EUA decidiram bancar o 'Ozempic' dos idosos — mercado vê oportunidade
A partir desta quarta-feira, 1º de julho, milhões de idosos cobertos pelo programa de saúde pública dos Estados Unidos Medicare terão acesso à cobertura de medicamentos GLP-1, que atuam contra a obesidade, com coparticipação de US$ 50, abrindo um novo mercado para as principais farmacêuticas.
O programa, batizado de Bridge, contorna uma lei federal que até então proibia o reembolso do tratamento quando a indicação fosse exclusivamente obesidade, e tem potencial para destravar uma base de pacientes que a Novo Nordisk, dona do Ozempic e do Wegovy, e a Eli Lilly, dona do Mounjaro e Zepbound, perseguem há anos.
Havia mais de 69 milhões de beneficiários no Medicare na semana passada, e a expectativa da própria administração do programa é de que "vários milhões" deles acessem os remédios pelo Bridge, segundo o diretor do Medicare e administrador adjunto dos Centros de Serviços Medicare e Medicaid (CMS), Chris Klomp.
A Novo e a Lilly estimam um potencial de 15 milhões a 20 milhões de idosos qualificados, conforme informações divulgadas pela CNBC. E, por volta das 9h50 (horário de Brasília), as ações da Novo (NVO) subiam 0,35% no pré-mercado em Nova York, a US$ 48,51, e as da Lilly (LLY), 0,07%, a US$ 1.231.
Lilly larga na frente, mas Novo aposta na pílula
A disputa entre as duas farmacêuticas pelo mercado de obesidade já está em curso, e o Medicare deve somente intensificá-la na percepção de analistas ouvidos pela CNBC. A Lilly lidera com cerca de 60% de participação de mercado, contra 39% da Novo no primeiro trimestre deste ano.
Nenhuma das duas divulgou projeções de receita específicas para o Bridge, mas o analista da Leerink Partners, David Risinger, espera "adoção rápida" a partir de julho, com o programa gerando mais de US$ 1 bilhão em receita anual para cada companhia, sem, porém, mudanças relevantes no market share entre elas.
Risinger destaca que os medicamentos orais das duas farmacêuticas devem atrair, especialmente, a população idosa. A pílula Wegovy, da Novo, já passou de três milhões de prescrições em cinco meses, enquanto a Lilly lançou seu concorrente oral, o Foundayo, apenas em abril.
O vice-presidente de operações nos EUA da Novo, Jamey Millar, indicou que pesquisas internas mostram que 75% dos idosos preferem comprimido diário a injeção semanal, uma vantagem potencial para o portfólio oral da empresa. Na sua visão, é "a próxima oportunidade de disputa".
"Na minha perspectiva, ambas as empresas estão tratando isso de forma muito intencional e séria, como uma oportunidade de acesso", adicionou à CNBC.
Riscos operacionais estão no radar do mercado
As fontes explicam ainda que o impacto inicial na receita, embora relevante em valor absoluto, não deve alterar de forma significativa a divisão de mercado no curto prazo. O verdadeiro fator de risco está no que vem depois, pois o Bridge expira no fim de 2027, salvo prorrogação do governo estadunidense.
A ideia original do CMS era usar o programa como transição de seis meses para um modelo de longo prazo chamado Balance, que transferiria a cobertura para seguradoras privadas, mas nomes como CVS e UnitedHealthcare recusaram adesão voluntária, citando preocupações com custos.
O professor de política de saúde na Universidade Emory, Kenneth Thorpe, apontou à CNBC que o Balance segue voluntário, sem garantia de cobertura permanente para todos os pacientes, já que seguradoras podem evitar atrair um perfil "mais caro" de paciente.
O processo de autorização prévia pode também enfrentar volume elevado de pedidos logo no início.
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