoricamente.
Impacto para a astronomia
Os resultados também indicam que esses sistemas podem representar cerca de 10% das estrelas do tipo Be, contrariando previsões anteriores.
A equipe destaca que essa diferença pode exigir uma revisão dos modelos de evolução binária, sobretudo no que diz respeito à transferência de massa entre estrelas.
Além disso, compreender esses sistemas é considerado essencial para avançar em estudos sobre fenômenos extremos, como a formação de ondas gravitacionais.
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