Essa empresa de drones já tem metade do valor da Embraer — e ainda é uma startup
Com apenas 11 anos de existência, a americana Zipline, empresa de logística por drones, já alcançou um patamar que a coloca muito próximo de gigantes da indústria aeroespacial. Esta semana a empresa anunciou um nova rodada de investimentos, de US$ 600 milhões, que elevou seu valuation para US$ 7,6 bilhões. A cifra equivale a mais da metade do valor de mercado da Embraer, hoje avaliada em US$ 13,11 bilhões.
A comparação chama atenção não apenas pela diferença de escala, mas também de maturidade. Fundada em 2014, a Zipline ainda é classificada como startup. Já a Embraer, criada há 56 anos, faturou US$ 4,92 bilhões nos nove primeiros meses do ano passado e está entre as maiores fabricantes de aeronaves do mundo.
A nova rodada de investimento da Zipline contou com a participação de investidores como Fidelity Management & Research Company, Baillie Gifford, Valor Equity Partners e Tiger Global, reforçando o apetite do mercado por soluções de logística autônoma na chamada “última milha”.
Segundo o CEO e cofundador da Zipline, Keller Cliffton, a demanda por entregas automatizadas acelerou de forma decisiva. “A logística automatizada vem amadurecendo há mais de uma década, e o último ano deixou claro que, quando as entregas são mais rápidas, limpas, seguras e baratas, a demanda não é apenas alta — ela cresce de forma exponencial”, afirmou.
A empresa, sediada em San Francisco, atua com entregas por drones de alimentos, produtos de varejo e suprimentos de saúde diretamente na casa dos consumidores. Nos Estados Unidos, as entregas cresceram cerca de 15% por semana, de forma consistente, ao longo dos últimos sete meses, segundo a companhia.
O avanço da Zipline ocorre em um momento de resiliência do capital de risco nos Estados Unidos. O financiamento global de venture capital somou US$ 97 bilhões no terceiro trimestre de 2025, alta de 38% na comparação anual. Embora a inteligência artificial siga concentrando a maior fatia dos recursos, o interesse crescente por startups de hardware tem sustentado o volume de investimentos.
No setor, empresas como a Zipline defendem que a entrega aérea na última milha reduz riscos associados ao transporte humano, como atrasos causados por congestionamentos, acidentes ou condições adversas nas estradas. O modelo ganhou tração especialmente durante a pandemia de Covid-19, quando governos e empresas recorreram aos drones para levar vacinas e insumos médicos a comunidades isoladas em meio às restrições de circulação.
A disputa, porém, é intensa. A Zipline concorre com a Wing, da Alphabet, com a Prime Air, da Amazon, além de outras startups como Matternet e Flytrex.
Ainda assim, o valuation alcançado pela Zipline indica como o mercado passou a precificar empresas de tecnologia logística com base no potencial de escala e na automação — mesmo quando elas ainda estão longe da maturidade operacional e financeira de grupos industriais tradicionais como a Embraer.
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