EUA vão invadir Cuba? Entenda a mudança de cenário

Por Rafael Balago 21 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
EUA vão invadir Cuba? Entenda a mudança de cenário

Para derrubar o presidente Nicolás Maduro, os Estados Unidos usaram uma justificativa jurídica: o então líder da Venezuela foi acusado de envolvimento no tráfico de drogas na Justiça americana. Nesta quarta-feira, 20, os americanos anunciaram um processo contra Raúl Castro, em um sinal de que o país poderá tentar a mesma estratégia contra Cuba.

Castro, ex-presidente de Cuba (2008-18), de 94 anos, foi acusado de assassinato, conspiração para matar cidadãos americanos e destruição de aeronave, em relação à derrubada de dois aviões de pequeno porte em 1996. Na época, ele era ministro da Defesa

Naquela ocasião, dois caças MiG cubanos perseguiram e derrubaram dois aviões desarmados da organização "Hermanos al Rescate" no Estreito da Flórida, matando seus quatro tripulantes. Essa organização tinha como objetivo ajudar os barqueiros cubanos a chegar à Flórida e, assim, auxiliar cubanos a fugir da ilha. Cuba vive sob regime ditatorial, e os cidadãos não podem deixar o país livremente.

O governo americano diz que quer prender Castro. "Esperamos que ele se apresente aqui por vontade própria ou, caso contrário, irá para a prisão", declarou o procurador-geral interino, Todd Blanche, em coletiva de imprensa em Miami.

Assim, o indiciamento de Castro pode motivar uma invasão americana a Cuba, com o objetivo de mudar o regime. Uma operação depende do aval de Trump, e há sinais de preparação em andamento. Um grupo de ataque, que inclui o porta-aviões USS Nimitz, foi deslocado para a região, segundo o Comando Militar Sul dos EUA.

Cartaz com imagens de Fidel Castro, Raúl Castro e Miguel Díaz-Canel em Havana (Yamil Lage/AFP)

Acusações de Rubio

Também na quarta-feira, o secretário de Estado, Marco Rubio, gravou uma mensagem em vídeo com acusações contra Castro. Ele disse que, há três décadas, o ex-presidente fundou uma empresa chamada Gaesa que é "propriedade das Forças Armadas" e, segundo afirmou, "tem receitas três vezes superiores ao orçamento do governo atual".

"Em vez de usar esse dinheiro para modernizar as usinas elétricas, que estão danificadas, eles o utilizam para construir mais hotéis para estrangeiros e para enviar seus familiares para viver com luxo em Madri e até mesmo aqui, nos Estados Unidos", afirmou.

Rubio é descendente de cubanos que emigraram aos EUA antes da Revolução de 1959. A ilha é governada pelo Partido Comunista desde então, primeiro por Fidel Castro (1959-2008), depois por seu irmão, Raúl, e agora por Miguel Díaz-Canel.

Ao mesmo tempo, Trump ainda precisa resolver a guerra com o Irã, que está em um cessar-fogo frágil. O presidente ameaçou voltar a atacar o país esta semana se não houver acordo, e lutar duas guerras ao mesmo tempo seria um desafio.

Por outro lado, os americanos podem tentar fazer uma operação mais pontual, como ocorreu na Venezuela, em que os americanos foram embora após capturarem Maduro e ficaram poucas horas no país. Os aliados de Maduro aceitaram fazer acordo com os EUA e ceder em diversos temas, inclusive na exploração de petróleo, mas não está claro se o regime cubano faria o mesmo, pois trata-se de uma ditadura no poder há quase 70 anos. Essa revolução, inclusive, foi feita para acabar com o domínio norte-americano sobre a ilha.

Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, que chefia a diplomacia do país (Kent Nishimura/AFP)

Relembre a história de Cuba

Cuba, uma ilha a 170 km da Flórida, foi uma das últimas colônias da Espanha nas Américas e só obteve sua independência em 1902, após uma guerra estimulada pelos Estados Unidos.

A primeira Constituição cubana, de 1902, trazia a Emenda Platt, que autorizava os EUA a intervirem no país para defender seus interesses e definir os rumos da ilha na economia e no cenário internacional.

Assim, nas décadas seguintes, Cuba esteve sob ordens de Washington e empresas americanas controlavam boa parte da produção cubana. A ilha teve um grande crescimento, puxado pela produção de açúcar e pelo turismo, e alcançou um dos maiores PIB per capita do continente, mas a riqueza era mal distribuída e havia altas taxas de pobreza.

Neste contexto, na década de 1950, uma guerrilha comunista, comandada por Fidel Castro, derrubou o presidente Fulgêncio Batista e assumiu o governo em 1959.

Em seguida, foi adotado um modelo socialista e a ilha se aproximou da União Soviética, principal rival dos EUA na época. Em resposta, os EUA impuseram um embargo contra Cuba, que permanece em vigor e impede o país de comprar e vender diversos produtos.

Com o fim da União Soviética, em 1991, Cuba ficou sem apoio financeiro e viveu uma série de crises econômicas. Nas últimas décadas, o país recebeu apoio da Venezuela, que enviava petróleo a preços baixos ou em troca de serviços.

Em janeiro deste ano, após a queda de Maduro, o governo da Venezuela passou a colaborar com os EUA e suspendeu o envio de petróleo a Cuba, o que gerou uma crise energética na ilha. Desde então, cresceu a pressão americana sobre a ilha. Trump proibiu outros países de venderem petróleo aos cubanos e pressiona por uma mudança de governo. Ainda não está claro até onde ele poderá ir em busca desse objetivo.

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