Exército de Israel alerta para risco de colapso em meio à guerra
A sobrecarga das Forças Armadas de Israel levou o chefe do Estado-Maior, Eyal Zamir, a alertar o governo de Benjamin Netanyahu sobre o risco de colapso militar após mais de dois anos de conflitos simultâneos em diferentes frentes.
A avaliação ocorre às vésperas da ampliação de operações terrestres no Líbano.
Em reunião com o gabinete de segurança, Zamir afirmou que as Forças de Defesa de Israel (IDF) correm o risco de “entrar em colapso sob o próprio peso”, citando a exaustão das tropas e o déficit de cerca de 15 mil soldados, sendo 8 mil para funções de combate.
Desde os ataques do Hamas em outubro de 2023, Israel mantém operações contínuas em múltiplos territórios, o que pressiona o sistema de reservas e compromete a prontidão militar.
Múltiplas frentes ampliam pressão sobre tropas
A ofensiva começou na Faixa de Gaza, com o objetivo de eliminar o Hamas e resgatar reféns. Posteriormente, o conflito se expandiu para outras regiões:
O acúmulo de operações levou à convocação massiva de reservistas. Em março, Netanyahu mobilizou cerca de 100 mil, e novos chamamentos podem ampliar esse número para até 400 mil.
Debate sobre serviço militar amplia crise interna
Um dos principais pontos de tensão é a isenção do serviço militar para judeus ultraortodoxos (haredim), historicamente dispensados da obrigatoriedade.
A política vem sendo criticada por lideranças militares e políticas, que defendem a ampliação do recrutamento.
A Suprema Corte de Israel já determinou, em 2024, que esse grupo deve ser convocado, mas o governo tem evitado avançar com a medida, em meio à pressão de partidos religiosos aliados.
O tema também é alvo de críticas da oposição, liderada por Yair Lapid, que cobra medidas para ampliar o efetivo militar diante da escalada dos conflitos.
Reservistas sob pressão e sinais de desgaste social
Sem tropas regulares suficientes, Israel depende fortemente de reservistas, que vêm sendo convocados por períodos cada vez mais longos — em alguns casos, superiores a 100 dias.
O cenário tem gerado impacto econômico e social, com relatos de perda de emprego e dificuldades financeiras entre os convocados.
*Com O Globo
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