EUA projeta alta na soja e perda de espaço para o Brasil no longo prazo

Por César H. S. Rezende 20 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
EUA projeta alta na soja e perda de espaço para o Brasil no longo prazo

Os Estados Unidos projetam aumento na produção de soja e redução na de milho na safra 2026/27, em um cenário de concorrência crescente com a América do Sul, especialmente o Brasil.

Mesmo com uma recuperação parcial das exportações americanas, a tendência de longo prazo é de perda relativa de participação no mercado global diante da expansão produtiva sul-americana.

As estimativas constam no relatório Grains and Oilseeds Outlook for 2026, divulgado nesta quinta-feira, 19, durante o Agricultural Outlook Forum 2026, do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).

No caso da soja, o relatório diz que o Brasil está colhendo uma safra recorde, o que amplia os estoques globais e prolonga a oferta exportável até o período da colheita americana.

“O Brasil está colhendo uma safra recorde de soja, o que fortalecerá os estoques globais e prolongará a oferta exportável até o período da colheita dos Estados Unidos”, afirma o documento.

A avaliação ocorre após os EUA perderem espaço para a soja brasileira na China em 2025. No ano passado, as exportações americanas para o país asiático recuaram de forma acentuada em meio à guerra comercial iniciada pelo presidente Donald Trump.

Como resultado, o Brasil ampliou seus embarques para a China, com exportações que atingiram 108 milhões de toneladas. Já os Estados Unidos venderam cerca de 10 milhões de toneladas — bem abaixo da média histórica, próxima de 25 milhões de toneladas.

Para a safra 2026/27, os EUA projetam produção de cerca de 121 milhões de toneladas de soja.

As exportações estão estimadas em aproximadamente 46,3 milhões de toneladas, recuperação frente ao ciclo anterior.

Ainda assim, o relatório ressalta que a participação americana no comércio global deve continuar em trajetória estrutural de queda, em função da oferta brasileira.

Segundo o Ag Barometer, levantamento da Universidade de Purdue em parceria com o CME Group, os agricultores americanos estão preocupados com a competitividade das exportações de soja dos EUA frente aos embarques do Brasil.

O estudo mostra que, embora as expectativas gerais para as exportações agrícolas permaneçam positivas, o cenário se torna mais incerto quando o foco é a soja.

Milho nos EUA

Para o milho, as perspectivas são semelhantes. A produção americana está estimada em cerca de 400 milhões de toneladas, recuo de aproximadamente 7% frente à safra 2025/26.

Mesmo com a possibilidade de redução na produção, os EUA seguem como o maior produtor mundial de milho.

As exportações devem alcançar cerca de 78,7 milhões de toneladas, abaixo do volume do ano anterior. “O share global dos EUA deve cair ligeiramente com exportações maiores da América do Sul”, diz o documento.

Com estoques iniciais mais elevados, a oferta total de milho dos EUA é estimada em 455 milhões de toneladas. Ainda assim, o volume deve ficar abaixo do recorde registrado no ciclo anterior.

O uso total de milho nos Estados Unidos é estimado em aproximadamente 408 milhões de toneladas.

O consumo para etanol deve permanecer estável em 142 milhões de toneladas, enquanto o uso para ração animal e residual é projetado em 152 milhões de toneladas.

Apesar da redução na produção e nas exportações, o USDA projeta leve alta no preço médio recebido pelos produtores, estimado em US$ 4,20 por bushel.

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