Escala 6x1: redução de jornada vai gerar demissões, diz presidente da Abimaq

Por Rafael Balago 23 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Escala 6x1: redução de jornada vai gerar demissões, diz presidente da Abimaq

Hanover* - A redução da jornada de trabalho, debatida em meio ao projeto de fim da escala 6x1, afetaria a produtividade do país e geraria demissões após sua implantação, avalia José Veloso, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas (Abimaq).

Na noite de quarta-feira, 22, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara deu parecer favorável à tramitação da proposta de emenda à Constituição que prevê o fim da jornada 6x1 (seis dias de trabalho e 1 de descanso).

O texto segue para uma comissão especial, que definirá os passos da mudança, como a mudança de carga horária de trabalho e eventuais compensações. Depois disso, haverá votação em Plenário.

"O Brasil já tem produtividade baixa. Vai piorar o que é ruim. Eu não discuto 6 por 1. Eu concordo que uma pessoa que fica horas no transporte para ir, para voltar e que é mal remunerada e que ela queira ficar mais tempo com a família. Isso é totalmente do jogo e da política. Não vou discutir isso. Agora, o que eu discuto é a redução de jornada", disse Veloso, em conversa com a EXAME, durante a feira Hannover Messe, na Alemanha.

"Eu discuto a jornada porque vai aumentar custo, vai diminuir produtividade, e com isso diminui a nossa competitividade e vai precarizar emprego. Os produtos vão ficar mais caros e o funcionário vai ganhar menos. Alguém perguntou para a pessoa de baixa renda se ele topa pagar mais caro e ganhar menos? Porque esse negócio de você falar 'ah, eu vou colocar na lei que reduz a jornada e não pode reduzir o salário' é balela. Tem turnover", diz, em referência à troca de funcionários das empresas, seja por demissões ou pedidos de saída por parte dos empregados.

"A indústria, o comércio, todo mundo faz turnover. Quando você pega um município onde tem um sindicato forte e ele aumenta o salário constantemente acima da inflação, ou seja, aumento de produtividade que eles colocam no salário sem ter tido a produtividade, o que essa empresa faz? Turnover", afirma.

Comparação com domésticas

Veloso também comparou a situação à do trabalho doméstico, que passou a ter maior regularização na década passada.

"Vamos pegar o caso do eSocial. Não tenho nada contra você registrar sua empregada doméstica, e a gente era a favor disso lá na reforma. Só que eles deixaram muito caro, colocaram muitos encargos para empregar uma empregada doméstica. O que aconteceu? Quem tinha uma empregada doméstica tem duas diaristas, que não têm registro nenhum. Antes tinha registro", afirma.

Veloso diz que o setor industrial já é adepto da escala 5x2, com jornada de 44 horas semanais, e que um aumento da produtividade também depende do total de máquinas e de automação de cada país.

"O Brasil hoje tem 10 robôs a cada 10 mil trabalhadores. A média do mundo é 169 robôs a cada 10 mil. 169 a cada 10 mil. Nós temos 10. A Alemanha tem 470. Os Estados Unidos têm 470. A China, 430 robôs a cada 10 mil trabalhadores. E a Coreia, 1.050. Nós temos 10", afirma.

Fim do modelo mensal

Veloso defende, ainda, que o Brasil adote a possibilidade de trabalho por dia ou semana, em vez do modelo mensal em vigor atualmente.

"Nos Estados Unidos, é semanal. Aqui na Europa, você tem a opção se é horista ou mensalista. O que eu acho legal para um país que nem o Brasil, é tirar as 40 horas semanais, ou 44, e fazer remuneração horária", diz.

"Aí, eu tenho uma farmácia, por exemplo, que no sábado, no domingo, ela abre às 2 horas da tarde, no shopping. Eu contrato um cara que trabalha das duas às oito. Aí, vai ser livre negociação, é livre mercado", afirma.

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