Erdogan reforça a importância da presença de Trump na cúpula da Otan em julho
O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, afirmou nesta quarta-feira, 10, que a participação do presidente americano, Donald Trump, na cúpula da Otan em Ancara, marcada para julho, é um passo relevante para a solidez da aliança.
"O anúncio de que o presidente Trump participará da cúpula pessoalmente é um passo significativo em termos de estabilidade da aliança", disse Erdogan a deputados de seu partido, o AKP, conforme a AFP.
A declaração reflete um momento de aproximação incomum entre a Turquia e a Otan, após anos de tensões que chegaram a colocar em dúvida o alinhamento turco ao bloco militar.
Uma relação desafiadora
A relação da Turquia com a Otan nunca foi de adesão irrestrita. Mesmo durante a Guerra Fria, quando o país integrava firmemente o bloco ocidental contra a União Soviética, o apoio popular à aliança era limitado.
O ponto mais baixo recente ocorreu em 2016, quando Erdogan acusou governos da Otan de serem lentos para condenar a tentativa de golpe contra ele e chegou a afirmar que o Ocidente "apoiava o terror e estava ao lado dos golpistas". Seu ministro do Interior chegou a apontar os Estados Unidos como responsáveis pela conspiração.
A desconfiança turca se aprofundou ao longo dos anos seguintes. Em 2022, Erdogan adiou por um ano a adesão da Suécia e da Finlândia à aliança, episódio que ainda é controverso entre governos europeus.
A Turquia também manteve relações próximas com a Rússia, devido à dependência de energia, de tecnologia nuclear e do turismo russo. Ancara comprou o sistema de defesa antiaéreo russo S-400 em 2019, o que levou os EUA a suspender a entrega dos caças F-35 que o governo turco havia encomendado uma década antes, de acordo com a The Economist.
Por que a Turquia voltou a valorizar a aliança
Dois conflitos mudaram o cálculo de Erdogan. A guerra da Rússia na Ucrânia e o conflito americano com o Irã tornaram concretos os benefícios da presença da Otan na região.
Em março, defesas aéreas da aliança abateram quatro mísseis balísticos iranianos com destino à Turquia. O país abriga duas bases da Otan e uma estação de radar, e a presença da aliança deve crescer no território turco.
A Alemanha planeja implantar um novo sistema de defesa antiaéreo Patriot, com 150 soldados, no sul da Turquia no fim de junho. A Otan também está criando um novo quartel-general multinacional na região.
A relação com os EUA também melhorou. Trump decidiu retirar tropas americanas da Síria, onde atuavam ao lado de combatentes curdos que a Turquia considera terroristas , eliminando uma das principais fontes de atrito. O embaixador americano também insinuou que a Turquia pode finalmente receber os F-35 encomendados, o que Erdogan recebeu com entusiasmo.
Em março, pesquisa da Metropoll mostrou que 61% dos turcos consideram a Otan importante para a segurança nacional, número mais alto do que em anos anteriores, embora ainda inferior à média dos países membros.
Um ativo estratégico que para a Europa
O peso da Turquia dentro da aliança é objetivo. Com exceção da Ucrânia, nenhum país europeu tem um exército tão grande e com tanta experiência de combate quanto o turco. O controle do Bósforo e dos Dardanelos, somado a uma marinha capaz, dá à Turquia o poder de conter a Rússia no Mar Negro.
A indústria de defesa turca também vem se tornando fornecedora relevante para as Forças Armadas europeias. Nos últimos meses, a fabricante de drones Baykar assinou contratos com França, Itália, Espanha e Estônia.
A empresa já havia vendido drones armados para Albânia, Croácia, Polônia e Romênia. No fim de 2025, a Turquia fechou um acordo para vender 30 jatos de treinamento à força aérea espanhola por US$ 3 bilhões, segundo a The Economist.
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: