ESG Summit 2026: como a sustentabilidade entra na conta da perenidade dos negócios

Por Caroline Marino 29 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
ESG Summit 2026: como a sustentabilidade entra na conta da perenidade dos negócios

Ao investir R$ 250 milhões em energia renovável, reduzir em 50% o volume de plástico utilizado em embalagens e apoiar o plantio de mais de 1,2 milhão de árvores, a Ypê busca integrar sustentabilidade e desempenho econômico em uma mesma estratégia.

A visão foi destacada por Waldir Beira Junior, presidente da companhia, durante o ESG Summit 2026, realizado na quarta-feira, 28, pela EXAME em São Paulo. Ao discutir os desafios de construir negócios longevos, defendeu que iniciativas ESG só ganham escala e permanecem quando também geram eficiência operacional, redução de custos ou novas oportunidades de crescimento.

Enquanto completa 75 anos de história e mantém presença em 96% dos lares brasileiros, Beira Junior afirmou que a transparência e a segurança do consumidor têm orientado todas as decisões da organização. Segundo ele, a capacidade de atravessar momentos de turbulência sem perder relevância está diretamente ligada à preservação da cultura e dos valores organizacionais.

Em uma trajetória marcada por transformações tecnológicas, mudanças nos hábitos de consumo e novos desafios regulatórios, alguns pilares precisam permanecer inalterados. Para explicar essa visão, recorreu à metáfora da própria árvore que dá nome à corporação. As raízes representam os valores; o tronco, o propósito; e a copa, aquilo que entrega à sociedade. "A árvore muda conforme a estação, mas as raízes e o tronco permanecem os mesmos", afirmou.

Raízes que permanecem

É justamente essa combinação entre adaptação e consistência que permite a um negócio atravessar diferentes ciclos econômicos e mudanças de mercado sem perder sua identidade.

Fundada em 1950 pelo pai e pelo avô do executivo, a Ypê começou produzindo sabão em barra de forma quase artesanal. Um dos marcos de sua trajetória ocorreu na década de 1960, quando a organização trouxe para o Brasil uma tecnologia desenvolvida na Itália que transformou o processo de fabricação do produto, elevando a qualidade e a durabilidade. Nas décadas seguintes, expandiu a atuação para categorias como detergentes líquidos e amaciantes, acompanhando a evolução do mercado de limpeza e as mudanças no comportamento dos consumidores.

Hoje, reúne 23 categorias e cerca de 450 SKUs. Para Beira Junior, o crescimento ao longo de sete décadas foi impulsionado por uma proposta relativamente simples: oferecer itens de qualidade a preços competitivos.

Se a cultura e o propósito funcionam como elementos de continuidade, a sustentabilidade representa uma das principais frentes de transformação da companhia. Embora a agenda ESG tenha ganhado protagonismo apenas nos últimos anos, o executivo afirma que práticas relacionadas ao tema fazem parte da história da marca. “Meu pai era um amante da natureza e já adotava práticas como captação de água da chuva e tratamento de efluentes décadas antes de conceitos como ESG se tornarem parte da estratégia corporativa.”

Mais do que uma questão reputacional, porém, práticas de ESG passaram a ser incorporadas às decisões de negócio. Na visão de Beira Junior, iniciativas ambientais só conseguem gerar impacto duradouro quando também fazem sentido do ponto de vista econômico.

Agenda ambiental com retorno financeiro

Um dos investimentos destacados na apresentação foi o aporte de R$ 250 milhões em energia renovável. Atualmente, 70% da eletricidade consumida pela empresa é proveniente de parques solares e eólicos desenvolvidos em parceria com outros agentes. O restante é compensado, permitindo que a operação seja abastecida integralmente por fontes renováveis.

O mesmo raciocínio orienta mudanças nos produtos. Há cerca de 15 anos, a embalagem de detergente líquido pesava cerca de 23 gramas, hoje o mesmo frasco tem menos de 11 gramas. Isso significa 50 milhões de toneladas de plástico que deixou de levar para o mercado. “Quando você coloca a variável sustentabilidade no processo decisivo, surgem oportunidades que não acharíamos se não pensássemos dessa forma.”

Água, energia e impacto

Como grande consumidora de água, a Ypê mantém ainda ações voltadas à conservação de recursos hídricos e à recuperação ambiental. Entre elas está o programa Plantar Vida, responsável pelo plantio de mais de 1,2 milhão de árvores. Além disso, a companhia apoia, desde 2015, o projeto Observando os Rios, da SOS Mata Atlântica. Presente em 17 estados, o programa monitora cerca de 250 rios brasileiros e produz dados sobre a qualidade da água no país.

Embaixadora do Pacto Global da ONU, a empresa tem papel ativo na disseminação de práticas ligadas ao meio ambiente. Para Beira Junior, o interesse das empresas pelo tema vem crescendo, mas o desafio continua sendo transformar compromissos ambientais em ações capazes de gerar impacto positivo sem comprometer a competitividade e a longevidade dos negócios.

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