Esta empresa de bebidas do interior de SP se aliou a gigantes para faturar R$ 1 bilhão
O mercado de bebidas no Brasil é dominado por multinacionais com escala, distribuição e marketing bilionário. Para empresas regionais, crescer nesse ambiente costuma exigir capital pesado ou venda para um grupo maior.
A Poty fez diferente. Fundada em 1951 em Potirendaba, cidade de 18.000 habitantes no interior paulista, a fabricante de refrigerantes e águas virou a maior co-packer — empresa que produz e envasa para terceiros — do país.
Em 2024, rompeu a barreira de 1 bilhão de reais em receita. Em 2025, chegou a cerca de 1,1 bilhão de reais.
E o crescimento não veio só das marcas próprias. Veio, sobretudo, da decisão de se tornar parceira industrial de gigantes do setor, em contratos que exigem padrão técnico, rastreabilidade em tempo real e escala. É um movimento incomum para uma empresa familiar do interior.
“O conceito mudou. Antes, grandes marcas não aceitavam produzir fora. Hoje, o co-packer virou parte da estratégia — e nós ganhamos a confiança delas”, diz José Luiz Franzotti, que comanda a companhia há quase 50 anos.
O próximo passo já está em curso. A Poty prepara a maior linha de produção de sua história, com capacidade de triplicar o volume atual.
A aposta é simples: quanto maior a escala, menor a dependência de oscilações regionais e maior o poder de negociação com clientes globais.
A virada industrial: qual é a história da Poty
A Poty nasceu artesanal. “Era tudo feito à mão: lavava garrafa, misturava xarope com colher, colocava tampa no pé”, diz Franzotti.
A virada começou em 1977, quando a família assumiu o negócio. ]
Nos anos 1980, a empresa buscou apoio técnico do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), de Campinas. Na década seguinte, inaugurou um novo parque industrial — e ali surgiu o primeiro grande contrato como terceirizada.
A Brahma precisava de um parceiro para envasar o Guaraná Brahma e o Guaraná Skol. O acordo durou cinco anos.
Mais importante do que o faturamento foi o salto estrutural. Com a desativação de fábricas, a cervejaria ofereceu equipamentos usados em condições facilitadas. “A fábrica nova já nasceu em outro padrão por causa disso”, diz Franzotti.
O contrato terminou após a fusão entre Brahma e Antarctica, que deu origem à Ambev. A Poty, porém, já tinha aprendido a operar em escala e a cumprir exigências de grandes companhias. Outras marcas passaram a procurá-la.
Hoje, 65% da produção da empresa é destinada a terceiros.
São energéticos, bebidas vegetais, refrigerantes e outras categorias. Em volume, esse braço industrial é o motor da companhia. Nos últimos três anos, foram mais de 400 milhões de reais investidos em equipamentos, automação e novas linhas. A capacidade dobrou. A produção supera 6 milhões de caixas por mês.
O modelo reduz risco comercial — contratos longos, previsibilidade de demanda — mas impõe outro desafio: margens mais apertadas e dependência de poucos clientes de grande porte. Para equilibrar essa equação, a Poty decidiu avançar para dentro da própria cadeia.
Criou a Poty Ambiental, braço de logística reversa e economia circular, que opera em 22 municípios, mantém cerca de 80 ecopontos e já retirou mais de 23 mil toneladas de garrafas PET do meio ambiente. Em Manaus, estruturou a Sabores Vegetais do Brasil, dedicada à produção de aromas e extratos. Em parceria com a Embrapa, desenvolveu uma variedade de guaraná mais resistente e produtiva.
A lógica é clara: reduzir dependências externas e ganhar controle sobre insumos estratégicos.
Crescer com as gigantes — e fortalecer a marca própria
Produzir para multinacionais garante escala. Mas é nas marcas próprias que a empresa captura margem e constrói valor de longo prazo.
O portfólio reúne quase 80 itens, entre refrigerantes, águas, energéticos, isotônicos, destilados e cervejas. A estratégia para dar visibilidade a essas marcas passa pelo esporte. A Poty patrocina mais de 20 clubes, principalmente no interior paulista, e é patrocinadora master do Mirassol há 18 anos.
O contrato virou vitrine nacional com a ascensão do clube à Série A e à Libertadores.
Mesmo com propostas de casas de apostas dispostas a pagar até três vezes mais pelo espaço principal da camisa, o Mirassol manteve a parceria. “Parcerias longas podem até não ser comuns nos outros clubes, mas no nosso, é. Gratidão é um conceito do Mirassol”, diz Juninho Antunes, gestor do clube.
O esporte funciona como mídia. Mas o plano central segue sendo industrial. Com a nova linha prevista para entrar em operação este ano, a Poty quer ampliar exportações na América Latina e consolidar a posição como principal parceira de produção das grandes do setor.
A empresa que nasceu lavando garrafas à mão em Potirendaba hoje opera como elo invisível de marcas globais nas prateleiras brasileiras. Ao se aliar às gigantes, encontrou um caminho menos óbvio para crescer: não competir com elas — mas produzir para elas.
No setor de bebidas, onde escala é quase tudo, essa escolha levou uma fabricante do interior paulista ao clube do bilhão.
1/10 (1º lugar: Nvidia (NVDC34))
2/10 (2º lugar: Tesla (TSLA34))
3/10 (3º lugar: Advanced Micro Devices (A1MD34))
4/10 (4º lugar: KLA (K1LA34))
5/10 (5º lugar: Tokyo Electron (TYO: 8035))
6/10 (6º lugar: Pinduoduo (Nasdaq: PDD))
7/10 (7º lugar: Cadence Design Systems (C1DN34))
8/10 (8º lugar: Lam Research (L1RC34))
9/10 (9º lugar: Synopsys (S1NP34))
10/10 (10º lugar: Shopify (S2HO34))
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