Estes dois médicos vão faturar R$ 10 milhões com IA que atende e tira dúvida de pacientes

Por Bianca Camatta 13 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Estes dois médicos vão faturar R$ 10 milhões com IA que atende e tira dúvida de pacientes

A startup MOMA.I nasceu de uma lacuna identificada pelos médicos brasilienses Hendrick Hoyler e Eduardo Santos: a descontinuidade no acompanhamento de pacientes entre consultas médicas.

“O paciente vai ao médico, recebe a orientação e retorna meses depois. Nesse intervalo, o acompanhamento muitas vezes se perde”, afirma Hoyler. “Queríamos criar um cuidado preventivo, que ajudasse antes do problema existir ou piorar”, diz Santos.

Para isso criaram uma inteligência artificial alimentada por artigos científicos e livros médicos, capaz de conduzir triagens, sugerir hipóteses clínicas e orientar pacientes – com repasse ao médico ou prescrição de receita por profissionais cadastrados na plataforma.

A tecnologia começou a ser utilizada como teste pelos clientes da clínica dos profissionais e agora está sendo lançada no mercado. Ainda neste ano, o objetivo é faturar R$ 10 milhões, com uma base de 10 mil usuários.

Da rotina hospitalar para o negócio próprio

Hendrick Hoyler e Eduardo Santos se conheceram trabalhando em hospitais. Ao longo da carreira, passaram por hospitais públicos e cidades pequenas, experiência que deixou clara para eles as dificuldades de acesso à saúde no país.

“A medicina realmente não chega onde deveria no Brasil inteiro”, afirma Hoyler. “A gente via pacientes perdidos em jornadas desorganizadas, esperando meses entre consultas e exames.”

Os dois apostaram na inteligência artificial como recurso adicional à clínica na qual são sócios, com um investimento inicial de R$ 500 mil.

“Contratamos uma empresa especializada em inteligência artificial para desenvolver e fazer a manutenção da plataforma”, diz Santos. Segundo os fundadores, a base inclui mais de 9 mil obras médicas, artigos científicos e bibliotecas clínicas usadas para treinar o sistema.

“A plataforma não é algo que você desenvolve e entrega. Ela funciona como um organismo vivo. Tem atualização constante, manutenção e auditoria diária”, diz Hoyler.

O sistema começou a ser testado dentro da operação física da empresa, que atende cerca de 2 mil pacientes por mês. Os testes internos mostraram mais de 95% de precisão nas decisões clínicas sugeridas pela inteligência artificial.

Segundo os médicos, a plataforma segue as diretrizes divulgadas pelo Conselho Federal de Medicina quanto ao uso de IA na medicina.

“A inteligência artificial não substitui o médico, mas amplia sua capacidade de atuação. Nosso objetivo é tornar o acompanhamento mais próximo, frequente e viável para muito mais pessoas”, afirma Santos.

Como funciona a plataforma

Na prática, a MOMA.I funciona como um chat de saúde alimentado por inteligência artificial. O usuário conversa com a plataforma descrevendo sintomas, dúvidas ou objetivos ligados à saúde, nutrição ou atividade física.

A IA conduz perguntas semelhantes às de uma anamnese médica, processo de investigação clínica feito em consultas. A partir das respostas, sugere hipóteses, orientações, exames ou encaminhamento médico.

Quando necessário, o caso é direcionado para um médico humano cadastrado na plataforma. O profissional pode validar diagnósticos, emitir receitas digitais e solicitar exames. “Ela sempre vai indicar quando existe uma bandeira vermelha, um sinal de risco que precisa de avaliação médica”, afirma Hoyler.

A startup também quer transformar a plataforma em um repositório contínuo de dados de saúde do usuário. A proposta inclui integração com relógios inteligentes, lembretes de medicação, histórico familiar e monitoramento preventivo.

Os fundadores apostam em um braço mais premium da operação, voltado para medicina preditiva e longevidade.“Com o tempo, a plataforma pode identificar padrões de risco e orientar mudanças antes da doença acontecer”, diz Santos.

Os fundadores reconhecem que o principal obstáculo da MOMA.I não está na tecnologia, mas no comportamento do usuário. “Saúde é confiança”, afirma Hoyler. “A principal barreira ainda é fazer as pessoas conversarem com uma plataforma como se estivessem falando com um profissional.”

A estratégia de divulgação

A expectativa é usar esses contratos como porta de entrada para acelerar a adoção do produto nos próximos meses. Depois da consolidação inicial da operação, a ideia é ampliar a divulgação nas redes sociais com foco no paciente.

A startup começa a operação pelo Distrito Federal e Tocantins no setor público. No mercado privado, o foco inicial está no Distrito Federal, com expansão planejada para São Paulo.

Com isso, a empresa espera alcançar R$ 10 milhões em faturamento até dezembro de 2026. No longo prazo, os fundadores apostam em um crescimento mais orgânico da plataforma, sustentado pela expansão da base de usuários e pela entrada de empresas e operadoras de saúde.

A startup espera que a plataforma seja um hub de saúde, reunindo histórico médico, exames, prescrições, rotina de cuidados e acompanhamento preventivo em um único ambiente digital. A ideia é que o usuário concentre na plataforma informações que hoje ficam dispersas entre clínicas, laboratórios e aplicativos.

“A ideia é que hoje, do mesmo jeito que você pensa em pedir comida e vem iFood na cabeça, quando alguém pensar em saúde, venha a MOMA.I”, diz Santos.

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