'Esperamos que o acordo entre Mercosul e EFTA entre em vigor neste ano', diz embaixador da Noruega
A entrada em vigor do acordo de livre comércio entre Mercosul e EFTA pode marcar uma nova etapa da relação econômica entre Brasil e Noruega. A expectativa do governo norueguês é que o tratado seja concluído ainda neste ano, abrindo caminho para novos investimentos e ampliando o fluxo comercial entre os dois países.
Em entrevista exclusiva à EXAME, Kjetil Elsebutangen, embaixador da Noruega no Brasil, afirma que o processo está nas etapas finais de aprovação e demonstra otimismo com o cronograma.
"Esperamos que seja possível que este acordo entre em vigor neste ano, antes do fim deste ano", afirma.
O acordo reúne os países do Mercosul e os quatro integrantes da Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA): Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein. Para Elsebutangen, o tratado vai além da redução de tarifas e representa uma nova fase da parceria econômica construída entre Brasil e Noruega ao longo de quase dois séculos.
“Em alguns setores vai cair para zero no primeiro dia, como pescados. Em outros setores, como tecnologia e máquinas, teremos uma redução gradual de tarifas”, diz o embaixador.
A relação comercial entre os dois países começou em 1842, quando o primeiro navio norueguês chegou ao Brasil carregado de bacalhau e retornou à Europa levando café. Hoje, a parceria envolve aproximadamente 300 empresas norueguesas instaladas no Brasil, cerca de US$ 14 bilhões em investimentos e aproximadamente 120 mil empregos diretos e indiretos gerados no país.
"O nível de investimentos em 2024 foi de US$ 14 bilhões. Acho que é normal esperar que isso continue, porque temos essa base e o acordo de livre comércio abre outras oportunidades. Então há uma perspectiva boa", diz o embaixador.
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PMEs devem ser as principais beneficiadas
As grandes empresas norueguesas já consolidaram presença no mercado brasileiro, segundo Elsebutangen. A expectativa agora é ampliar a participação de pequenas e médias empresas, que ainda enxergam o Brasil como um mercado pouco explorado.
"Já temos cerca de 300 empresas aqui. Agora precisamos mostrar para outras empresas as oportunidades existentes no Brasil. Esperamos que isso faça com que novas companhias cheguem ao país," diz o embaixador.
Na avaliação do diplomata, o acordo reduz barreiras comerciais e aumenta a atratividade do mercado brasileiro para empresas que ainda não possuem operações na América Latina.
Kjetil Elsebutangen, embaixador da Noruega no Brasil: "As empresas norueguesas olham para o mercado brasileiro com uma visão de longo prazo" (Luiz Nova/Divulgação)
Energia continua liderando os investimentos
A agenda econômica entre Brasil e Noruega continua fortemente concentrada no setor de energia. Além da presença histórica em petróleo e gás offshore, o país europeu enxerga novas oportunidades em energia renovável, baterias e tecnologias voltadas à transição energética.
"O setor de energia é bastante importante e abre oportunidades. Temos o setor offshore, de petróleo e gás, mas também muitas oportunidades em energia renovável, como eólica, solar e baterias", afirma.
Entre as empresas norueguesas já estabelecidas no Brasil estão Equinor, Statkraft, Yara e Hydro, que atuam nos segmentos de petróleo, geração de energia, fertilizantes e alumínio.
Outro eixo estratégico da cooperação bilateral é a descarbonização do transporte marítimo. Segundo Elsebutangen, Brasil e Noruega já possuem um memorando de entendimento que reúne empresas, portos e instituições de pesquisa para desenvolver soluções de redução de emissões.
"É um processo longo, mas muito importante. O interessante é que combina tecnologia com descarbonização e cria possibilidades de identificar novas oportunidades para as empresas."
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Brasil segue como prioridade
Mesmo diante de um cenário global mais incerto, marcado por juros elevados, tensões geopolíticas e volatilidade econômica, o embaixador afirma que o Brasil continua sendo uma prioridade para as empresas norueguesas.
Segundo ele, fora da Europa e dos Estados Unidos, o Brasil é hoje o mercado mais importante para a Noruega.
"O Brasil é o mais importante. As empresas norueguesas olham para o mercado brasileiro com uma visão de longo prazo e isso deve se manter nos próximos anos," diz o embaixador.
Para Elsebutangen, previsibilidade continua sendo um dos principais fatores para ampliar investimentos estrangeiros.
"Previsibilidade é a chave. As empresas conseguem se adaptar a diferentes regras e exigências, desde que exista previsibilidade."
Na avaliação do embaixador, a expectativa é que o acordo Mercosul-EFTA fortaleça justamente esse ambiente de confiança, abrindo uma nova avenida de crescimento para o comércio e os investimentos entre os dois blocos.
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