ETFs de bitcoin têm maior retirada mensal da história

Por BeInCrypto 1 de Julho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
ETFs de bitcoin têm maior retirada mensal da história

Junho de 2026 registrou a maior retirada mensal de capital da história nos ETFs de bitcoin dos Estados Unidos.

ETF é a sigla em inglês para fundo negociado em bolsa. É um produto que reúne dinheiro de vários investidores e acompanha o preço de um ativo. Neste caso, o bitcoin.

Dados da plataforma SoSoValue mostram saídas líquidas de US$ 4,06 bilhões em junho. O número foi divulgado pela CoinDesk. Saída líquida é a diferença entre o capital que entra e o que sai dos fundos no período.

Saída de ETF de bitcoin supera recorde de 2025

O valor de junho derruba a marca anterior. Em fevereiro de 2025, a retirada mensal havia chegado a US$ 3,56 bilhões.

Na semana passada, segundo a CoinDesk, os fundos perderam US$ 1,79 bilhão. Foi a segunda maior saída semanal desde o início das negociações, em janeiro de 2024.

Em maio, a retirada líquida havia sido de US$ 2,43 bilhões. Nos últimos dois meses, saíram cerca de US$ 6,5 bilhões. No acumulado do ano, as saídas somam perto de US$ 5 bilhões.

Por que o preço do Bitcoin já caiu 44%?

As retiradas pressionaram o preço da cripto. Desde o início do ano, o bitcoin desvalorizou 31,3%. Em 12 meses, a queda chega a 44%. Atualmente, negocia a US$ 59.986.

Dois fatores explicam a pressão, segundo a publicação financeira Investing. O primeiro é a valorização do dólar. O segundo é a expectativa de alta de juros pelo Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos.

O que é a debasement trade?

Uma nota de analistas do JP Morgan, divulgada em junho pela publicação The Block, aponta um terceiro motivo. Investidores de varejo e institucionais estariam abandonando a chamada debasement trade.

Debasement trade é a retirada de capital de moedas como o euro e o dólar. Esse dinheiro migra para outros ativos, como ouro, bitcoin ou imóveis.

“Observamos uma retirada generalizada da debasement trade tanto por parte dos investidores de varejo quanto dos institucionais. Essa retirada continuou no ouro e, se algo mudou, acelerou no bitcoin nas últimas semanas”, afirmou a nota do JP Morgan divulgada pela The Block.

Bitcoin e ouro se comportam como ativos de risco

A nota do JP Morgan também destacou mudanças nas correlações de mercado.

Segundo o banco, a correlação do bitcoin com os rendimentos reais dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos de 10 anos ficou negativa. O movimento veio depois de algo parecido com o ouro no início do ano.

O JP Morgan acrescentou que a correlação do ouro com o S&P 500 se aproximou da relação tradicionalmente positiva do bitcoin com as ações. O S&P 500 é o índice das maiores empresas listadas nos Estados Unidos.

Para o banco, isso indica que ouro e bitcoin passaram a se comportar mais como ativos de risco. E menos como diversificadores de carteira, ativos usados para reduzir o risco do investimento.

*Matéria original escrita por Lucas Espindola no BeinCrypto, portal parceiro da EXAME.

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