Exportações de carne para o mercado europeu não serão interrompidas, diz Alckmin
BRASÍLIA* — O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) disse nesta quarta-feira, 13, que o veto à importação de carne brasileira pela União Europeia deve 'se equacionar'. Segundo ele, o Brasil e o bloco europeu já estão em negociais para entender a medida.
"Temos convicção de que as exportações de proteína para o mercado europeu não serão interrompidas. Exportamos carnes para a Europa ontem, estamos exportando hoje e vamos seguir exportando", disse Alckmin durante o 4º Congresso da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho).
Na terça-feira, 12, a UE divulgou uma lista de países autorizados a continuar exportando carne para o bloco, de acordo com as normas europeias de controle do uso de antibióticos na pecuária. O Brasil foi excluído dessa lista, enquanto países como Argentina, Colômbia e México foram incluídos por atenderem às exigências sanitárias europeias.
Em 2025, o Brasil exportou US$ 1,8 bilhão em carnes (bovinas e carne branca) para os 27 países da União Europeia, tornando o bloco o segundo maior destino das exportações brasileiras de carne, atrás apenas da China, que importou US$ 9,8 bilhões no mesmo período. Em termos percentuais, apenas 3,6% da carne bovina do Brasil é exportada para a UE.
Entre janeiro e abril de 2026, o Brasil exportou 1,091 milhão de toneladas de carne bovina, um aumento de 14,6% em relação ao mesmo período de 2025. A UE ocupa o quinto lugar entre os compradores brasileiros deste ano, com 34,7 mil toneladas e US$ 299,7 milhões em compras, uma alta de 17,7% no volume em relação ao ano passado, de acordo com dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec).
O vice-presidente disse que ficou surpreso com a notícia e defendeu o padrão sanitário do Brasil.
"Ficaram acordados alguns pontos para mantermos as reuniões e garantir que o Brasil, dos âmbitos governamental e privado, irá tomar todas as medidas que o setor precisar para se adequar a essas exigências", afirmou.
Reação do governo
Na terça, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, em comunicado conjunto, os Ministérios da Agricultura, do Comércio Exterior e das Relações Exteriores que buscarão reverter essa decisão.
"O Governo do Brasil tomará prontamente todas as medidas necessárias para reverter essa decisão, voltar à lista de países autorizados e garantir o fluxo de vendas desses produtos para o mercado europeu, para o qual exporta há 40 anos", diz o texto.
Segundo as pastas, a decisão decorre do resultado da votação realizada hoje no Comitê Permanente para Plantas, Animais, Alimentos e Ração da Comissão Europeia, que aprovou uma atualização dessa listagem. No entanto, os Ministérios reforçaram que, no momento, as exportações brasileiras de produtos de origem animal continuam normalmente.
* O repórter viajou a convite da Abramilho
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: