Esse mamífero pode ter sobrevivido à extinção dos dinossauros — e é do tamanho de um hamster
Um pequeno mamífero pré-histórico identificado por cientistas pode ajudar a explicar como algumas espécies sobreviveram ao evento que levou à extinção dos dinossauros há cerca de 66 milhões de anos.
O fóssil, descrito em estudo publicado na Journal of Vertebrate Paleontology, pertence a uma nova espécie chamada Cimolodon desosai.
A pesquisa foi liderada por cientistas da Universidade de Washington e aponta que características como pequeno porte e dieta variada podem ter sido determinantes para a sobrevivência de mamíferos após a extinção em massa que eliminou cerca de 75% da vida na Terra.
Mamíferos pequenos sobreviveram à era dos dinossauros
Mamíferos e dinossauros coexistiram por milhões de anos até o evento catastrófico que marcou o fim do período Cretáceo.
Apesar da devastação, alguns grupos resistiram — entre eles os multituberculados, um grupo de mamíferos semelhantes a roedores que surgiu no período Jurássico e sobreviveu por mais de 100 milhões de anos.
O gênero Cimolodon, ao qual pertence a nova espécie, era relativamente comum na América do Norte durante o fim da era dos dinossauros.
Segundo o paleontólogo Gregory Wilson Mantilla, os indivíduos desse grupo tinham características que aumentavam suas chances de sobrevivência, como tamanho reduzido e alimentação onívora.
Nova espécie viveu há 75 milhões de anos
O Cimolodon desosai viveu há cerca de 75 milhões de anos e tinha tamanho semelhante ao de um hamster. De acordo com os pesquisadores, o animal se locomovia tanto no solo quanto em árvores e se alimentava de frutas e insetos.
Essas características indicam um comportamento adaptável, o que pode ter sido crucial em um ambiente marcado por mudanças bruscas após a extinção em massa.
O fóssil foi encontrado em Baja California, no México, e se destaca por preservar não apenas dentes — comuns nesse tipo de descoberta —, mas também partes do crânio, mandíbula e ossos como fêmur e ulna.
Essa preservação mais completa permitiu aos cientistas estimar com maior precisão o tamanho, a estrutura corporal e os padrões de movimento do animal, além de oferecer pistas sobre o habitat em que vivia.
Para analisar o material, os pesquisadores utilizaram imagens digitais e microtomografia (micro-CT), que permite observar estruturas internas com alta resolução.
A comparação dos dentes com outras espécies do gênero confirmou que se tratava de uma nova espécie.
Segundo Mantilla, em fósseis tão antigos, a identificação costuma se basear principalmente nos dentes, o que torna descobertas com esqueletos mais completos ainda mais valiosas.
Nome homenageia descobridor
A espécie foi nomeada em homenagem a Michael de Sosa VI, assistente de campo que encontrou o primeiro fragmento do fóssil em 2009 e morreu antes da conclusão do estudo.
A descoberta contribui para entender como pequenos mamíferos conseguiram atravessar uma das maiores extinções da história da Terra e, posteriormente, dar origem à diversidade de espécies existentes hoje.
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