Esse headhunter está há 20 anos formando líderes: ‘Chegar ao topo exige renúncias’
Aos 29 anos, João Marcio Souza já ocupava uma cadeira de diretor em uma multinacional de capital aberto. Hoje, aos 48, é sócio, fundador e investidor do Talenses Group, após uma trajetória de mais de 25 anos no setor de capital humano.
Ao longo desse período, João Marcio participou da estruturação e consolidação de operações multinacionais no Brasil e tornou-se referência em recrutamento executivo para posições de Top Management e C-Level, incluindo Presidências e Conselhos.
No Talenses Group, empresa fundada há 13 anos e hoje consolidada como um dos principais ecossistemas de capital humano do país, João Marcio possui uma atuação ampla e estratégica ao lado dos sócios, exercendo diferentes papéis no grupo. Seu trabalho concentra-se especialmente nos setores de saúde, consumo e serviços.
“Eu costumo dizer que acompanho desde o bolo servido aos nossos colaboradores até a futura expansão de negócios do grupo”, afirma.
A virada que definiu uma carreira
A trajetória de João Marcio começou cedo. Aos 18 anos, iniciou sua carreira no mercado financeiro — uma escolha que, segundo ele, parecia mais sólida e consciente naquele momento. Mas havia uma inquietação.
Com o tempo, e após outras experiências ligadas ao universo de Finanças e Administração, João Marcio migrou para a área de Recursos Humanos. Foi nessa transição que encontrou o que define como sua verdadeira vocação: o universo das relações humanas, das organizações e das decisões capazes de transformar carreiras, culturas e negócios.
Essa mudança também abriu caminho para sua atuação como headhunter, função na qual passou a observar de perto como empresas escolhem líderes e como executivos constroem trajetórias até o topo das organizações.
“Tem 25 anos que eu não me sinto trabalhando. É uma área pela qual tenho genuína paixão”, diz.
A mudança de rota não demorou a trazer resultados. João Marcio avançou rapidamente na carreira, passando de consultor sênior para posições de gestão, assumindo liderança de equipes e consolidando uma trajetória executiva precoce. Aos 29 anos, tornou-se diretor de uma multinacional de capital aberto. “Acredito que tenha sido uma combinação de muita entrega, contexto do negócio, e capacidade de influência estratégica que acabaram me levando a um convite para minha primeira diretoria aos 29 anos”, afirma.
João Marcio Souza. (Reprodução / Arquivo Pessoal)
Da média liderança à alta liderança
Para João Marcio, chegar à liderança não é apenas uma consequência natural da carreira. É uma escolha, e como toda escolha relevante, envolve renúncias e consequências.
Na visão do headhunter, muitos profissionais chegam à média liderança frustrados, sem clareza sobre o que desejam construir ao longo prazo. Já a alta liderança exige uma decisão mais profunda: assumir um papel que inevitavelmente passa a competir com outras dimensões relevantes da vida.
“Escolher viver o universo da alta liderança significa concorrer com vários papéis importantes da sua vida, isso te cobra uma disponibilidade de tempo que você não terá com sua família ou para si mesmo”, afirma.
Para o executivo, o ponto central não é ignorar esses custos, mas compreendê-los com maturidade e consciência. A carreira de alta liderança pode ser recompensadora, desde que o profissional consiga organizar seus diferentes papéis com mais consciência e equilíbrio.
“O ideal é conseguir colocar esses diferentes papéis em harmonia para que a trajetória faça sentido. Quando existe clareza e equilíbrio, ela tende a ser muito recompensadora no final do dia”, explica João Marcio.
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O que muda quando se chega ao topo
Na visão de João Marcio, a transição para posições mais altas exige uma mudança profunda de mentalidade. O profissional deixa de ser reconhecido apenas pela excelência técnica e passa a ser avaliado principalmente pela capacidade de leitura estratégica do negócio, do mercado e das pessoas ao seu redor.
É uma avaliação feita por alguém que, como headhunter, acompanha tanto as demandas das empresas quanto as ambições dos executivos. Na alta liderança, pesa menos o domínio operacional de uma função específica e mais a habilidade de interpretar contextos, influenciar decisões, construir relações de confiança e entender para onde a empresa está indo. É nesse ponto que a visão e influência estratégica se tornam decisivas.
Para João Marcio, olhar para o cenário macroeconômico, compreender movimentos do mercado, antecipar tendências e saber se posicionar dentro de um ecossistema de negócios cada vez mais dinâmico e incerto, deixaram de ser diferenciais. Tornaram-se atributos obrigatórios para quem deseja ocupar posições executivas de maior relevância.
Os líderes que chegam ao topo não dominam apenas a operação. Eles aprendem a ler cenários, influenciar decisões e antecipar movimentos do mercado. Da média liderança ao C-Level, existe uma virada de mentalidade. Conheça o MBA Executivo da EXAME Saint Paul e desenvolva a visão estratégica que diferencia líderes preparados para o topo.
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