Exclusivo: Electrolux atrela bônus de executivos ao clima — e vê ESG virar lucro

Por Letícia Ozório 4 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Exclusivo: Electrolux atrela bônus de executivos ao clima — e vê ESG virar lucro

O Grupo Electrolux, fabricante de eletrodomésticos, vai atrelar 20% da remuneração variável das suas lideranças ao cumprimento de metas de redução de emissões de CO2. A decisão faz parte do avanço da estratégica global de sustentabilidade, o programa For the Better (Para o Melhor, em tradução livre), que trabalha a circularidade, durabilidade e inovação conectada dos produtos.

A iniciativa passa por acelerar e trazer mais ambição às metas climáticas da companhia, além de incluir a tecnologia como prática para reduzir o impacto ambiental dos materiais.

"A atualização do For the Better não apenas alinha ainda mais nossas ambições ambientais à estratégia do negócio, mas também responde às tendências de demandas regulatórias globais e às expectativas crescentes dos consumidores", explica João Zeni, diretor de sustentabilidade do Grupo Electrolux América Latina.

Na nova fase, a circularidade dos produtos será intensificada, o que passa pelo trabalho para que os itens durem mais e que possam ser reparados de forma eficiente, evitando que sejam descartados.

O diretor explica que hoje, no Brasil, a durabilidade e a eficiência dos materiais são os principais aspectos na decisão de compra por um produto mais sustentável. "Nossos esforços estão voltados para entregar eletrodomésticos que atendam a esse comportamento, ao mesmo tempo que educamos e sensibilizamos as pessoas", conta.

Desempenho financeiro e ESG conectados

Os números sustentam a aposta. Em 2025, os produtos considerados mais eficientes representaram 36% do lucro bruto global do Grupo.

No mesmo período, a companhia registrou redução de 45% nas emissões de carbono em seus itens em comparação a 2021, antecipando metas previstas para 2030. A expectativa é que a Electrolux chegue ao net-zero até 2050.

Para acelerar a entrega de resultados práticos, o Grupo reorganizou sua atuação em três pilares.

O primeiro deles concentra esforços no desempenho dos eletrodomésticos: eficiência energética, funcionalidades inteligentes e uso crescente de materiais reciclados. Plástico e aço reciclados já respondem por 23% dos insumos utilizados globalmente — e a meta é chegar a 35% até 2030.

A durabilidade dos equipamentos também entra na conta, com foco no uso correto e na manutenção preventiva como formas de prolongar o ciclo de vida dos produtos.

João Zeni, diretor de Sustentabilidade do Electrolux Group América Latina: "Queremos entregar produtos mais sustentáveis enquanto educamos e sensibilizamos o consumidor"

O segundo pilar aposta no comportamento do consumidor. A ideia é que a marca vá além da venda do eletrodoméstico e passe a influenciar hábitos mais saudáveis e sustentáveis no dia a dia — inclusive por meio de parcerias e engajamento com comunidades locais.

O terceiro pilar mira a própria operação da companhia. Em 2025, o Grupo reduziu em 45% as emissões de carbono de seus itens em relação a 2021, antecipando metas previstas para 2030. O objetivo de longo prazo é atingir o net-zero até 2050.

"A meta é que os materiais entreguem cada vez mais valor ao longo do seu ciclo de vida, unindo durabilidade e inteligência", afirma Zeni.

Brasil como vitrine da nova fase

Na América Latina, a estratégia ganha forma concreta. A fábrica inaugurada no ano passado em São José dos Pinhais (PR), com cerca de 50 mil metros quadrados, opera com 100% de energia renovável e desde o primeiro dia funciona com meta de Zero Aterro — nenhum resíduo é enviado para aterros sanitários.

Em parceria com a Braskem e a AGM Embalagens, as lavadoras produzidas no Brasil passaram a utilizar embalagens com 30% de plástico reciclado (PCR). Já os refrigeradores eficientes vendidos em 2025 economizaram 152,3 GWh — energia equivalente ao consumo anual de 952 mil residências brasileiras, em comparação com modelos de uma década atrás.

O Serviço de Coleta e Descarte Consciente da companhia — pioneiro entre fabricantes de linha branca no país — completa quatro anos com mais de 14 mil itens recolhidos e 680 toneladas de materiais reciclados corretamente.

Impacto social

Além da frente ambiental, a Electrolux Food Foundation atuou em 45 países em 2025, educando 380 mil pessoas sobre alimentação sustentável e distribuindo 3,6 milhões de refeições por meio de programas como o Food Heroes e o Like a Chef.

Para Zeni, a mudança representa uma virada de posicionamento: a sustentabilidade do planeta exige integração e responsabilidade social em cada solução entregue ao mercado. "Não estamos apenas fabricando equipamentos para a casa. Estamos criando parcerias com nossos consumidores para uma vida melhor", afirma.

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