Espriella, aliado de Bolsonaro, e Cepeda vão para o 2º turno na Colômbia

Por institucional 1 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Espriella, aliado de Bolsonaro, e Cepeda vão para o 2º turno na Colômbia

Bogotá - Os candidatos Abelardo de la Espriella e Iván Cepeda disputarão o segundo turno das eleições presidenciais na Colômbia, segundo a apuração da votação realizada neste domingo, 31.

Com mais de 90% dos votos apurados, Abelardo de la Espriella tinha 43% dos votos. Iván Cepeda ficou em segundo, com 41%, e também vai disputar o segundo turno. Já Paloma Valencia ficou em terceiro, com 6% dos votos apurados. O segundo turno está marcado para 21 de junho.

Espriella disputa a primeira eleição e se apresenta como candidato antissistema e patriota. Nas últimas semanas de campanha, ele cresceu nas pesquisas e se descolou de Valencia, a candidata da direita tradicional, criticada por não ter encontrado o tom da campanha.

"Ela tentou ser direita dura e centro amável ao mesmo tempo. Ser firme sem assustar", diz Rubén Erazo, analista e presidente da Associação Colombiana de Consultores Políticos (Acopol).

Já Cepeda, de 63 anos, é o candidato do presidente Gustavo Petro, o primeiro líder de esquerda a governar o país. Ele defende prosseguir com as reformas para aumentar direitos sociais, como o salário mínimo e o acesso à saúde.

Quem é o 'tigre' de Flávio Bolsonaro na Colômbia?

Abelardo de la Espriella é advogado, empresário e estreante na política. Aos 47 anos, construiu fortuna defendendo clientes envolvidos em casos de grande repercussão, entre eles acusados de pirâmides financeiras, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.

Fora dos tribunais, também atua em negócios como moda, vinhos, rum, café e restaurantes. Em seu site, apresenta-se como um “homem renascentista do século 21”, em referência à variedade de interesses.

Na política, Espriella se posiciona como candidato de direita, com discurso duro contra a esquerda, defesa de redução do Estado, corte de impostos e endurecimento da segurança pública. Entre suas propostas estão uma aliança militar com Estados Unidos e Israel, construção de megapresídios e liberação do porte de armas.

O apoio de Flávio Bolsonaro ocorre nesse campo ideológico. O senador brasileiro e Espriella defendem uma articulação regional contra governos de esquerda na América Latina. Após uma conversa por vídeo com Flávio e Eduardo Bolsonaro, o colombiano afirmou que os três pretendem construir uma “frente comum contra a esquerda radical”.

Espriella também adotou uma estratégia de comunicação inspirada em líderes populistas da nova direita latino-americana. Se Javier Milei se apresenta como o "leão", o colombiano escolheu o apelido de "tigre", símbolo que utiliza em discursos, vídeos e materiais de campanha para transmitir força e agressividade no combate ao crime e aos adversários políticos. A referência dialoga com sua defesa de medidas duras de segurança pública e com a imagem de outsider que busca construir junto ao eleitorado.

Segurança em primeiro plano

A segurança pública é um dos principais temas da eleição. Segundo pesquisa feita pela Invamer/Caracol Noticias, a segurança é a principal preocupação dos colombianos, citada por 40,8%.

A Colômbia vive sua maior onda de violência em uma década. Em 2025, 14 mil pessoas foram mortas no país. Segundo relatório da entidade Médicos Sem Fronteiras (MSF), 221 a cada 100.000 homens morrem assassinados, quase dez vezes a mais do que no Brasil, que tem taxas em torno de 24,5 homens para cada 100.000. A média mundial é de 8,8.

A campanha também foi marcada por um assassinato. No ano passado, o senador Miguel Uribe, pré-candidato à Presidência, foi morto a tiros ao sair de um evento em Bogotá.

Depois disso, os candidatos passaram a reforçar sua segurança. Abelardo de la Espriella, que está em segundo lugar nas pesquisas, tem feito comícios em uma caixa de vidro blindado e usa colete à prova de balas por cima da roupa em algumas ocasiões.

O ministro da Defesa, Pedro Sánchez, afirmou que 408.000 agentes foram mobilizados em todo o país para garantir a segurança durante a eleição presidencial, além de aeronaves, navios, drones, antidrones e blindados.

"Fazer eleições na Colômbia não é o mesmo que fazê-las na Suíça. Existem riscos à democracia. Isso não deve ser ignorado", disse.

As propostas dos candidatos

Ao ser eleito, o atual presidente, Gustavo Petro, adotou uma estratégia chamada de "paz total", que previa negociações com grupos criminais e guerrilheiros que voltaram à ativa após o acordo de paz com as Farc, em 2016.

Cepeda quer seguir nos esforços de diálogo e defende que o crime seja combatido via desmonte de suas redes financeiras.

Já Espriella, defende medidas firmes, como construir megapresídios onde os presos se alimentem a "pão e água" e fiquem "dez andares debaixo da terra", bombardear acampamentos de narcotraficantes com aviões americanos e eliminar o tribunal surgido do acordo de paz.

"A segurança é a bandeira principal dos candidatos de oposição, em particular porque têm o argumento de que essa degradação da segurança se deve ao fracasso do programa de Paz Total de Petro", diz Yann Basset, professor de ciência política na Universidade de Rosário, em Bogotá, que estuda a política colombiana há 20 anos.

"Isso afeta diretamente Iván Cepeda como candidato, porque ele foi o cérebro e também a pessoa que colocou em marcha este programa de negociação que, efetivamente, não resultou em nenhuma desmobilização de nenhum grupo", prossegue. "É muito difícil para ele porque toda a sua vida política foi construída sobre a ideia de paz."

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