'Falta brilho nos olhos': desengajamento de candidatos trava até contratações no Brasil
A dificuldade de contratar no Brasil já não está apenas na escassez de talentos, mas na falta de engajamento de quem se candidata às vagas.
É o que revela o Guia Salarial 2026 da Michael Page. Segundo o levantamento, 60,6% das empresas apontam o baixo envolvimento dos candidatos como um dos principais entraves nos processos seletivos.
Na prática, isso significa profissionais que participam de etapas sem preparo, demonstram pouco interesse pelas vagas ou não avançam com consistência ao longo da seleção.
“A falta de comprometimento dos candidatos com os desafios apresentados pelas empresas está se tornando um problema crônico nos processos de seleção”, afirma Lucas Oggiam, diretor da Michael Page. “Você percebe realmente uma falta de engajamento, uma falta de brilho nos olhos para as vagas oferecidas.”
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O que as empresas realmente querem agora
O dado ajuda a explicar uma mudança importante no perfil buscado pelas companhias: mais do que experiência técnica, cresce a valorização de comportamento, atitude e capacidade de execução.
Hoje, 76,8% das empresas dizem priorizar candidatos com criatividade e iniciativa — características associadas à autonomia e à resolução de problemas no dia a dia.
Mas essa não é a única exigência.
Entre as habilidades mais demandadas estão:
“O que as empresas querem são pessoas que façam a diferença, que tragam soluções e tenham entusiasmo com o trabalho”, diz Oggiam. “Esse conjunto de atributos está cada vez mais raro.”
O paradoxo do mercado de trabalho
O estudo também expõe uma contradição relevante: enquanto empresas reclamam da falta de engajamento, a maioria também diz não encontrar profissionais qualificados.
Segundo o levantamento, 72,6% das companhias relatam dificuldade para preencher vagas abertas.
O cenário aponta para um desalinhamento entre expectativa e entrega, tanto do lado das empresas quanto dos candidatos.
De um lado, organizações buscam profissionais completos, com habilidades técnicas e comportamentais desenvolvidas. Do outro, muitos candidatos ainda não conseguem demonstrar essas competências na prática, especialmente em processos seletivos mais exigentes.
O que muda para o profissional
Para quem está em busca de emprego, a mensagem do mercado é clara: não basta cumprir requisitos básicos.
Demonstrar interesse genuíno pela vaga, conhecer a empresa e mostrar capacidade de resolver problemas concretos passam a ser diferenciais decisivos.
Mais do que currículo, o que está em jogo é a postura.
Em um mercado onde habilidades técnicas podem ser ensinadas, o engajamento, ou a falta dele, está se tornando o principal filtro das contratações.
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