Espanha empatou com Cabo Verde. Isso é bom para o Brasil?
A Espanha chegou ao jogo desta segunda-feira, 15, contra Cabo Verde com as expectativas em alta.
Campeã da Eurocopa de 2024, número 2 do ranking mundial e apontada por analistas como uma das favoritas ao título, a seleção de Luis de la Fuente entrou em campo no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, nos Estados Unidos, diante de uma equipe de 525 mil habitantes que disputava sua primeira partida numa Copa do Mundo. O placar final foi 0 a 0.
O resultado foi descrito pela ESPN como "o primeiro grande choque da fase de grupos" do torneio.
E é difícil não conectar o que aconteceu em Atlanta com o que aconteceu no MetLife Stadium dois dias antes, quando o Brasil ficou no 1 a 1 com o Marrocos e parte dos torcedores brasileiros praticamente decretou o fracasso da seleção.
A questão do Brasil
O Brasil entrou em campo no sábado, 13, no MetLife Stadium, em Nova Jersey, contra o Marrocos, 7º do ranking mundial, invicto há 29 jogos e com a segunda melhor defesa do mundo desde 2023. Era o confronto entre o 6º e o 7º do mundo, as únicas duas seleções do top 10 a se enfrentarem na fase de grupos, segundo a ESPN.
O Marrocos dominou o início. Aos 21 minutos, Lucas Paquetá perdeu o controle de um passe curto de Roger Ibáñez e desviou a bola em Bilal El Khannouss.
A jogada chegou a Noussair Mazraoui, que acionou Brahim Díaz no círculo central. Seu passe dividiu Gabriel Magalhães e Marquinhos, e Ismael Saibari correu até a entrada da área. Alisson demorou para sair e Saibari tocou por cima do goleiro, seu 10º gol pela seleção. O Marrocos saiu na frente com uma jogada que expôs a fragilidade defensiva brasileira.
O Brasil respondeu em 11 minutos. Vinicius Júnior trocou passes com Bruno Guimarães no lado esquerdo, criou espaço e chutou de pé direito no ângulo de Yassine Bounou, seu 10º gol pela seleção.
Disputa após cobrança de escanteio na partida entre Brasil e Marrocos (TIMOTHY A. CLARY / AFP)
A NBC News descreveu a partida como "um dos confrontos mais competitivos desta fase inicial do torneio". A ESPN a chamou de "partida pulsante e de alto nível".
No segundo tempo, o ritmo caiu. O Brasil teve dificuldade para criar chances claras e o Marrocos segurou o empate com a organização defensiva que caracteriza a seleção de Walid Regragui. O placar ficou em 1 a 1.
Para a NBC, o Marrocos "ditou longos trechos da partida" e "igualou o Brasil em intensidade e frequentemente o superou em organização".
Fora do Brasil, a leitura dominante foi de que o empate refletiu o jogo — e não favoreceu nenhum dos dois lados.
O que aconteceu entre Espanha x Cabo Verde?
Na Espanha, o resultado de Atlanta foi ainda mais difícil de digerir.
A seleção teve sete chutes ao gol contra um de Cabo Verde, mas não conseguiu marcar.
Ferran Torres acertou a trave. Mikel Oyarzabal foi o mais ativo, com cinco das sete finalizações. Lamine Yamal, que havia se recuperado de lesão muscular, começou no banco — foi acionado nos últimos 20 minutos, mas também não conseguiu furar o bloqueio cabo-verdiano.
O herói de Cabo Verde foi Vozinha. Com 40 anos, o goleiro do Sporting da Praia fez defesas que pararam uma das melhores seleções do mundo.
O argumento que o Brasil precisava ouvir
A comparação entre os dois empates é inevitável. E, até agora, favorece o Brasil.
O Marrocos é o 7º do ranking mundial, invicto há 29 jogos e com a segunda melhor defesa do mundo em média de gols sofridos desde 2023. Cabo Verde é o 64º. A Espanha não marcou contra o 64º do mundo. O Brasil marcou contra o 7º. Os números não são iguais, mas a lógica é a mesma: Copa do Mundo não é ranking.
O Brasil joga contra o Haiti na quinta-feira, 19, em Filadélfia. A Espanha enfrenta a Arábia Saudita. Os dois países que saíram da primeira rodada sendo enterrados pela internet precisam agora fazer o que Copa do Mundo exige — ganhar o próximo jogo e calar a torcida. Incluindo a própria.
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