Entenda como a Inteligência artificial pode ser uma ameaça ambiental

Por Denise Gabrielle 19 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Entenda como a Inteligência artificial pode ser uma ameaça ambiental

A inteligência artificial está cada vez mais presente na rotina de empresas e consumidores. Ela ajuda a criar textos, analisar dados, gerar imagens e automatizar processos que antes dependiam exclusivamente do trabalho humano.

Mas por trás dessa revolução tecnológica existe uma infraestrutura física gigantesca, cuja expansão tem levantado preocupações entre pesquisadores, ambientalistas e organismos internacionais.

Embora a IA seja frequentemente apontada como uma aliada na luta contra as mudanças climáticas e na gestão de recursos naturais, seu crescimento acelerado também traz impactos ambientais relevantes.

As informações foram retiradas de estudos e análises do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

O problema começa nos data centers

Toda vez que um usuário faz uma pergunta para um chatbot ou utiliza uma ferramenta de IA, o processamento acontece em enormes centros de dados espalhados pelo mundo.

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Essas estruturas abrigam milhares de servidores responsáveis por armazenar informações e executar os modelos de inteligência artificial. O desafio é que a construção desses centros exige uma quantidade significativa de recursos naturais.

Segundo o PNUMA, a fabricação dos equipamentos eletrônicos utilizados nessa infraestrutura demanda grandes volumes de matérias-primas.

Para produzir um computador de apenas dois quilos, por exemplo, podem ser necessários cerca de 800 quilos de materiais extraídos da natureza.

Além disso, os microchips utilizados pelos sistemas de IA dependem de minerais críticos e elementos de terras raras, cuja extração costuma estar associada a impactos ambientais significativos, como degradação do solo, contaminação da água e destruição de ecossistemas.

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O crescimento do lixo eletrônico

Outro desafio é o volume de resíduos gerados por essa infraestrutura.

Os servidores e componentes utilizados em data centers possuem vida útil limitada e precisam ser substituídos periodicamente para acompanhar a evolução tecnológica. Como resultado, cresce também a produção de lixo eletrônico.

Esse tipo de resíduo frequentemente contém substâncias potencialmente perigosas, incluindo chumbo, mercúrio e outros materiais que exigem descarte especializado.

Quando o processo não é realizado corretamente, há risco de contaminação do solo e dos recursos hídricos.

O problema tende a ganhar escala. Impulsionado pelo avanço da IA, o número de data centers no mundo saltou de aproximadamente 500 mil em 2012 para cerca de 8 milhões atualmente, segundo dados citados pelo PNUMA.

Água e energia em quantidades cada vez maiores

A operação dos data centers também exige grandes volumes de água. Ela é utilizada durante a construção das instalações e, principalmente, para resfriar equipamentos que funcionam continuamente.

Estimativas citadas pelo PNUMA indicam que a infraestrutura ligada à inteligência artificial poderá consumir, em breve, um volume de água seis vezes superior ao utilizado por toda a Dinamarca, país com cerca de 6 milhões de habitantes.

A demanda por energia é outro ponto de preocupação. Os sistemas de IA dependem de processamento intenso e, consequentemente, de eletricidade.

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Em muitos países, essa energia ainda é produzida a partir da queima de combustíveis fósseis, contribuindo para a emissão de gases de efeito estufa.

Segundo a Agência Internacional de Energia, uma solicitação feita ao ChatGPT pode consumir até dez vezes mais eletricidade do que uma pesquisa tradicional na internet.

O que está sendo feito

A preocupação com os impactos ambientais da IA já chegou aos governos e organismos internacionais.

Mais de 190 países aprovaram recomendações relacionadas ao uso ético da inteligência artificial, incluindo questões ambientais.

União Europeia e Estados Unidos também vêm discutindo normas para aumentar a transparência e reduzir os impactos da tecnologia.

Entre as medidas sugeridas pelo PNUMA estão a criação de padrões para medir a pegada ambiental da IA, a obrigatoriedade de divulgação dos impactos ambientais de produtos baseados na tecnologia e o incentivo à construção de data centers mais sustentáveis.

As recomendações também incluem o uso de energia renovável, a reciclagem de água utilizada nos sistemas de resfriamento e o reaproveitamento de componentes eletrônicos.

À medida que a IA se torna parte da infraestrutura digital global, a discussão deixa de ser apenas tecnológica e passa a envolver uma questão central para o futuro: como expandir a inovação sem ampliar a pressão sobre os recursos naturais do planeta.

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