'Estou preocupado com o cenário de consumo', alerta CEO da Natura

Por Rebecca Crepaldi 12 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
'Estou preocupado com o cenário de consumo', alerta CEO da Natura

O primeiro trimestre de 2026 se soma ao último de 2025 e resulta em dois trimestres seguidos de retração de vendas para a Natura (NATU3). “Estou preocupado com o cenário de consumo", alerta João Paulo Ferreira, CEO da companhia.

Segundo o executivo, o consumo na categoria de beleza perdeu força em comparação ao observado há um ano e vem crescendo “muito pouco em volume”, em um ambiente considerado mais volátil e competitivo. Nesse contexto, a estratégia da companhia tem sido buscar ganho de participação de mercado para compensar a desaceleração do setor.

A empresa afirmou ainda que acompanha com atenção os sinais de enfraquecimento do poder de compra dos consumidores, especialmente em regiões mais sensíveis ao cenário macroeconômico, como o Nordeste – onde tem maior penetração.

De acordo com a administração, o momento exige adaptação do portfólio às necessidades do consumidor, com foco em categorias de maior acessibilidade e demanda, como body splashes, que vêm apresentando melhor desempenho relativo.

Os resultados das consultoras também preocupam. De acordo com o executivo, o número de consultoras e a atividade delas foi menor do que o ano anterior — apesar das ações comerciais tomadas estarem tentando reverter esse cenário.

"A medida que a Avon aumenta sua atratividade ao consumidor final, como nós estamos vendo, é bem possível que as essas consultoras mais ativas enriqueçam suas cestas", afirma.

Guerra pode impactar

Outro ponto destacado pela companhia foram os possíveis impactos da Guerra e das tensões geopolíticas sobre a cadeia de suprimentos global. A administração reconheceu que conflitos internacionais podem afetar fornecedores e determinados insumos utilizados pela empresa, principalmente dependendo da duração do cenário.

Apesar disso, a Natura avaliou que parte desses efeitos vem sendo compensada pelo comportamento mais controlado do dólar nos últimos meses.

Segundo o Ferreira, a companhia tem revisado contratos e sua estrutura de custos para realizar ajustes de preços de forma “cirúrgica”, tentando minimizar impactos ao consumidor final. “Por enquanto, são efeitos administráveis, mas podem se tornar mais críticos a maneira que a Guerra se prolongue”, diz Ferreira.

Como veio o balanço da Natura?

A Natura registrou prejuízo líquido de R$ 445 milhões no primeiro trimestre de 2026, revertendo o lucro de R$ 97 milhões do mesmo período do ano anterior. O resultado foi impacto por queda nas receitas, pressões cambiais e custos relacionados à reestruturação organizacional da companhia em andamento.

O Ebitda somou R$ 346 milhões, queda de 46,8% na comparação anual, com margem de 7,3% — contração de 790 pontos-base ante a margem recorrente de 15,2% do primeiro trimestre de 2025.  O indicador sofreou com o impacto de R$ 221 milhões em despesas extraordinárias com rescisões da reorganização e o efeito da queda de receita sobre uma estrutura de custos ainda em ajuste.

A receita líquida totalizou R$ 4,745 bilhões, recuo de 7,7% em reais e 3,7% em moeda constante. O custo dos produtos vendidos totalizou R$ 1,625 bilhão, recuando apenas 3,0% ante uma queda de receita de 7,7%, o que explica a compressão da margem bruta.

As despesas operacionais consumiram 63,1% da receita líquida, ante 59,0% um ano antes, reflexo de uma estrutura de custos ainda pesada em relação ao volume de vendas do trimestre. A alavancagem subiu para 2,11x Dívida Líquida/Ebitda, acima da meta da companhia de 1,0x a 1,5x.

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