ETFs têm melhor trimestre e renda fixa impulsiona captação em 2026

Por Clara Assunção 13 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
ETFs têm melhor trimestre e renda fixa impulsiona captação em 2026

Os ETFs (Exchange Traded Funds, na sigla em inglês), ou fundos de índice, ganharam protagonismo no mercado brasileiro no primeiro trimestre de 2026, impulsionados sobretudo pela renda fixa.

De acordo com dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) sobre o desempenho da indústria de fundos no 1° trimestre de 2026, divulgados nesta segunda-feira, 13, a classe registrou captação líquida de R$ 17,8 bilhões no acumulado até março, um salto expressivo frente aos R$ 1,8 bilhão observados no mesmo período do ano passado.

Com esse desempenho, os ETFs ficaram atrás apenas dos fundos de renda fixa tradicionais, que lideraram com folga ao captar R$ 130,3 bilhões no trimestre.

Na sequência aparecem a classe da previdência, que captou R$ 17,8 bilhão, e multimercados, com R$ 11,3 bilhões. Os fundos de Investimento em Participações (FIP) e de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro) somaram R$ 6,4 bilhões e R$ 2,4 bi, respectivamente.

Já as classes de ações fecharam no negativo, com resgate de R$ 6,4 bilhões. O Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) também fechou com captação negativa de R$ 2,3 bilhões. No total, a indústria somou captação positiva de R$ 159,2 bilhões no período, um recorde comparando com os primeiros trimestres dos últimos cinco anos.

ETFs de renda fixa lideram alta

Dentro dos ETFs, o destaque absoluto foi a renda fixa, responsável por R$ 15,5 bilhões, ou quase a totalidade dos recursos captados pela classe. Um único fundo, inclusive, concentrou R$ 5,8 bilhões em entradas.

Esse movimento também se refletiu no estoque, pela primeira vez, o patrimônio líquido dos ETFs de renda fixa, de R$ 57,3 bilhões, superou o dos produtos de renda variável, R$ 45,3 bilhões, dentro de um total de R$ 103,5 bilhões.

O número de contas em ETFs chegou a 1,57 milhão em março, e a indústria passou a contar com 188 produtos, sendo 61 de renda fixa e 127 de renda variável. Em um ano, a participação da renda fixa no patrimônio da classe subiu de 10% para 15%.

O que está por trás do avanço dos ETFs

Para Pedro Rudge, diretor da Anbima, uma combinação de fatores ajuda a explicar o avanço dos ETFs, especialmente os de renda fixa. Entre eles, estão os custos mais baixos em relação a outros fundos e a simplicidade do produto, que facilita o acesso dos investidores nas plataformas de distribuição.

"É um produto de relativa simplicidade, com distribuição fácil, disponível nas corretoras, o que amplia o acesso", afirmou. Segundo o executivo, a própria indústria tem contribuído para esse crescimento, com o lançamento de novos produtos voltados à renda fixa ao longo dos últimos meses.

"Quando olhamos para o mercado internacional, a presença dos ETFs é bem maior do que no Brasil, onde essa classe ainda é incipiente. Por isso, a tendência é de ganho de relevância nos próximos meses e anos, acompanhando esse movimento global. Temos visto um número crescente de gestores passando a oferecer ETFs no mercado", disse Rudge a jornalistas.

Rudge também aponta a evolução do modelo de remuneração dos assessores, com maior adoção de taxas fixas em detrimento de comissões por produto, pode incentivar a recomendação de ETFs. Assim como a expectativa de avanços regulatórios, com maior flexibilização por parte da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a possibilidade de ETFs ativos, deve ampliar a oferta e reforçar a atratividade da classe.

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