EUA terão dificuldade para reabrir Ormuz sem acordo com Irã, diz Eurasia

Por Rafael Balago 4 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
EUA terão dificuldade para reabrir Ormuz sem acordo com Irã, diz Eurasia

Os Estados Unidos não conseguirão aumentar o fluxo de navios no Estreito de Ormuz no curto prazo se não houver um acordo com o Irã ou um aumento substancial de sua frota na região, avalia a consultoria Eurasia.

"O plano dos EUA não aumentará substancialmente o volume de transporte marítimo pelo estreito no curto prazo. Para que isso acontecesse, seria necessário o apoio do Irã ou um significativo destacamento naval na região", diz

No domingo, 3, o presidente Donald Trump anunciou um plano para que as forças de seu país escoltem navios no Estreito de Ormuz a partir desta segunda-feira (4). A operação foi batizada de "Projeto Liberdade" e classificada como um gesto "humanitário" para ajudar os marinheiros bloqueados na passagem marítima, que, segundo o presidente americano, poderiam ficar sem alimentos e outros suprimentos essenciais.

O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) afirmou no X que suas forças devem apoiar a operação com destróieres equipados com lançadores de mísseis guiados, mais de 100 aeronaves e 15.000 militares.

Reação do Irã

O Irã respondeu com ameaças. "Alertamos que qualquer força armada estrangeira – especialmente as agressivas forças militares americanas – será alvo de ataques se tentar se aproximar ou entrar no Estreito de Ormuz", declarou o general Ali Abdollahi, do comando central do Exército iraniano.

Nesta segunda, o Irã disse ter lançado mísseis contra uma fragata dos EUA que navegava em Ormuz. Os americanos negaram o ataque, mas há relatos de outras ações contra barcos na região.

"Os ataques em curso confirmam as ameaças contínuas à navegação. Pouco depois do anúncio, dois navios foram atacados ao tentarem atravessar o Estreito de Ormuz. Um navio graneleiro que seguia para o norte, em direção ao estreito, foi atacado por várias embarcações menores em águas iranianas, informou a UK Maritime Trade Operations (UKMTO), que comunica incidentes de segurança a armadores civis na região", diz a Eurasia.

"Outra embarcação, um petroleiro, foi atingida por "projéteis desconhecidos" em águas omanitas, segundo a UKMTO. Nenhum tripulante ficou ferido em nenhum dos incidentes", prossegue a consultoria.

Assim, os ataques restringiram a circulação de navios na região. "Houve muito pouco tráfego de navios mercantes no Estreito de Ormuz após os ataques, conforme mostraram os dados de rastreamento de navios da Kpler e da Bolsa de Valores de Londres (LSEG). Diversas embarcações que se dirigiam ao Estreito de Ormuz retornaram após os ataques serem relatados."

Crise já dura dois meses

A situação entre Teerã e Washington permanece estagnada desde a entrada em vigor da trégua de 8 de abril, após quase 40 dias de ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã e de represálias iranianas contra as monarquias do Golfo aliadas do governo americano.

O Paquistão sediu uma rodada de negociações em 11 de abril que terminou sem acordo, com as posições muito afastadas sobre o Estreito de Ormuz – onde o Irã pretende cobrar um pedágio pela passagem de navios – e o programa nuclear da República Islâmica.

O Irã pediu nesta segunda-feira, 4, aos Estados Unidos que "adotem uma abordagem razoável" e abandonem as "exigências excessivas", após receber uma resposta de Washington à sua nova proposta no âmbito das negociações de paz entre os dois países.

"Nesta etapa, nossa prioridade é acabar com a guerra", afirmou em uma entrevista coletiva o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baqai.

"Não podemos ignorar as lições do passado. Já negociamos em duas ocasiões sobre os aspectos nucleares e, ao mesmo tempo, fomos atacados pelos Estados Unidos", acrescentou o porta-voz em uma entrevista exibida pela televisão estatal.

Teerã enviou esta semana uma nova proposta de paz a Washington. Segundo a agência oficial Tasnim, a proposta de 14 pontos prevê o fim do conflito em todas as frentes e estabelece condições para a reabertura do Estreito de Ormuz.

Trump disse no domingo que funcionários de seu governo estão mantendo "conversas muito positivas" com o Irã e que as negociações "podem conduzir a algo muito positivo para todos".

As consequências do conflito seguem afetando a economia mundial. A cotação do petróleo atingiu na última semana o maior valor em quatro anos, quando o barril de Brent chegou a ser negociado a 126 dólares. Nesta segunda-feira, o preço era de 108 dólares.

A guerra provocou milhares de mortes, principalmente no Irã e no Líbano, onde Israel prossegue com os ataques contra o movimento pró-iraniano Hezbollah, apesar de uma trégua.

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