Entenda o caso de corrupção que envolve chefe de gabinete de Milei

Por Matheus Gonçalves 2 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Entenda o caso de corrupção que envolve chefe de gabinete de Milei

Na última quarta-feira, 29, o chefe de gabinete do governo argentino Manuel Adorni negou, nesta quarta-feira, 29, ter cometido "qualquer crime" ao comparecer ao Congresso, onde apresentou seu balanço de gestão, acompanhado pelo presidente da Argentina, Javier Milei, um sinal de respaldo em meio a suspeitas de corrupção decorrentes do aumento de seu patrimônio.

Em particular, viagens caras feitas por Adorni e sua família, bem como imóveis luxuosos recentemente adquiridos pelo argentino, levantaram suspeitas de enriquecimento ilícito. A oposição aproveita a oportunidade, pronta para submeter Adorni, conhecido localmente como "o domador de jornalistas" por suas respostas curtas e ásperas à imprensa, a um julgamento intenso e minucioso.

Em meio às controvérsias, Adorni se tornou uma das autoridades mais impopulares do país, com 7 em 10 argentinos desaprovando o chefe do gabinete. Ao mesmo tempo, torna-se um problema para Javier Milei, cuja popularidade caiu 12% nesse mês, em parte como consequência de ter mantido Adorni em seu posto mesmo em meio aos escândalos.

Mas Milei deixou claro que não sacrificará um de seus aliados mais próximos e uma das poucas que têm a confiança da "Chefe", como o presidente chama sua irmã, Karina Milei. Eles demonstraram isso novamente nesta quarta-feira: ambos estavam presentes no Congresso quando Adorni apresentou seu relatório de gestão, e se defendeu das alegações.

“Não cometi nenhum crime e vou provar isso na Justiça”, disse Adorni ao plenário, enquanto Milei e parte de seu gabinete o aplaudiam das galerias, em uma presença presidencial incomum no Congresso.

Entenda a crise

Adorni está há quase dois meses no centro de um escândalo devido a revelações sobre a compra de imóveis em operações com agiotas que omitiu e que estão sendo investigadas pela Justiça. Ele também é investigado por viagens familiares suntuosas e gastos que não condizem com seu patrimônio desde que assumiu seu cargo, em dezembro de 2023.

O presidente vem defendendo-o abertamente: “Os corruptos são vocês, são vocês”, respondeu aos jornalistas que o abordaram quando entrou no Congresso e lhe perguntaram por que continuava apoiando Adorni.

O governo de Milei, que proclamou “fazer da moral uma política de Estado”, foi abalado por vários escândalos de suspeitas de corrupção, desde desvios de fundos e ocultação patrimonial de vários membros do governo até uma suposta fraude milionária envolvendo a criptomoeda Libra, que respinga no próprio presidente.

Nesta semana, o próprio chefe da agência arrecadadora de impostos ficou sob suspeita por suposta omissão de bens no exterior. E o ministro da Economia demitiu seu secretário de coordenação após a descoberta de que ele não havia declarado ao fisco sete apartamentos em Miami.

Nesse contexto, a habitual audiência do chefe de gabinete no Congresso transformou-se em uma espécie de interrogatório com mais de 4.000 perguntas. “Como explica que recebe em pesos e gasta em dólares muito mais do que seus rendimentos?”, perguntou-lhe a deputada de esquerda Myriam Bregman, por exemplo.

Adorni, de 46 anos, considerou todas as acusações “tendenciosas e falsas”.

Cortes orçamentários

Adorni disse, ainda, que a política de austeridade e equilíbrio fiscal “é inegociável” e anunciou que os cortes orçamentários continuarão em todos os ministérios. “Eliminamos nove ministérios, 100 secretarias, 25 organismos... Hoje há 65 mil funcionários a menos no Estado. A economia anual supera 2,5 bilhões de dólares” (R$ 12,49 bilhões, na cotação atual), disse.

Adorni admitiu que o aumento sustentado da inflação nos últimos meses é um dado negativo, mas atribuiu isso a “uma turbulência gerada pelo kirchnerismo, por empresários devedores e por alguns meios de comunicação”, mais do que a fragilidades do plano econômico.

Nos arredores do Congresso, o governo montou uma forte operação de segurança, enquanto um grupo de aposentados realizava seu protesto habitual de todas as quartas-feiras por melhorias em seus benefícios e repudiou o chefe de gabinete.

“Estou aqui porque o povo não aguenta mais; há uma crise que nunca vivi na minha vida”, disse à AFP a aposentada Ana Martínez, de 76 anos. “Adorni é um ladrão e não tem vergonha, utiliza o dinheiro do povo para viajar, é um delinquente.”

O caso coincide com sinais adversos: a atividade econômica caiu 2,1% em 12 meses até fevereiro e a confiança no governo recuou pelo quarto mês consecutivo, segundo a Universidade Di Tella.

Com informações da AFP

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