Estado da União: veja os principais pontos do discurso de Trump

Por Matheus Gonçalves 25 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Estado da União: veja os principais pontos do discurso de Trump

O presidente americano, Donald Trump, fez, na noite dessa terça-feira, 24, o mais longo discurso do Estado da União da história.

Após um ano de mandato sem enfrentar muitos obstáculos, o republicano fez seu discurso em um cenário diferente em relação a 2025: enfrentando pressões reveses, com a Suprema Corte barrando muitas de suas medidas, e eleitorais, com muito do povo americano insatisfeito com o estado da economia e com suas políticas imigratórias, pesquisas mostram que o Partido Republicano se prepara para eleições de meio de mandato desafiadoras em novembro.

Em uma fala repleta de patriotismo e otimismo, Trump ofereceu poucos sinais de mudança de curso. Em um evento com a participação de atletas, heróis nacionais como veteranos de guerra e membros da guarda costeira, o presidente fez o mais longo discurso de seu tipo na história recete, batendo os 107 minutos – e aqui estão os principais pontos:

Sem recuo sobre tarifas

Presidente defendeu suas controversas medidas tarifárias em discurso (Montagem do Canva/Exame) (Montagem/Canva/Exame)

Apenas dias após um veredito da Suprema Corte americana de 6 votos a 3 contra a imposição de parte das tarifas, o republicano disse que “tudo está indo bem” e que os EUA estariam lucrando com as sanções. Condenando o veredicto, Trump afirmou que países estrangeiros gostariam de manter os acordos tarifários como estão.

O presidente disse que as tarifas estavam “salvando o país” por meio da quantidade de “dinheiro que estamos trazendo” e chegou a sugerir que o lucro tarifário poderia, um dia, substituir até mesmo o imposto de renda, “tirando um grande peso financeiro dos ombros do povo que amo”. Todavia, alerta o Wall Street Journal, a premissa tarifária de Trump depende de um nível de autoridade nunca antes utilizado por um presidente, e enfrentará obstáculos na justiça.

Trump contra a Suprema Corte

Prédio da Suprema Corte americana (Karen Bleier/AFP) (Karen Bleier/AFP)

Durante o discurso, o presidente desabafou sua insatisfação com o órgão chamando a decisão das tarifas de um “veredito infeliz”, mas não houve nenhum tipo de ataque direto.

Anteriormente, todavia, o republicano disse que as famílias dos juízes Neil Gorsuch e Amy Coney Barret, apontados pessoalmente por Trump durante seu primeiro mandato, deveriam estar “envergonhados” por terem votado na opinião da maioria. Mesmo assim, ao passar pela área onde se encontravam os juízes, Trump apertou as mãos de todos, incluíndo de Barrett. Gorsuch não estava presente.

Uma defesa da economia

Trump defende o estado atual da economia americana, apesar de eleitores não concordarem (Karen Bleier/AFP) (Karen Bleier/AFP)

Ademais, Trump defendeu o estado da economia, culpando democratas pelos altos custos de vida. “Vocês causaram esse problema”, disse, em meio a aplausos dos republicanos. “Suas políticas criaram preços altos; nossas políticas estão rapidamente acabando com eles”.

A imagem pintada por Trump foi agradável, com o republicano dando ênfase aos custos em declínio de importantes bens, como ovos, carne e combustível, apesar dos preços não terem caído significativamente. Disse também que queria abordar “o custo esmagador do setor de saúde”, chamando o Congresso para mudar a estrutura de gastos de saúde, divulgada pelo presidente no início do ano, na qual busca redirecionar os subsídios federais das seguradoras para os consumidores. O plano, até então, não ganhou força no Congresso. Na mesma nota, o republicano também destacou os passos que tomou para reduzir o custo de medicamentos.

Mesmo assim, pesquisas mostram que eleitores estão insatisfeitos com a economia. Um estudo recente do Pew Research Center, um instituto de pesquisa política, mostra que 28% dos adultos americanos julgam que a economia está em condições boas ou excelentes, enquanto 72% consideram a situação como razoável ou ruim. Isso se soma a uma volatilidade do mercado de ações, o que preocupa investidores, apesar do índice Dow Jones ter se fortalecido constantemente durante a presidência de Trump.

O caso do Irã

Aiatolá Ali Khamenei, líder do Irã (Divulgação/KHAMENEI.IR/AFP) (Handout / KHAMENEI.IR/AFP)

As tensões com o Irã também foram pauta, com Trump dizendo que os EUA estão em negociações com o país e que prefere chegar a uma resolução diplomática. Mesmo assim, disse: “Ainda não ouvimos as palavras mágicas, ‘nós nunca teremos armas nucleares’”, em alusão à prioridade das negociações, o programa nuclear iraniano. As autoridades do Irã, até então, não se mostraram dispostas a desistir de suas ambições no setor.

Trump também condenou o regime, alegando que o governo do país seria o maior patrocinador do terrorismo, e teria matado mais de 30 mil manifestantes durante os recentes protestos no país. Nas últimas semanas, os EUA moveram grandes quantidades de equipamento militar para o Oriente Médio, e estiveram considerando um ataque contra o Irã, com Trump ressaltando que esteve buscando uma política externa baseada em “paz através da força”.

Postura dura contra a imigração

Homem é detido por agentes de controle de fronteiras em Nova Orleans, nos EUA (Adam Gray/AFP) (Adam Gray/AFP)

O discurso apresentou uma defesa total das políticas imigratórias de Trump, com o presidente atacando democratas por terem permitido uma “invasão das fronteiras”, e os culpou por terem cortado fundos para o Departamento de Defesa Nacional.

Em um dos momentos mais quentes do discurso, o presidente pediu para que todos os presentes se levantassem caso concordassem que o dever principal de oficiais eleitos era de proteger cidadãos americanos ao invés de imigrantes que entraram no país ilegalmente. O pedido resultou em silêncio dos democratas, que se mantiveram sentados, mas trouxe aplausos prolongados dos republicanos, que cantaram “U.S.A” repetidamente.

“Vocês deveriam ter vergonha de si mesmos por não se levantarem”, disse Trump aos democratas do Congresso. Uma câmera mostrou a deputada Ilhan Omar, representante democrata de um distrito na região de Minneapolis, no estado de Minnesota, que viu os maiores índices de violência do Serviço Imigratório e de Alfândega (ICE), gritando contra o presidente e respondendo em um dado momento: “Você deveria ter vergonha”. Omar é um alvo político frequente de Trump.

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